|Saturday, August 18, 2018
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Google colabora com censura de Mídias Sociais na China 

Censura

A censura do governo chinês é requisito para que Google possa recuperar o acesso ao país asiático.

O Google está preparando um aplicativo móvel de seu mecanismo de busca específico para o mercado chinês que irá censurar os resultados de acordo com a vontade e as regras das autoridades do país asiático, que mantêm um rígido controle sobre o que seus cidadãos podem ver na Internet.

Segundo o The Intercept, citando fontes anônimas da empresa e documentos internos, a gigante tecnológica americana vem trabalhando no projeto há meses. O mesmo já foi apresentado em Pequim e aguarda autorização do governo chinês.

Nem a empresa nem as autoridades chinesas confirmaram as conversas que, se bem-sucedidas, significariam o retorno do Google ao país com mais usuários de Internet no mundo, que decidiu sair em 2010 porque, nas palavras de seu então vice-presidente executivo, David Drummond, “a autocensura é uma exigência legal não negociável.” Bem, agora parece que se tornou bastante negociável e o Google vai lucrar muito com isso.

A atual equipe de gestão, liderada por Sundar Pichai, teria optado por retomar aos negócios no país mesmo que isso signifique obedecer a regulamentações que forçaram o Google a sair oito anos atrás.

Pichai se reuniu com um alto funcionário do governo chinês em dezembro do ano passado e, desde então, aparentemente acelerou o projeto, segundo o The Intercept.

O jornal local China Securities Daily negou nesta quinta-feira a informação da mídia dos EUA e disse que “levando em conta o contexto doméstico e internacional, é improvável que o Google retorne à China em curto prazo”, citando como fonte “departamentos relevantes”.

A aprovação deve vir da Administração do Ciberespaço da China, órgão regulador competente, cuja principal responsabilidade foi divulgada nesta semana.

O projeto, apelidado de Dragonfly, é baseado em um aplicativo móvel para Android que identifica e filtra automaticamente páginas da Web e palavras-chave eliminadas pelo sistema chinês de censura, popularmente conhecido como Great CyberWall.

Quando um usuário realiza uma pesquisa na qual alguns resultados foram excluídos, uma mensagem de aviso é exibida. Sua versão final poderia ser lançada entre os próximos seis e nove meses, se Pequim finalmente desse o sinal verde ao produto.

A CyberWall chinesa atualmente bloqueia o acesso ao Google e praticamente todos os seus serviços, incluindo o YouTube, bem como outras redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram. As páginas da web de vários meios de comunicação também são inacessíveis no país.

Nas redes sociais chinesas, um algoritmo sofisticado e um exército de censores controlam continuamente os conteúdos e eliminam os considerados ilegais, contendo violência e pornografia, bem como slogans políticos contra o Partido Comunista ou porque defendem os direitos humanos e as liberdades individuais.

Além disso, uma nova lei de segurança cibernética exige que as empresas de tecnologia armazenem dados obtidos de seus usuários na China em servidores localizados no território desse país.

A Apple já cumpriu essas e outras demandas e deu as informações para uma empresa estatal e, portanto, para o governo chinês. Outros, como Microsoft ou LinkedIn, sucumbiram aos requisitos legais de Pequim desde o início.

O Google operou na China entre 2006 e 2010, também sob o jugo da censura pelas autoridades. Mas finalmente decidiu mudar seus servidores e operar a partir de Hong Kong, uma região administrativa especial da China onde há liberdade de informação.

Durante esses oito anos, o Google lançou alguns produtos na China continental como serviço de armazenamento de documentos ou tradução e colaborou com parceiros locais, como, por exemplo, na venda de hardware.

A intenção de retornar à China com seus principais negócios, ou pelo menos tentar, reflete o dilema enfrentado pela maioria das principais tecnologias estrangeiras: fazer concessões para obter acesso ou ficar de fora.

As autoridades chinesas, por sua vez, cientes do enorme poder de negociação concedido por cerca de 750 milhões de usuários da Internet, não mudaram nem um pouco em suas demandas para exercer um controle draconiano sobre o conteúdo.

Durante os anos em que o Google esteve fora, o concorrente local Baidu fortaleceu sua liderança como o principal mecanismo de busca do país, com uma participação de mercado de cerca de 70%.

Durante as primeiras horas de ontem, as reações se multiplicaram nos EUA. Segundo o Business Insider, alguns funcionários do Google expressaram sua surpresa e raiva por essa possível decisão.

O senador Marco Rubio twittou que ler sobre os planos do Google na China é “muito perturbador”.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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