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Cientistas europeus alertam sobre a disseminação de Vírus Transgênicos 


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Quatro equipes de cientistas norte-americanos estão investigando o uso de vírus geneticamente modificados para alterar o DNA de cultivos.

A principal ferramenta para propagar os vírus são várias espécies de insetos que também são geneticamente modificadas.

O objetivo oficial, de acordo com o programa financiado pelos militares dos EUA, é proteger os cultivos em situações de seca, geada ou um ataque externo.

Este plano não faz muito sentido e alguns pesquisadores agora alertam que insetos com vírus mutantes podem se tornar uma arma biológica descontrolada.

A DARPA, Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa do Departamento de Defesa, relatou sua ideia de transformar insetos nocivos em aliados em 2016, embora os quatro projetos selecionados para o programa Insetos Aliados não tenham sido anunciados até o final do ano passado.

O que o projeto envolve?

Tudo nesses insetos e vírus transgênicos é ciência e tecnologia extremas, dentro dos limites da ficção científica.

As quatro investigações ocorrem paralelamente e todas elas têm os mesmos três elementos: um vírus ou bactéria, um inseto e uma planta alvo.

No grupo liderado por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, por exemplo, eles querem usar um vírus do gênero Begomovirus, que atacam plantações como o tomate, para proteger as plantas das intempéries.

A intenção é, após neutralizar sua carga viral, adicionar um certo gene vegetal que expresse uma característica protetora, como uma resistência maior ao frio.

Para espalhar o vírus, eles planejam usar uma das piores pragas do tomate: a mosca branca.

“Agora, um agricultor não pode fazer muito para salvar sua safra se as previsões meteorológicas previrem uma seca severa para o próximo mês”, disse o líder do projeto da Pensilvânia, Wayne Curtis, um dos cientistas selecionados pela DARPA.

“Embora possamos desenvolver uma variedade de plantas que suportarão um tipo de estresse, a natureza de novas doenças e pragas ameaça superar as melhorias proporcionadas pelo melhoramento genético tradicional e modificações genéticas”, explicam os organizadores do programa.

Os experimentos, então, buscam desenvolver uma tecnologia que forneça uma resposta rápida que permita a distribuição de genes que protejam as plantas quando elas precisarem.

Essa reação rápida é uma das grandes novidades do programa Insetos Aliados. Até agora, variedades de plantas com uma certa melhoria precisam de anos para se desenvolver e, uma vez que o desenvolvimento seja alcançado, ele precisa ser adicionado às sementes para a estação seguinte.

Com os novos experimentos, eles pretendem inserir o vírus e genes em plantas adultas. Seria uma transferência horizontal, não vertical, dizem os cientistas envolvidos no projeto.

Outra inovação é o uso da técnica de edição de genes CRISPR para modificar o gene vegetal alvo com a ajuda do vírus.

Em relação à manipulação de insetos, embora não tenha havido detalhes de como isso é feito, já existem experimentos que alcançaram alguns resultados positivos em um processo de evolução forçada chamado genética dirigida.

Insetos Aliados tem pouco a ver com a genética direcionada, porque propõe o uso de insetos para transmitir mutações aos cultivos, e não membros de sua própria espécie”, diz Derek Caetano-Anollés, biólogo do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva.

Anollés diz que qualquer um que esteja preocupado com genética direcionada deve estar muito mais preocupado com os o programa Insetos Aliados.

Junto com outros biólogos europeus, Anollés publicou um documento no Journal Science no qual ele adverte sobre os riscos envolvidos no programa da DARPA.

O artigo é parte de uma iniciativa maior que busca desmantelar o programa Insetos Aliados antes que possa ter sucesso.

Os autores reconhecem que este tipo de tecnologia pode ter muitos usos positivos, mas também um uso duplo: guerra biológica.

O que preocupa os cientistas é que a tecnologia pode ser facilmente convertida em uma arma e isso pode ser feito de uma maneira extremamente secreta.

Por exemplo, os insetos podem ser projetados para infectar as plantações de um inimigo, matando as plantas ou esterilizando suas sementes e ninguém descobriria o que aconteceu até a próxima colheita.

A principal crítica dirigida ao projeto da DARPA é a fixação das forças armadas, na qual os insetos são usados ​​precisamente para espalhar os vírus.

Para os autores do artigo, existem tecnologias de dispersão mecânica que são ainda mais eficazes e mais controláveis ​​do que a liberação de milhares ou milhões de insetos com um vírus transgénico. É daí que vem a suspeita.

Mas a principal queixa é que o programa pode ser a desculpa para outros países desenvolverem seus próprios programas baseados em projetos similares.

Na pior das hipóteses, isso já pode estar acontecendo e os EUA podem já pode ter aberto a caixa de Pandora que mudará a guerra biológica para sempre, não importa se o programa da DARPA acaba funcionando ou não.

Na agência americana, eles reconhecem o risco de um possível duplo uso da tecnologia, algo que, eles consideram, sempre acompanha uma novidade como essa.

Mesmo assim, o diretor do Insetos Aliados, o entomologista Blake Bextine, defende seu programa do restante das críticas lembrando com qual objetivo foi criado:

“A DARPA criou Insetos Aliados para oferecer novos recursos para proteger os EUA, em particular, para responder rapidamente às ameaças ao fornecimento de alimentos”, diz ele.

Infelizmente, a DARPA não possui credibilidade quanto aos objetivos reais de seus programas. De fato, seu registro mostra que sempre caminha em uma linha muito tênue entre avanços tecnológicos significativos que podem favorecer a humanidade e outros que se tornaram em desastres.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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