|Saturday, December 16, 2017
You are here: Home » Português » Como a Turquia apoia os Jihadistas

Como a Turquia apoia os Jihadistas 

Jihadistas

A Rússia colocou a questão do futuro da Turquia enviando ao Conselho de Segurança um relatório de serviço de Inteligência sobre as actividades do apoio deste país aos jiadistas.

O documento compreende uma dezena de revelações pondo em causa as actuações do MIT (Serviço Secreto Turco-ndT). O problema é que cada uma destas operações citadas liga-se a outras operações nas quais os mesmos actores operaram junto com os Estados Unidos, ou seus aliados, contra a Rússia.

Estas informações juntam-se às já disponíveis sobre os laços pessoais do Presidente Erdoğan com o banqueiro da Al-Qaida, e sobre a receptação pelo seu filho do petróleo roubado pelo Daesh (E.I.).

Rússia remeteu aos membros do Conselho de Segurança da Onu um relatório de Inteligência sobre as actividades da Turquia a favor dos jiadistas operando na Síria [1]. Este documento fornece uma dezena de factos em que cada um, por si, viola uma ou várias resoluções do Conselho.

Ao fazê-lo, a Rússia coloca o Conselho perante as suas responsabilidades e, por extensão, várias outras organizações inter-governamentais. Pelos princípios do Direito, o Conselho devia exigir as provas correspondentes a estas asserções e convocar a Turquia para dar explicações.

No caso da culpabilidade da Turquia ser estabelecida, deveria decidir as sanções a tomar segundo o capítulo VII da Carta, quer dizer recorrendo à força. Pelo seu lado, a Organização do Tratado do Atlântico-Norte e a Organização da Cooperação Islâmica deveriam excluir das suas fileiras este Estado criminoso, enquanto a União Europeia deveria cessar as negociações de adesão.

No entanto, uma leitura atenta do relatório da Inteligência russa mostra que os factos alegados são susceptíveis de abrir muito outros dossiês, e de pôr em causa outras potências. De tal modo que é mais provável que não se discuta publicamente este relatório, mas que se negociará à porta fechada o futuro da Turquia.

O caso Mahdi Al-Harati

Nascido na Líbia, em 1973, Mahdi al-Harati emigrou para a Irlanda e aí construiu uma família.

Em Maio de 2001, ele estava a bordo do Mavi Marmara, o navio almirante da «Flotilha da Liberdade», organizada pela ONG turca IHH para fornecer ajuda humanitária a Gaza.

Os barcos foram pirateados em alto mar pelo exército israelita, provocando um escândalo internacional. Os passageiros foram raptados pelo Tsahal, sequestrados em Israel, depois, finalmente libertados [2].

O Primeiro-ministro de então, Recep Tayyip Erdoğan, dirigiu-se a um hospital para reconfortar os militantes feridos. O seu gabinete difunde uma fotografia onde se vê um, de entre eles, a abraçá-lo como se fosse seu pai. Seria um turco-irlandês, El Mehdi El Hamid El Hamdi, mas, na realidade era o líbio-irlandês Mahdi al-Harati.

Em julho de 2011, a sua casa em Rathkeale (Irlanda) é assaltada. A sua companheira, Eftaima al-Najar, chama a polícia e diz que os ladrões se apoderaram de ricas jóias egípcias e líbias e de 200 000 euros em notas de 500.

Contactado por telefone, Mahdi al-Harati confirma à polícia ter-se encontrado com autoridades do Catar, da França e dos Estados Unidos e ter recebido esta soma da CIA para ajudar ao derrube de Muammar al-Kaddafi [3].

Posteriormente, ele irá desmentir as suas primeiras declarações assim que a Resistência líbia se apropriou do assunto [4].

Em julho-agosto de 2011, ele comanda a Brigada Tripoli —da qual também era membro o seu cunhado, Hosam al-Najjair—, uma unidade da Al-Qaida enquadrada por legionários franceses, encarregue pela Otan de tomar o Hotel Rixos [5].

Oficialmente, o hotel é o centro da imprensa internacional, mas a Aliança foi informada, pelo construtor turco do edifício. que ele inclui uma cave(porão-br) arranjada, acessível a partir do exterior, onde se refugiam vários membros da família Kaddafi e dirigentes da Jamahiriya. Durante vários dias, ele bate-se junto com os franceses contra os soldados de Khamis Kaddafi [6]

Em Setembro de 2011, a Otan nomeia-o adjunto de Abdelhakim Belhaj, o chefe histórico da Al-Qaida tornado «governador militar de Tripoli» [7]. Ele demite-se a 11 de Outubro, pretensamente no seguimento a um diferendo com Belhaj [8].

