|Sunday, December 17, 2017
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A Esquerda está Morta 

Esquerda

Era uma vez quando a esquerda do espectro político estava comprometida com o avanço da classe trabalhadora e sua proteção contra o abuso político e econômico pelos donos dos meios de produção.

Conseqüentemente, a esquerda era politicamente potente e alcançou o ápice do poder quando Henry Wallace foi selecionado por Franklin D. Roosevelt ( FDR ) como vice-presidente do seu terceiro mandato. Apesar de sua riqueza pela empresa que fundou, Wallace lutou pelo agricultor e pela classe trabalhadora.

O Partido Democrata recusou Wallace como candidato a vice-presidente até quando FDR disse que, do contrário, recusaria a nomeação presidencial.

Wallace foi a escolha dos eleitores de Roosevelt e dos eleitores democratas para ser o vice-presidente no quarto mandato de Roosevelt. Mas as visões progressistas de Wallace alienaram os chefes do partido, os banqueiros de Wall Street, as empresas anti-sindicalistas e os aliados britânicos e franceses com seu apoio a sindicatos, mulheres, minorias e vítimas do colonialismo.

Quando ele pediu a emancipação das colônias e para trabalhar com a União Soviética na causa da paz e da justiça da classe trabalhadora, ele selou o seu destino.

Apesar de uma pesquisa Gallup divulgada durante a convenção nacional democrata em julho de 1944 mostrar que Wallace era o favorito com 65% dos votos e o anúncio de Roosevelt de que, se ele fosse um delegado, escolheria Wallace, os chefes do partido escolheram Harry Truman, que era preferido por apenas 2% dos eleitores democratas.

Este foi um momento marcante na política dos EUA e na história mundial. Se as pessoas tivessem prevalecido sobre os chefes corruptos do Partido Democrata, Wallace, em vez de Truman, teria se tornado o primeiro presidente dos EUA do pós-guerra. Muito provavelmente, não haveria a Guerra Fria, a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã, OTAN e não teríamos experiementado décadas de desconfiança mútua entre os EUA e a Rússia que hoje ameaça a vida na Terra.

Além disso, em lugar da distribuição de renda e riqueza altamente desviadas em direção à fração um por cento muito rica, haveria uma distribuição mais equitativa que apoiaria um mercado consumidor forte em vez de declínio de renda real e expansão da dívida que ameaça o crescimento econômico, os lucros das empresas, empregos e altos valores patrimoniais.

Oliver Stone e Peter Kuznick, no seu best seller, The Untold History of the United States, descrevem a corrupção do Partido Democrata em estilo Clinton que foi usada para bloquear Wallace como candidato a vice-presidente:

“Os informantes do Partido Democrata se certificaram de que tinham o controle na convenção. No entanto, os democratas de base não se calaram, organizando uma rebelião na convenção. O apoio a Wallace entre delegados e participantes era tão grande que, apesar do estrangulamento dos procedimentos e das táticas de braço forte, os simpatizantes de Wallace quase ganharam quando uma demonstração de apoio a ele foi iniciada.

No meio da manifestação, o senador Claude Pepper da Flórida percebeu que, se ele tivesse o nome de Wallace na nomeação naquela noite, Wallace iria ganhar a convenção. Pepper lutou contra a multidão para chegar a cinco metros do microfone quando o Major Kelly, quase histérico, alegando que havia um risco de incêndio, fez com que  o presidente, o Senador Samuel Jackson, suspendesse o processo.

Se Pepper tivesse chegado ao microfone e nomeado Wallace antes que os chefes forçassem o adiamento contra a vontade dos delegados, Wallace teria se tornado presidente em 1945 e o curso da história teria sido dramaticamente alterado “.

No dia seguinte, Senador Jackson pediu desculpas ao Senador Pepper: “Eu tinha instruções de Hannegan para não deixar a convenção nomear o vice-presidente na noite passada. Então, eu tive que adiar a convenção a qualquer custo. “

Assim, o poder dos grupos de interesse prevaleceram sobre a democracia há 73 anos, quando ainda havia uma imprensa que, ocasionalmente, falaria para o povo. Dave Kranzler e Brett Arends descrevem o poder dos interesses e a degeneração da mídia de hoje:

“Em minha opinião, [os oligarcas] sustentariam o sistema com dinheiro impresso e a criação de crédito até que cada última migalha de riqueza da classe média fosse varrida para os bolsos dos que estavam com a vassoura na mão.

“Obama não fez nenhuma das suas promessas de campanha originais. Ele iria  “reformar” Wall Street. Mas o conceito de que “os grandes não caem” foi legislado sob Obama e as acusações e processos contra Wall Street caíram precipitadamente se comparados com a administração anterior.

“Obama terminou o mandato e entrou no mundo milionário de compromissos patrocinados por Wall Street e foi morar em uma propriedade de US $ 10 milhões no Havaí paga pela elite de Chicago (Pritzkers, etc.).

