|Tuesday, July 23, 2019
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De onde vem o ódio? 


O que é preciso para uma pessoa odiar outra pessoa ou um grupo de pessoas?

O ódio pelos outros sempre tem algo a ver com o ódio a si mesmo. Se quisermos entender por que as pessoas torturam e humilham outras pessoas, precisamos, primeiro, analisar o que detestamos em nós mesmos.

Pois o inimigo que acreditamos ver em outras pessoas tem, quase sempre, tudo a ver com o nosso próprio interior.

Queremos silenciar essa parte de nós mesmos aniquilando aquela outra pessoa que nos lembra de nós mesmos.

Só assim podemos afastar aquilo que em nós se tornou estranho. Só então podemos nos ver como pessoas dignas.

Este processo interno descrito acima é onipresente e nos afeta de uma forma ou de outra. Vamos ilustrar isso.

Embora quando crianças, às vezes, ficamos expostos a experiências dolorosas, como adultos, geralmente, nos comportamos como alguém que nos magoou.

As pequenas diferenças entre as pessoas são, quando há outras semelhanças, a origem dos sentimentos de hostilidade entre eles.

Por que homens e mulheres sempre destacam suas diferenças, mesmo que seu material genético seja idêntico, com a exceção de um ou dois cromossomos?

Por que as feministas querem diferenciar os gêneros e basear as políticas e ações sociais nas diferenças de gênero? É porque se odeiam?

Sua necessidade de marcar limites entre si parece ser tão grande que negam coincidências inegáveis, como capacidade intelectual, e os apresentam de outra maneira, mesmo que o oposto tenha sido cientificamente demonstrado por um longo tempo.

A questão que está por trás de tudo isso é a seguinte: por que percebemos pequenas diferenças como uma ameaça? Como chegamos ao paradoxo de que vemos outro ser como alguém estranho quando ele é semelhante a nós?

Quanto mais próximas as relações entre grupos humanos, mais previsivelmente hostis esses grupos são um ao outro. São os pontos em comum que fazem as pessoas lutarem umas com as outras, não as diferenças, mas poucas pessoas conseguem entender essa premissa.

Seja o genocídio, a tortura ou a humilhação diária que as crianças sofrem de seus pais, todos esses exemplos de violência e ódio têm algo em comum: o sentimento de repulsa pelo outro, o “estranho” ou o “alien”.

Aqueles que perpetuam  o ódio são considerados “pessoas”, enquanto os outros não merecem essa qualificação. Lembre-se dos “deploráveis”. Este é o termo usado por Hillary Clinton para definir 63 milhões de pessoas que votaram em Donald Trump em 2016. O outro é degradado enquanto os agressores se sentem elevados ao nível dos super-humanos. É como se, através desse processo, alguém se purificasse.

Ao menosprezar e atormentar outras pessoas, a pessoa fica livre da suspeita de não ser imaculada. O fato de ser puro ou não torna-se uma característica que diferencia pessoas; quem são pessoas e quem não são.

Assim, a percepção muda para o abstrato. O outro não é mais considerado em sua condição humana individual. Agora, é apenas um componente de um grupo.

Seus comportamentos, atitudes e sentimentos específicos desaparecem do campo visual e, em vez disso, sua personalidade é reduzida a um único atributo: pertencer ao grupo. Essa abstração torna impossível ver o outro com empatia.

O inimigo que vemos nos outros, geralmente, é encontrado dentro de nós e é de onde se origina a violência humana.

Você não odeia os outros, você odeia a si mesmo.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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