No entanto em Novembro de 2011, ao lado de Abdel Hakim Belhadj, comanda um grupo de 600 a 1.500 jiadistas da Al-Qaida na Líbia —anteriormente do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL)— que são registados como refugiados e transportados por mar para a Turquia sob a supervisão de Ian Martin, antigo secretário-geral da Fabian Society e da Amnistia Internacional, tornado representante especial de Ban Ki-moon.

Chegados à Turquia, os jiadistas são transferidos de autocarro (ônibus-br), escoltados pelo MIT (serviços secretos turcos), para a Síria. Eles instalam-se em Jabal al-Zouia, onde criam, por conta da França, o Exército Sírio Livre (FSA).

Durante quase dois meses, Abdel Hakim Belhadj e Mahdi al-Harati recebem todos os jornalistas ocidentais que passando pela Turquia tentam cobrir o acontecimento, naquilo que eles transformam numa «aldeia Potemkin» [9].

O gabinete do Primeiro-ministro Erdoğan coloca-os em conexão com contrabandistas que os transportam de moto a Jabal al-Zouia. Lá, eles vêem com os seus próprios olhos milhares de pessoas manifestarem-se «contra a ditadura de Bashar Assad e pela democracia».

Conquistada, a imprensa ocidental conclui tratar-se de uma revolução, até que um jornalista do jornal espanhol ABC, Daniel Iriarte, constata que os manifestantes não são maioritariamente sírios e reconhece os seus chefes líbios Abdel Hakim Belhadj e Mahdi al-Harati [10].

Pouco importa, o espectáculo da Brigada Falcões do Levante (Suqour al-Sham Brigade) conseguiu o seu efeito. O mito de um ESL composto de «desertores do Exército Árabe Sírio» nasceu e os jornalistas, que o alimentaram, nunca reconhecerão ter sido enrolados.

Em setembro de 2012, Mahdi al-Harati voltou à Líbia por razões médicas, não sem antes ter formado, junto com o seu cunhado, um novo grupo de jiadistas, Liwa al-Umma (a Brigada do Ummah) [11].

Em Março de 2014, Mahdi al-Harati escolta um novo grupo de jiadistas líbios que vêm para a Turquia por mar. Segundo o relatório da Inteligência russa, ele é apoiado pelo número 2 do regime, Hakan Fidan, chefe do MIT (serviços secretos), que acaba de retomar funções.

Eles juntam-se ao Daesh (E.I.) pelo posto fronteiriço de Barsai. Esta decisão surge na sequência da reunião organizada, em Washington, pela conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, com os chefes dos Serviços Secretos do Golfo e da Turquia, a fim de lhes confiar o prosseguimento da guerra contra a Síria, pretensamente sem ter de usar a Al-Qaida e o Daesh [12].

Em Agosto de 2014, Mahdi al-Harati é «eleito» presidente da câmara(prefeito-br) de Tripoli, com o apoio do Catar, do Sudão e da Turquia. Ele depende do governo de Tripoli, dominado pela Irmandade Muçulmana, e rejeita o de Tobruk, apoiado pelo Egipto e pelos Emirados Árabes Unidos.

O percurso de Mahdi al-Harati atesta as ligações entre a Al-Qaida na Líbia, o Exército Sírio Livre, o Daesh e a Irmandade Muçulmana, reduzindo a nada a teoria de uma revolução democrática na Síria. Ela mostra também o apoio de que esta rede tem beneficiado a partir dos Estados Unidos, da França e da Turquia.

A transferência de combatentes do Daesh da Síria para o Iémene

O relatório de Inteligência revela que os serviços secretos turcos organizaram a transferência dos combatentes do Daesh da Síria para o Iémene. Eles teriam, segundo o caso, sido transportados por avião ou por barco para Áden.

Esta imputação havia já sido formulada, a 27 de Outubro de 2015, pelo porta-voz do Exército Árabe Sírio, o general Ali Mayhub. Segundo ele, pelo menos 500 jiadistas do Daesh tinham sido auxiliados pelo MIT turco a dirigirem-se para o Iémene.

