|Tuesday, September 26, 2017
You are here: Home » Português » Brasil Privatizado: Globalistas Neoliberais Controlarão Riquezas Nacionais

Brasil Privatizado: Globalistas Neoliberais Controlarão Riquezas Nacionais 

Neoliberais

Entregar propriedade brasileira por neoliberais para banqueiros internacionais não é soluçāo para levar o Brasil ao desenvolvimento.

SÃO PAULO – Reconheço que as iniciativas privadas funcionam muito melhor que as companhias estatais, pelo menos na América Latina. Portanto, não me interprete mal ao ler este artigo.

O que há de errado, então, com empresas privadas que assumem empresas estatais, seu patrimônio e propriedade pública, entre outras coisas?

Muito.

A atual iniciativa para privatizar a propriedade brasileira é nada mais do que o governo de centro-direita liderado por um pequeno grupo de corruptos dizendo para Wall Street que a porta está aberta e que eles estão livres para entrar e levarem o que quiserem.

Apenas no caso de você se perguntar sobre a justificativa pública de Temer para a venda de estatais, isto é, cofres vazios do governo e déficits em rápido crescimento, lembremos que os brasileiros pagam, em média, 50% de imposto sobre quase tudo que compram. Mercadorias importadas são tributadas em 300%.

Não, os partidos políticos de esquerda não são melhores que Temer e Wall Street. Na verdade, são piores. No entanto, não há realmente uma escolha quando as pessoas precisam decidir se querem ter um país liderado por comunistas da 5a Avenida ou deixar a máfia de Wall Street no controle.

O Brasil não precisa de mais dinheiro nos cofres do governo. O governo tem dinheiro suficiente para realizar todos os sonhos. Não é necessário reformar os fundos públicos de pensão.

Há dinheiro suficiente sendo coletado para pagar os aposentados. O que os brasileiros querem é tirar o governo das suas vidas e as mãos do governo de seus bolsos e pensões.

Entregar a propriedade brasileira para banqueiros internacionais certamente não faz parte da solução para fazer com que o Brasil volte ao desenvolvimento.

Se desfazer da propriedade pública é como comer a semente que você tem no celeiro para a plantação do próximo ano, é  como matar a vaca que fornece seu leite ou a galinha que lhe dá ovos.

No entanto, a equipe econômica do presidente Michel Temer anunciou o maior programa de privatização no país em duas décadas para, de acordo com Temer, ganhar dinheiro e reduzir o déficit fiscal.

Mais de 50 propriedades estatais serão colocadas à venda ou terão sua administração transferida para o setor privado, incluindo a Eletrobras, a maior companhia de energia elétrica da América Latina.

Fora do programa anunciado, que inclui uma dúzia de aeroportos e a Casa da Moeda, estão a gigante do petróleo Petrobras e a Caixa Econômica Federal, o banco público brasileiro.

Como esperado, tal programa de privatização carece de detalhes, pelo menos publicamente. Tais detalhes são escritos em salas de administração e apenas vistos pelos chefes da máfia.

Nenhuma informação foi fornecida por Temer sobre a quantidade de dinheiro que o governo vai receber das transações que ele deseja concluir.

O Ministério da Energia declarou que a venda da Eletrobras pode resultar em cerca de 5,4 bilhões de euros.

O déficit público brasileiro atingiu 8,97% do PIB em 2016, um valor comparável ao do Quênia ou da Nigéria.

“O pacote de Temer é, sem dúvida, o maior desde Fernando Henrique Cardoso. Inclui aeroportos, sistemas de saneamento e setor elétrico, o que contribuirá para mudar a estrutura da economia nos próximos dois anos “, explica Alexandre Galvão, professor da Escola de Administração da Fundação Dom Cabral.

Alguns dos ativos à venda também possuem uma forte carga simbólica, como a própria Eletrobras, a jóia desta proposta, criada em 1956 no auge da política de desenvolvimento estatal do presidente Getúlio Vargas.

O plano é um grande passo em direção à politica de direita que o Brasil vive após o impeachment que, no ano passado, encerrou a presidência de Dilma Roussef e enterrou o PT. Mas também é uma conseqüência da fraqueza política de um presidente envolvido em escândalos de corrupção.