Agora, Obama receberá milhões de dólares por seu papel em ajudar e incentivar a transferência de trilhões da classe média para os elitistas. Veja Bill e Hillary – preciso dizer mais? Trump reverteu as suas promessas de campanha duas vezes mais rápido que Obama.

Quase imediatamente após sua posse, Trump tornou-se um senhor da guerra.

“A mídia tem sido voluntariamente cúmplice nesta grande farsa. Para meu choque completo, Brett Arends publicou um comentário no Marketwatch que avisa sobre a mídia:

‘Você quer saber que tipo de pessoa é o melhor repórter? Eu vou lhe dizer. Um sociopata limítrofe. Alguém inteligente, inquisitivo, teimoso, desorganizado, caótico e em um estado perpétuo de raiva contra as falhas do mundo.

No passado, você via pessoas assim em todas as salas de redação do país. Muitas vezes eles tinham vidas pessoais caóticas e morriam jovens de cirrose ou ataque cardíaco. Mas eles produziam grandes histórias.

“Você quer saber quem é  promovido e bem sucedido na mídia moderna? Os que querem ascensão social. Networkers. Pessoas que seguem o consenso dominante e não fazem muitas perguntas. Eles são flexíveis, bem organizados e felizes com a vida.’

“É por isso que tantos repórteres estão felizes em informar que as corporações dos EUA estão em grande forma financeira, mesmo que também tenham dívidas, ou que um portfolio diversificado de ações e títulos vai lhe proteger em todas as circunstâncias, mesmo que não seja bem assim, ou que os orçamentos da defesa estão sendo cortados, quando não estão, ou que a economia dos EUA superou massivamente os rivais, como o Japão, quando não ultrapassou, ou que as empresas devem pagar aos CEOs das empresas milhares de dólares para garantir o melhor “talento” quando não se precisa fazer isso e tal pagamento é apenas um roubo “.

A esquerda americana foi modificada. A esquerda, que anteriormente representava “paz e pão”, hoje representa a Política de Identidade e a guerra. A classe trabalhadora foi redefinida como “os deploráveis do Trump” e se fragmentou em diferentes “grupos de vítimas”- mulheres, minorias raciais, homossexuais, transgêneros.

Os opressores já não são mais os oligarcas que possuem os meios de produção. O opressor é a classe trabalhadora masculina sexista, misógina, homofóbica, heterossexual, fascista, branca e supremacista.

O surgimento da Identidade Política trouxe consigo um discurso politicamente controlado. Principalmente pessoas brancas, especialmente homens brancos heterossexuais, estão sujeitos a esse controle. Os limites da sua liberdade de expressão estão cada vez mais severos e ninguém tem que se preocupar com os homens heterossexuais brancos que se ofendem por uma fala ofensiva ou ameaçadora. Os homenss brancos podem ser chamados de qualquer coisa e são.

Ao fragmentar a classe trabalhadora em grupos de vítimas, a Identidade Política tornou impossível a oposição à guerra e à desigualdade de renda. Em lugar da unidade, a Identidade Política desmembrou a classe trabalhadora e dirigiu suas energias para disputas internas. Agora temos brigas no Hyde Park de Londres entre feministas radicais e ativistas transgêneros.

Diana Johnstone mostrou como Antifa, o braço violento da Identidade Política, transformou a ala de esquerda em um supressor da liberdade de expressão e um defensor da guerra.

Uma sociedade fragmentada não pode reconhecer ou resistir a opressão imposta pela elite dominante. O feminismo transforma esposas e maridos em rivais. Na verdade, Sarah Knapton, editora científica do London Telegraph, relata sobre o surgimento do “bromance”, fortes relações emocionais entre homens heterossexuais.

Os ataques feministas contra os homens e a correção política reduziram os relacionamentos dos homens millenials heterossexuais com as mulheres apenas ao sexo. Seus compromissos emocionais são para os seus amigos do sexo masculino. Isso não parece uma vitória para as mulheres.

A hiper-sensibilidade cultivada da correção política, que decorre da Política de Identidade, está destruindo a linguagem, a história e a liberdade de expressão. O governo do Reino Unido se opõe ao termo “mulher grávida” porque exclui e ofende pessoas transexuais. https://www.ndtv.com/world-news/uk-government-opposes-phrase-pregnant-woman-to-include-transgenders-1765718

A British Medical Association emitiu diretrizes para que os médicos não usem a palavra “mãe” para se referir a uma mulher grávida, pois o termo pode ofender os transexuais. Em vez disso, o termo “pessoas grávidas” deve ser usado. Isso levou a um maior conflito entre feministas e transgêneros.

As feministas vêem isso como um plano para fazer com que as “mulheres” não sejam mencionadas. Os médicos britânicos do Serviço Nacional de Saúde não devem mais usar o termo “mãe grávida” porque é “não inclusivo”.