Tinham sido embarcados em dois aviões da Turkish Airlines, um da Catar Airways e um dos Emirados. Chegados à Áden, os jiadistas foram divididos em três grupos. O primeiro dirigiu-se para o estreito de Bab-el-Mandeb, o segundo para Marib, e o terceiro foi enviado para a Arábia Saudita.

Esta informação, que foi amplamente desenvolvida pelos média árabes pró-Sírios, foi ignorada pela imprensa ocidental. Do lado iemenita, o general Sharaf Luqman, porta-voz dos militares fiéis ao antigo presidente Saleh, confirmou a acusação síria e acrescentou que os jiadistas tinham sido acolhidos no Iémene por mercenários da Blackwater-Academi.

A transferência de combatentes do Daesh de um teatro de operações para outro atesta a coordenação de operações na Síria e no Iémene. Ela implica a Turquia, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e a Blackwater-Academi.

A “aldeia tártara”

O relatório de Inteligência russo evoca igualmente o caso da «aldeia Tártara», um grupo étnico Tártaro, inicialmente baseado em Antalya, depois deslocado pelo MIT mais para norte, para Eskisehir.

Muito embora ele precise que é formado por combatentes da Al-Qaida e que ajuda combatentes islamistas na Síria, não explica porquê é que este grupo foi movido para mais longe da Síria, nem quais são as suas actividades específicas .

Os tártaros formam a segunda minoria russa e muito poucos são os que aderem à ideologia jiadista dos Irmãos Muçulmanos ou do Hizb-ut-Tahrir.
- Entretanto, em Março de 2012, os islamistas árabes do Tartaristão atacaram uma exposição sobre a Síria «berço da civilização» no museu de Kazan. Um pouco mais tarde, a 5 de Agosto de 2012, jiadistas, ao mesmo árabes e tártaros, reuniram-se secretamente em Kazan, incluindo representantes da Al-Qaida.
- Em Dezembro de 2013, jiadistas tártaros pan-turcos, do movimento Azatlyk (Liberdade), deixam o teatro sírio para irem para a Ucrânia e assegurarem o serviço de ordem na praça Maidan, na tentativa de golpe de Estado; enquanto outros militantes da mesma organização se manifestavam em Kazan.
- No 1º de Agosto de 2015, um Congresso Mundial de Tártaros é organizado em Ancara, com o apoio e a participação dos governos ucraniano e turco.

É presidido pelo agente da CIA célebre durante a Guerra Fria, Mustafa Dzhemilev, e decide a criação de uma «Brigada muçulmana internacional» para «libertar» a Crimeia. Djemilev é, de imediato, recebido oficialmente pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan [13].

A Brigada dispõe de instalações em Kherson (Ucrânia). Ela organiza diversos actos de sabotagem na Crimeia, entre os quais uma gigantesca falha de electricidade(cortada a partir da Ucrânia), depois, não conseguindo entrar em massa na Rússia, vai reforçar as tropas ucranianas no Donbass.

Se o Conselho de Segurança se meter a escavar a questão da «aldeia Tártara», não lhe faltarão elementos para observar que os Estados Unidos, a Turquia e a Ucrânia patrocinam os jiadistas Tártaros na Síria, na Crimeia e no Tartaristão, aí incluídos elementos da Al-Qaida e do Daesh.

Os Turcomanos da Brigada Sultão Abdulhamid

Enquanto a Turquia não levantou o dedo mínimo para socorrer os Turcomanos iraquianos, massacrados pelo Daesh, ela, apoiou-se nos Turcomanos sírios contra a República Árabe da Síria.

Eles são organizados pelos «Lobos Cinzentos», um partido político paramilitar turco, historicamente ligado aos serviços secretos da OTAN na sua luta contra o comunismo (a «Gládio»).

Foram eles, por exemplo, quem organizou a tentativa de assassínio do Papa João Paulo II, em 1981 [14]. Os Lobos cinzentos estão presentes na Europa, nomeadamente no seio dos sociais-democratas belgas e dos socialistas neerlandeses.

Eles instalaram em Frankfurt uma coordenação europeia. Na realidade, não são um partido em si mesmo, antes, formam o ramo paramilitar do Partido de Ação Nacionalista (MHP Milliyetçi Hareket Partisi).

