|Tuesday, November 21, 2017
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O Crime Perfeito que está sacudindo o Brasil 

Brasil

SÃO PAULO – Todo o Brasil pareceu chocado no último dia 17 de maio quando os termos do acordo alcançado entre os investigadores e o presidente do gigante da carne JBS, Joesley Batista, foram publicados na mídia.

Em troca de imunidade, o principal comerciante mundial de produtos animais detalhou não só como ele havia subornado mais de 1.800 políticos brasileiros, como também nocauteou o presidente do país, Michel Temer, com uma fita na qual ele parece concordar com as sórdidas manobras de Batista para impedir investigações judiciais contra ele.

O acordo da JBS com o Ministério Público brasileiro soou como um golpe. “Crime perfeito”, descreveu o próprio Temer.

Com alegações graves por trás dele, Joesley e seu irmão Wesley receberam permissão para se refugiar nos Estados Unidos, um dos principais centros de negócios que já cobre 23 países e emprega 230 mil pessoas.

Mas a JBS também começou a pagar um preço elevado à medida que os detalhes do grande escândalo se desenrolavam.

No dia seguinte à primeira divulgação, a Bolsa de Valores de São Paulo teve que suspender sua atividade por meia hora. Naquele dia, as ações da JBS caíram 35%. Desde então, o valor de mercado da empresa se depreciou em mais de 1,3 milhões de euros.

“E é possível que esta seja apenas a ponta do iceberg, temos que esperar para conhecer todas as ramificações da investigação”, explica Pablo Stipanicic Spyer, diretor de operações da consultoria Mirae Asset. “A volatilidade é agora o que define a JBS e é muito difícil fazer uma análise sobre a direção da empresa”.

O alerta veio imediatamente às agências de avaliação de risco. Moody’s, seguido pela Fitch, rebaixou a classificação da empresa de Ba2 para a Ba3 por “riscos aumentados relacionados a possíveis processos judiciais futuros, bem como governança corporativa e liquidez”.

O acordo dos irmãos Batista com o sistema de justiça brasileiro também implica o pagamento de uma grande quantidade de dinheiro. Após dias de negociação, na última quarta-feira, no final do dia, o pacto foi fechado:

A JBS terá que pagar a multa mais alta na história do país. No total, 10,3 bilhões de reais serão desembolsados ​​nos próximos 25 anos. Joesley também, pelo menos nominalmente, deixou o comando da empresa.

Herdeiros da empresa criada por seu pai, que começou a vender carne às empresas que construíram Brasília no final da década de 1950, os irmãos Joesley e Wesley conseguiram fechar 2016 com um faturamento total de quase 47 bilhões de euros.

No estado rural de Goiás, com estilo campesino e sem terem terminado o ensino secundário, os Batista criaram uma participação que vai muito além da carne: inclui empresas de laticínios como Vigor, Eldorado Brasil, Havaianas, Amber e Oklahoma e Floresta Agrícola, além do canal de televisão Canal Rural.

A enorme expansão da JBS não é explicada sem o apoio de uma entidade pública, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os governos socialistas de Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff, promoveram uma política de “campeões nacionais”, empresas que, com o apoio do dinheiro público em condições muito favoráveis, lançaram uma ambiciosa expansão dentro e fora do Brasil.

Em uma década, o volume de negócios da JBS cresceu mais de 4.000%, impulsionado principalmente por novas aquisições, como as das empresas norte-americanas Swift e Pilgrim’s Pride.

Tudo isso foi financiado por crédito: a empresa encerrou 2016 com uma dívida líquida de 46,9 bilhões de reais.

O BNDES apoiou essa expansão ao adquirir dívida do grupo e trocando por ações: agora controla 26,24% das ações do grupo, mas sua participação excedeu 30%.

De acordo com as confissões de Joesley Batista à justiça, a empresa pagou uma comissão ilegal de 4% por cada empréstimo aos membros do então Partido dos Trabalhadores.

O escândalo também forçou a holding a suspender seus planos para listar em Wall Street, uma operação com a qual esperava uma injeção de 1,5 bilhão de euros para continuar sua expansão global.

Analistas de investimentos consultados, que pediram anonimato, explicam que a posição da empresa agora é muito frágil para se expor a esse salto. “Embora a multa seja paga em 25 anos, é um montante assustador”.

“A empresa não encontrará demanda no mercado”, explica um desses analistas. “E também está sendo investigada pela autoridade brasileira de valores mobiliários”.

Esta investigação procura esclarecer uma das ações mais controversas de Batista. Na véspera do jornal O Globo publicar o conteúdo da confissão de Batista, a JBS comprou uma grande quantidade de dólares, até 1 bilhão, de acordo com a mídia brasileira.

No dia seguinte, o valor do real despencou contra a moeda dos EUA. Corretores de ações também descobriram uma atividade pouco frequente da JBS no mercado durante os dias anteriores à revelação da bomba política.

Caso toda essa avalanche de investigações não for suficiente, o grupo terá que lidar com campanhas de boicote promovidas por consumidores e algumas empresas de distribuição.

Mesmo o respeitado Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) está encorajando os brasileiros a pararem de comprar produtos das marcas JBS.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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