A Identidade Política, juntamente com o estado de polícia americano em ascensão, quase destruíram a Primeira Emenda. Um professor de uma universidades dos Estados Unidos me disse que foi repreendido porque usou a palavra “meninas” na aula e uma mulher ficou ofendida.

O Google demitiu um dos seus engenheiros de software porque ele escreveu um memorando dizendo que homens e mulheres possuem características diferentes que os tornam adequados para diferentes tipos de empregos. Esta afirmação comum fez com que ele fosse demitido por “estereótipo de gênero”.

O comentarista econômico Marc Faber foi removido do conselho da empresa de investimentos Sprott e banido da CNBC e da Fox Business Network por expressar suas opiniões contra a remoção de monumentos e que os americanos brancos foram melhores em construir uma economia do que o Zimbabwe.

A liberdade de expressão não deve ser limitada a palavras que não ofendam a ninguém. O que essa definição de liberdade de expressão faz é eliminar todas as críticas de atividades erradas ou criminosas e todas as dissidências contra a guerra, a brutalidade policial e os programas políticos, sociais e econômicos. Em outras palavras, a correção política silencia uma população. O silenciamento é permitido, independentemente de a declaração “ofensiva” ser verdadeira ou falsa.

Apenas expressando uma verdade, como o engenheiro do Google fez, pode destruir a carreira de uma pessoa. Não há liberdade em tal sistema. Como George Orwell disse: “Se a liberdade significa qualquer coisa, significa o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir”.

As próprias universidades, tradicionalmente dependentes da liberdade de expressão, estão, agora, proibindo a liberdade de expressão. Os oradores controversos susceptíveis a ofender algum “grupo vítima” simplesmente não podem mais falar em universidades. Por exemplo, palestrantes a favor do multiculturalismo são bem-vindos, embora o discurso possa ofender aqueles que acreditam que os EUA são uma sociedade cristã branca, mas um supremacista branco, cujo discurso na Universidade da Flórida não pôde ser bloqueado, fez com que o governador declarasse estado de emergência.

Parece bastante simples que, se uma pessoa não quer ser ofendida por um palestrante, não vá ao discurso. Por outro lado, se uma pessoa quer saber o que a oposição pensa, por que perder a chance? A correção política quer regular o que se pode dizer e controlar as explicações, não proteger o hiper-sensível de palavras prejudiciais.

O que a Política de Identidade e a correção política estão fazendo é demonizar pessoas brancas e homens brancos heterossexuais. Apenas os brancos são racistas. Somente homens heterossexuais – especialmente se forem gentis e brancos, exceto Bill Cosby e Harvey Weinstein – cometem violência sexual. Como David Rosen escreve no CounterPunch, “Violência sexual masculina: tão americana quanto a torta de cereja”.

Rosen define o abuso sexual como “uma forma de terror sexual, um esporte masculino americano” que é “tão antigo quanto o país”. Em outras palavras, todos ou a maioria dos homens americanos praticam o terror sexual nas mulheres.

Chegamos ao ponto em que uma esposa que se irrita com seu marido pode acusá-lo de estupro e tê-lo preso, muito longe dos dias em que marido e mulher eram legalmente considerados como um e nenhum poderia testemunhar contra o outro.

Quando o relacionamento pessoal mais íntimo está sujeito a uma intervenção externa, como o casamento prospera?

Não prospera. De acordo com a American Psychological Association, “cerca de 40 a 50 por cento dos casais se divorciam nos Estados Unidos. A taxa de divórcio para casamentos subseqüentes é ainda maior “.

Se marido e mulher, mãe e pai, não podem ficar juntos, como a sociedade permanece em conjunto?

Como a sociedade permanece junta quando a Identidade Política ensina o ódio e inflama a divisão social?

Como a sociedade se mantém unida quando bandidos alegam se ofender e ofendem aos outros destruindo monumentos históricos que estão associados à memória ou à identidade de outras pessoas?

Como a sociedade permanece unida quando sua história é apagada, suas escolas, ruas e edifícios públicos são renomeados? Como George Orwell disse: “A maneira mais eficaz de destruir pessoas é negar e destruir sua própria compreensão da sua história”.

Os próximos monumentos a serem removidos são os dos Fundadores, os racistas, os que adotaram uma Constituição que permitia a escravidão, uma instituição herdada que não tinham poder para reformar.

Nos Estados Unidos, a história está sendo reescrita e a língua corrompida para promover o ódio contra os “opressores” brancos, especialmente os homens heterossexuais brancos.

Sem nenhuma surpresa, a Rússia responde diplomaticamente à agressão de Washington. Não há necessidade de responder quando um inimigo está se autodestruindo.

About the author: Paul Craig Roberts

Paul Craig Roberts, former Assistant Secretary of the US Treasury and Associate Editor of the Wall Street Journal, has held numerous university appointments. He is a frequent contributor to The Real Agenda News. Dr. Roberts can be reached at http://paulcraigroberts.org

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