As Brigadas Turcomanas organizam com o MIT a pilhagem das fábricas de Alepo. Peritos turcos desmantelam as máquinas-ferramentas que são expedidas e remontadas na Turquia. Simultaneamente, eles, ocupam a zona fronteiriça da Turquia onde o MIT instala e controla campos de treino de jiadistas.

Em Novembro de 2015, é a estrela dos Turcomanos sírios, o turco Alparslan Çelik —membro dos Lobos cinzentos e um dos comandantes da Brigada Sultão Abdoulhamid— , quem dará a ordem para abater os dois pilotos do Sukoi-24, que acabava de ser destruído pela aviação de caça Turca assistida por um avião-radar AWACS Saudita. Um, de entre eles, acabará efectivamente executado.

Acontece que, em 1995, os Lobos Cinzentos tinham organizado, com a empresa imobiliária turco-americana Celebiler isaat (que financia as campanhas eleitorais de Hillary Clinton), um vasto programa de recrutamento de 10.000 jiadistas para irem combater na Tchechénia.

Uma base de treino fora instalada na cidade universitária de Top Kopa, em Istambul. Um dos filhos do general Djokhar Dudaiev dirigia a transferência a partir da Turquia, via Azerbaijão, ao lado do MIT.

O relatório de Inteligência russo revela que o MIT constituiu a Brigada Sultão Abdoulhamid —que agrupa as principais milícias turcomanas— e que treinou os seus elementos na base de Bayır-Bucak, sob a direção de instrutores das forças especiais de intervenção do Estado-Maior do Exército turco e de agentes do MIT. Ele precisa que a Brigada Turcomana colabora com a Al-Qaida.

Qualquer pesquisa, um pouco mais aprofundada, levará o Conselho de Segurança a reabrir velhos dossiês criminais e a constatar os laços entre a Brigada Sultão Abdoulhamid, os Lobos Cinzentos, a Turquia, os EUA e a Al-Qaida.

O IHH e o İmkander

O relatório de Inteligência russo revela o papel de três ONGs humanitárias turcas no fornecimento de armas aos jiadistas, a IHH, a İmkander e a Oncu Nesil. A Declaração Final do Grupo de Apoio Internacional à Síria (GSIS), reunido em Munique, nos dias 11 e 12 de Fevereiro, parece validar esta acusação pois estipula que, doravante, os Estados Unidos e a Rússia velarão para que os comboios humanitários na Síria só transportem materiais humanitários.

Até então, o governo de Damasco e a imprensa não paravam de acusar estas ONGs de apoio aos jiadistas, mas, ninguém os escutava. Em Setembro de 2012, um cargueiro fretado pela IHH transportou armas para a Síria por conta dos Irmãos Muçulmanos [15].

Das organizações citadas eu apenas conhecia as duas primeiras.

A IHH é uma associação fundada e animada pelo Partido da Prosperidade turco (o “Refah”) de Necmettin Erbakan, mas sem vínculo estatutário ou orgânico com ele. Foi primeiro registada na Alemanha, em Freiburg-Im-Breisgau, em 1992, sob o nome Internacional Humanitäre Hilfe (HHI), em seguida na Turquia, em Istambul, em 1995, sob o nome İnsani Yardım Vakfı.

Sendo o seu novo acrónimo IYV e não IHH, ela fez preceder o seu nome por Insan Hak ve Hürriyetleri, ou seja, em turco «Direitos do homem e liberdades».

Sob o disfarce de ajuda humanitária aos muçulmanos da Bósnia e do Afeganistão, ela fornecia-os em armas, o que se inscrevia na estratégia da Otan. Depois disso, ela apoiou militarmente o Emirado islâmico da Ichquéria (Tchechénia) [16].

Em 2006, ela, organizou na mesquita de Fatih, em Istambul, grandes exéquias fúnebres sem corpo, mas, com dezenas de milhar de militantes, pelo jiadista tchecheno Shamil Bassayev, que acabava de ser morto pelas Forças russas após o massacre que tinha comanditado na escola de Beslan [17].

A IHH ganhou renome mundial ao organizar, com o AKP (sucessor do Refah), a «Flotilha da Liberdade», que devia levar ajuda humanitária a Gaza quebrando o bloqueio israelita, novamente com o aval da Casa Branca que procurava humilhar o Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Entre os passageiros da flotilha estava o já referido Mahdi al-Harati.

O relatório da Comissão das Nações Unidas, presidida por Geoffrey Palmer, atesta que, contrariamente às alegações, a flotilha não transportava nenhuma carga humanitária. O que leva à concluir que a IHH sabia que ela jamais chegaria a Gaza, e coloca, pois, a questão dos objectivos reais desta expedição.