O ambicioso programa de reforma de Temer – do mercado de trabalho às pensões – tem recebido resistência do Congresso. Mas lembremos que este é o mesmo Congresso que invalidou a acusação contra Temer ao impedir que o Procurador-Geral o indiciasse por aceitar subornos.

Essas concessões econômicas de Temer para salvar sua reputação representaram um aumento nas despesas públicas e forçou o governo a baixar seus objetivos de ajuste fiscal para este ano.

A dívida pública em 2016 foi de 4.8 trilhões de reais, comparável à da Índia ou do Canadá e equivale a 78,3% do PIB.

Agora, um dos objetivos do programa de privatização é, precisamente, reunir dinheiro para aliviar as contas do estado, juntamente com a reativação, na medida do possível, de uma economia que, em termos médicos, está morrendo uma morte dolorosa.

“Toda a motivação do programa é a necessidade de aumentar os recursos para o tesouro nacional. A Eletrobras deixou de desempenhar um papel estratégico no setor elétrico, principalmente por causa de seus problemas financeiros “, afirma Nivalde de Castro, um especialista do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O que Castro não detalha é que os problemas financeiros da Eletrobras provêm da mesma raiz de todos os outros problemas – a corrupção – e que no programa de Temer não há menção para combater a corrupção.

O executivo afirma que seu objetivo é retornar a eficiência a uma empresa que acumula uma dívida de mais de 6 milhões de euros.

O Ministério das Minas e Energia detalha que, nos últimos 15 anos, a Eletrobras absorveu recursos públicos equivalentes a 65 milhões de euros que “poderiam ser investidos em segurança, educação e saúde”.

A crise econômica puniu as contas da Eletrobras que não está livre dos múltiplos escândalos de corrupção descobertos no país.

A evaporação dos seus lucros também contribuiu para a decisão de Rousseff de reduzir as tarifas de eletricidade em 20%.

Rousseff, que era ministra da energia do presidente Lula da Silva, criticou imediatamente o anúncio da privatização:

“Isso significa deixar o país à mercê dos apagões, como ocorreu em 2001 com o Fernando Henrique Cardoso. O consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica. “

Fernando Henrique privatizou 80 empresas estatais apenas no seu primeiro mandato, incluindo a gigante mineira Vale do Rio Doce e a Telebrás, que tinha o monopólio no setor de telecomunicações.

Como agora, o governo estava tentando conter o aumento da dívida pública.

Existe um consenso entre especialistas de que a privatização das telecomunicações foi um sucesso, mas que a urgência de arrecadar levou à venda de empresas como a Vale abaixo de seu valor de mercado.

Com a chegada de Lula, as privatizações foram interrompidas e sucessivos governos do PT concentraram suas relações com o setor privado em acordos de concessão temporária, principalmente de rodovias e usinas hidrelétricas. Essas parcerias não renderam nenhum benefício, já que as estradas e as pontes do Brasil estão em um estado assustador.

Rousseff continuou esse modelo e, pouco antes do impeachment, anunciou um programa que incluiria a concessão de portos, aeroportos e ferrovias com a expectativa de arrecadar mais de 5 bilhões de euros. Mas quase nada saiu do papel.

Hoje, a taxa de desemprego no Brasil, segundo dados oficiais, é de 13,3%, com cerca de 14 milhões de desempregados. Mas os números reais são mais alarmantes. Há pelo menos 20% dos brasileiros desempregados. Conservadoramente, isso equivale a cerca de 24 milhões de pessoas.

A inflação atingiu 6,3% no ano passado; novamente, de acordo com números oficiais, que geralmente subestimam o custo de vida. Em 2015, o governo estimou que a inflação aumentou 10,67%. Em dois anos, e se você confia em números oficiais, os brasileiros viram seu custo de vida aumentar em 17%.

O déficit público brasileiro atingiu, segundo números do governo, 8,97% do PIB em 2016. Em termos absolutos, isso significou um déficit de 549 bilhões de reais no mesmo ano, um número apenas inferior aos déficits observados nos Estados Unidos e na China.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

Add a Comment