|Friday, July 21, 2017
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A Máfia que Governa no Brasil 

Brasil

Recentemente li um post no Facebook de uma pessoa que legitimamente destacou que o Brasil está longe de ser uma democracia. Na verdade, o usuário esclareceu que o país nunca foi uma democracia, pelo menos não nos últimos 40 anos.

Hoje tá complicado desligar da política. Acabei me dando conta do tamanho da ironia em que nós, brasileiros, estamos metidos. A geração da qual eu faço parte nasceu em um ambiente democrático. Que coisa boa. Diretas já, nova constituição… Que sorte a nossa! O Brasil é uma “jovem democracia”. Assim ouvi dizer, assim me contaram. Eu, inocente, acreditei.

O problema não é que os brasileiros são inocentes. Mentiram para eles desde o início, tudo bem, mas isso foi há muitos anos atrás. Hoje, não são mais inocentes, mas mesmo assim permitem a uma cabala de oligarcas, de estrangeiros e nacionais, determinar como devem ser suas vidas. Não é uma monarquia o que hoje governa o Brasil, como o autor do post fala, mas uma Máfia. É o mesmo tipo de máfia que governa sobre cada país ocidental hoje.

O Sr. Dobrinsky diz que a classe de pessoas que domina a política no Brasil é uma espécie de nobreza, mas se esquece de apontar o que é óbvio: Os brasileiros são responsáveis ​​por tudo o que aconteceu no país desde que se tornou uma república democrática. É o povo que elegeu os seus representantes. Como e por que as pessoas elegem representantes que acabam com o Brasil? A resposta é: devido à ignorância.

Há dois outros detalhes horríveis que parecem ficar fora do discurso público dos que se queixam do governo aqui no Brasil. Em primeiro lugar, a maioria das pessoas entende a situação e não faz nada para mudar, e em segundo lugar, as pessoas abraçam o estado atual de desgraça no qual está o país.

O maior grau de corrupção na história do Brasil não é suficiente para acender um foguete no coração do povo brasileiro, e suas ações são limitadas a protestos de rua que têm pouco ou nenhum resultado. Na verdade, esse mesmo grau de corrupção é trazido para suas vidas e adotado sem vergonha nenhuma.

O problema do Brasil não é que as pessoas são ignorantes, mas que as pessoas são deliberadamente ignorantes. Eles aprendem a ser ignorantes desde muito cedo em suas vidas, o qual explica porque a maioria das pessoas ainda apoia o “jeitinho brasileiro”. Este comportamento existe nas mentes dos membros da máfia política, tanto quanto na dos sem-teto e todos os outros. É parte do DNA dos brasileiros.

Há três exemplos claros de quão profundamente a corrupção e a complacência estão enraizadas no modo de vida brasileiro. Luiz Inácio da Silva,  Dilma Rousseff e o atual presidente Michel Temer estão sendo investigados por um tribunal especial devido ao aparente envolvimento em escândalos de corrupção com tentáculos estendendo-se a outros países da América Latina. No entanto, tudo o que Lula, Dilma e Temer mostram em público é arrogância, arrogância e mais arrogância.

Semana passada, o presidente Temer foi oficialmente colocado sob investigação após o descobrimento de gravações de áudio nas quais ele pede subornos para comprar o slêncio do ex líder da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

As acusações foram obtidas através de declarações que incriminam Temer. As mesmas foram realizadas por proprietários de um dos principais grupos empresariais do país.

Temer não só se recusa a renunciar, mas decidiu lançar uma ofensiva. Disse que as provas contra ele são “fraudulentas” e em uma mensagem à nação pediu ao Supremo Tribunal para suspender as investigações por corrupção passiva e organização criminosa.

Qualquer um pensaria que, com o atual estado das coisas, os brasileiros estariam enchendo as ruas, como fizeram contra Rousseff, mas nada nem remotamente perto ocorreu.

Enquanto isso, resistir a todo custo parece ser o slogan do presidente brasileiro, apesar da situação piorar conforme os dias passam. Temer está se tornando um novo Nicolas Maduro.

A divulgação na última sexta-feira das declarações judiciais dos empresários que incriminam Temer, os donos do império de carne JBS, trouxe conseqüências devastadoras.

Os empresários descreveram o pagamento sistemático de doações ilegais, feitas diretamente com Temer negociadas ao longo dos últimos 10 anos, num total de até R$ 4,7 milhões.

As manobras relatadas pelos empresários aconteceram mesmo quando o país estava no meio das investigações do caso Lava Jato.

Eles afirmam que há alguns meses um intermediário de Temer exigiu uma comissão de 5% para ele obter uma decisão favorável pela organização que supervisiona a livre concorrência de mercado por meio da JBS que obteria um lucro de R$200 milhões por ano.

Alguns anos atrás, os empresários disseram, Temer conseguiu, como vice-presidente do país, receber um pagamento mensal de R$100.000 para um aliado seu que tinha acabado de deixar sua posição como funcionário do governo.

Outro relato conta como Temer fez uma doação de mais R$ 15 milhões para os partidos que foram seus aliados na campanha de 2014 e como ele decidiu ficar com um milhão para si mesmo.

Para piorar a situação, o grupo de comunicação O Globo, uma das maiores torcedoras de Temer, tem impiedosamente publicado novos detalhes sobre este novo escândalo e na sexta-feira exigiu sua renúncia.

Embora mantendo a maior parte de seu apoio parlamentar, que inclui o seu próprio exército político, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e o Partido Brasileiro Democrata Social (PSDB), Temer começa a ver como esse apoio debilita-se enquanto novas deserções entre seus aliados continuam aumentando.

No sábado, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) retirou o seu apoio. É cada vez mais difícil que Temer consiga o apoio suficiente para aprovar a reforma que pretende reduzir as pensões.

Pela primeira vez desde o início da nova crise política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco para exigir a renúncia de Temer e pediu eleições antecipadas.

Lula é o mais interessado em eleições imediatas porque lidera todas as pesquisas e poderia ir às urnas antes  que os cinco processos judiciais abertos contra ele por corrupção sejam concluídos.

O ex-presidente não fica livre das confissões dos donos da JBS, que afirmam que eles entregaram R$150 milhões em doações ilegais para o partido de Lula.

No meio dos novos escândalos de corrupção, Temer decidiu abordar a nação novamente no sábado não só para negar todas as acusações, mas para aparecer como o “moralizador” das instituições públicas brasileiras.

Ele advertiu que a abertura da investigação judicial compromete a recuperação econômica do Brasil, após dois anos de recessão, já que coloca o país no que ele mesmo admite ser “uma grave crise política.”

A estratégia de Temer é invalidar uma das principais investigações contra ele, a gravação de uma conversa que foi realizada em 7 de março, com o proprietário da JBS, Joesley Batista.

A partir do conteúdo dessa reunião, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deduziu que o presidente deu o seu consentimento para os pagamentos que Batista teria feito para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ex aliado político de Temer e condenado a 15 anos de prisão por corrupção.

O jornal Folha de São Paulo publicou um estudo técnico que diz que o áudio foi editado e que tem até cinquenta cortes. É dessa publicação que Temer se agarra para  afirmar que a nova “gravação clandestina” foi “adulterada”.

O jornal Folha de São Paulo é parte de um grupo conhecido como Grupo Folha, um conglomerado que também controla a UOL (Universo Online), o portal líder no Brasil.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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