A 2 de Janeiro de 2014, a polícia turca —que acaba de interpelar os filhos de três ministros, e o director de um grande banco, por branqueamento de dinheiro— intercepta um camião(caminhão-br) de armas da IHH destinado aos jiadistas sírios [18].

Em seguida ela revista a sede da IHH. Interpela, nos seus escritórios, Halis B., suspeito de ser o líder da Al-Qaida na Turquia, e İbrahim S, comandante-adjunto da organização para o Próximo-Oriente. [19]. O governo consegue despedir os polícias e ordena a libertação dos suspeitos.

A İmkander(em turco Irmandade, por referência à Irmandade Muçulmana) é uma outra associação «humanitária», fundada em 2009, em Istambul. Ela especializou-se na ajuda aos Tchechenos e na defesa dos jiadistas do Cáucaso.

Assim, organizou uma campanha mediática na Turquia quando o representante de Doku Umarov (o auto-proclamado «emir do Cáucaso»), Berg-Khazh Musaev (dito Emir Khamzat), foi assassinado em Istambul.

À época, o FSB considerava-se em guerra contra os Estados que apoiavam militarmente os jiadistas e não hesitava em liquidá-los nesses países (como Zelimkhan Yandarbiyev no Catar, e Umar Israilov na Áustria). A İmkander organizou grande exéquias fúnebres na mesquita de Fatih, em Istambul.

A 12 e 13 de Maio de 2012, com o apoio do município(prefeitura-br) de Istambul, a İmkander organizou um congresso internacional —na tradição dos congressos da CIA durante a Guerra Fria— para apoiar os independentistas do Cáucaso.

No fim do evento, foi criado de forma permanente o Congresso dos Povos do Cáucaso, reconhecendo como autoridade única o Emirado do Cáucaso de Doku Umarov.

Os delegados acusaram o Império Russo, a União Soviética e a Federação Russa de ter praticado e continuar a praticar o genocídio dos Caucasianos. Num vídeo, o Emir Doku Umarov apelou a todos os povos do Cáucaso para se juntarem à Jiade. A Rússia reagiu vivamente [20].

Em 2013, a Rússia exigiu ao Comité pelas sanções 1267/1989, do Conselho de Segurança colocar a İmkander na lista de organizações ligadas à Al-Qaida. O Reino Unido, a França e o Luxemburgo opuseram-se a isso [21].

Com efeito, se a İmkander reivindica apoiar politicamente a Al-Qaida no Cáucaso, a Rússia não traz provas consideradas suficientes pelos Ocidentais de uma participação em operações militares.

Estas duas ONGs estão directamente implicadas, quanto ao tráfico de armas a IHH, e quanto ao apoio político a İmkander. Elas dispõem do apoio do AKP, o partido que o Presidente Erdoğan criou para substituir o Refah, na altura proibido pelo Tribunal Constitucional.

Que fazer do relatório da Inteligência russa ?

É pouco provável que o Conselho de Segurança considere o relatório de Inteligência russo. A questão do papel dos serviços secretos é geralmente tratada em segredo. De qualquer forma, os EUA terão de esclarecer o que pretendem fazer do seu aliado turco, que se deixou apanhar violando as resoluções do Conselho.

Estas informações somam-se às já disponíveis sobre os laços pessoais do Presidente Recep Tayyip Erdoğan com Yasin al-Qadi, o banqueiro da Al-Qaida [22], e sobre o papel do seu filho, Bilal, no comércio do petróleo roubado pelo Daesh [23].

Não se duvide, as bravatas turcas, anunciando uma possível invasão militar na Síria, não são mais que um meio de criar diversão. Seja com fôr, se uma guerra viesse a irromper entre a Turquia e a Rússia este relatório de inteligência seria suficiente para privar Ancara do apoio da Aliança Atlântica (artigo 5 da Carta Otan).

Lembre-se de compartilhar e distribuir este artigo através das redes sociais abaixo.

About the author: Thierry Meyssan

French intellectual, founder and chairman of Voltaire Network and the Axis for Peace Conference. His columns specializing in international relations feature in daily newspapers and weekly magazines in Arabic, Spanish and Russian. His last two books published in English : 9/11 the Big Lie and Pentagate.

Add a Comment