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O Duopólio das Mídias Sociais que vende a sua Vida 


Mídias Sociais

Gigantes das mídias sociais fizeram lavagem cerebral em todos nós para vivermos as vidas dos outros.

As redes sociais não existem para nos fazer felizes ou para nos ajudar a conectarmos com os nossos amigos, mas para nos mostrar publicidade e coletar, ilegalmente, nossas informações pessoais e metadados.

Sua maquinaria massiva, cujo papel é mostrar propagandas, foi o que levou a episódios comprometedores, como o escândalo da Cambridge Analytica, que revelou que informações parciais foram enviadas a 87 milhões de americanos sobre a eleição presidencial. Mas isso é apenas um exemplo.

O domínio de algumas plataformas de Internet não é uma coincidência histórica, mas, sim, o produto de duas importantes dinâmicas estruturais: os efeitos de rede e a predominância do modelo de financiamento com anúncios publicitários.

Esses efeitos de rede que promovem o crescimento exponencial das plataformas são baseados no fato que o valor de uma rede aumenta à medida que os usuários se multiplicam.

Toda vez que um novo amigo abre uma conta no Facebook, um valor de rede social se multiplica; Se todos os seus contatos estiverem no WhatsApp, o aplicativo coleta todos os dados deles juntamente com os seus.

Desta forma, a Internet não se tornou o lugar diversificado e descentralizado prometido pelos gurus da tecnologia, mas experimentou um processo de concentração que, para muitos usuários da Internet, é basicamente  Facebook e Google. Portanto, desconectar-se dessas plataformas é complicado.

A realidade do duopólio já era clara para os criadores do Google em 1998. A idéia de que o modelo de negócio focado em publicidade poderia ser problemático foi refletida por eles em um documento que entregaram em uma conferência na Austrália naquele ano.

Eles se esforçaram em explicar porque a propaganda inevitavelmente corromperia a tecnologia de busca. Eles ofereceram argumentos éticos e práticos:

“Acreditamos que o problema da publicidade causa incentivos cruzados, por isso é crucial ter um mecanismo de busca competitivo e transparente.”

O dia em que os Titãs da internet decidiram se tornar empresas de publicidade que vendem a atenção de seus usuários marcou um antes e um depois.

As grandes plataformas lutam por essa atenção e acabam recompensando os extremos. Só o Twitter é responsável por idiotizar o mundo inteiro reduzindo nossa capacidade de atenção.

As redes sociais nos têm onde nos querem; lá, assistindo. Esse truque psicológico para roubar minutos se deve ao modelo de negócios dessas plataformas, baseado na economia de atenção.

As mídias sociais não existem para nos fazer felizes ou para nos ajudar a conectarmos com nossos amigos, mas para nos mostrar publicidade.

O Google e o Facebook formaram um duopólio na indústria de publicidade online: em 2017, eles acumularam 73 bilhões e 40 bilhões de dólares, respectivamente, segundo o The Wall Street Journal. Eles controlam mais da metade do mercado global.

Seu modus operandi básico é “atrair a atenção com coisas, aparentemente, grátis e, depois, revendê-las” àqueles períodos de atenção.

O que deveria ser relevante para seus desejos e interesses acaba por ser uma exploração estudada de suas fraquezas: a necessidade de ter a atenção dos outros.

O problema central é que toda a indústria é construída para atrair a atenção dos usuários, além de seus dados pessoais, para vender publicidade.

As plataformas criam perfis comerciais muito detalhados dos usuários e os entregam para terceiros, que podem, assim, lançar campanhas de todos os tipos. Entre outros, aqueles de manipulação política.

Os proprietários de mídias sociais sabem que a quantidade de informações que compartilhamos on-line dobra a cada ano, em benefício de suas plataformas.

À medida que cada rede cresceu, produziu mais dados e essas informações tornamra as empresas mais “inteligentes”, mais valiosas e mais lucrativas, o que contribuiu para um melhor serviço.

Foi um ciclo poderoso e auto-reforçador que transformou uma vantagem em uma dominação.

No entanto, gigantes da mídia social caíram em uma armadilha que eles mesmos construíram.

É a armadilha do crescimento: eles precisam crescer e crescer para manter seu valor e o interesse de seus acionistas, o que precipita decisões contraproducentes e abusos por parte de seus proprietários e operadores.

Eles se movem rapidamente, crescem rapidamente e caem rapidamente.

Os desenvolvedores não estão cientes do preço que as pessoas pagam por suas decisões e o comportamento atual dos gigantes das mídias sociais é, apenas, sintomas do pecado original que eles cometeram: concentrar sua operação exclusivamente na publicidade.

No início, os donos de mídias sociais argumentavam, enfaticamente, que o que diferenciava suas plataformas do que já existia era sua recusa em usar publicidade.

É a razão pela qual Google alegou que seus resultados permaneceriam mais honestos do que os de Yahoo e o que, de acordo com Facebook, permitiria que sua plataforma se tornasse uma verdadeira rede social.

Portanto, o pecado original era a escolha de vender usuários para corporações em vez de informações ou conexões com usuários.

Hoje, os usuários são o produto e o principal recurso das mídias sociais. A criação e uso de algoritmos, o controle da mente e as violações da privacidade são, apenas, as consequências naturais de ter um duopólio que vende a sua vida.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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