|Wednesday, June 19, 2019
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Derrame, câncer e suicídio derrubam a expectativa de vida dos homens 


United Nations

Quando ouvimos falar sobre igualdade de gênero, quase nunca se fala sobre os riscos que os homens enfrentam apenas pelo fato de serem homens. Esses riscos são reais, não apenas uma ilusão inventada como algumas pessoas estão inclinadas a pensar.

Na verdade, os homens vivem menos anos do que as mulheres. Essa é a realidade. A questão é: por quê?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, há uma combinação de razões biológicas e sociais que explicam porque as mulheres vivem 5 anos a mais do que os homens.

Derrame, câncer de pulmão, acidentes de trânsito, suicídios, cirrose, tuberculose e HIV, homicídios … A lista é longa.

Das 40 principais causas de morte no mundo, 33 reduzem mais a vida de homens do que de mulheres. O resultado é que uma menina nascida hoje viverá 74,2 anos em média, 4,4 anos a mais do que um menino.

Você pode apostar que as pessoas que pedem a igualdade de gênero nunca concordarão com esse tipo de igualdade.

Esses são dados que a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de publicar em seu Resumo das Estatísticas Mundiais de Saúde 2019, que analisa as diferenças sociodemográficas e de gênero na expectativa de vida.

As conclusões não são novidade: nos países pobres, a expectativa de vida é menor -18,1 anos a menos que nas nações mais ricas – e as mulheres vivem mais tempo.

Mas, por trás desses resultados, há detalhes que nos ajudam a entender os números e desenvolver iniciativas para melhorá-los.

“O desdobramento dos dados é vital para entender quem está ficando para trás e porquê”, diz o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom. Ghebreyesus.

As razões pelas quais os países de baixa renda têm menor expectativa de vida são previsíveis: piores sistemas de saúde, má nutrição, doenças infecciosas, complicações no parto, problemas com água e saneamento.

Mas, porque as mulheres vivem mais que os homens? As razões são variadas e as causas são naturais e sociais:

“Biologicamente, as mulheres têm um sistema imunológico mais forte, o que significa que, especialmente em países de baixa renda, meninos de até cinco anos  falecem mais que meninas”, disse Richard Cibulskis, autor do relatório.

Isso explica, do ponto de vista evolutivo, porque mais homens nascem: dos 141 milhões de bebês que virão ao mundo este ano, 73 milhões serão meninos e 68 milhões serão meninas.

Uma diferença de 105 ou 110 meninos por cada 100 meninas é esperada para contrabalançar as causas naturais. Mas, como foi explicado pelo especialista da OMS, há países em que essa proporção pode aumentar para 120 por cada 100, o que, provavelmente, é explicado pelo aborto seletivo de meninas em culturas onde elas são menos valorizadas.

Embora nos primeiros anos de vida há uma pequena vantagem de sobrevivência em meninas, as diferenças aumentam depois da puberdade.

“Certos hormônios tornam os homens mais propensos a ataques cardíacos, por exemplo. Além disso, existem estudos que mostram que a testosterona pode facilitar o desenvolvimento da tuberculose.

Mas, há fatores sociais que também influenciam a mortalidade masculina, tais como fumar e beber, homens apresentam profissões onde estão mais expostos a substâncias tóxicas, têm mais acidentes de trânsito – duas vezes a mortalidade masculina -, mortes violentas – quatro vezes mais do que mulheres- e suicídios -75% a mais do que mulheres- “, acrescenta Cibulskis.

As diferenças na expectativa de vida são menores nos países pobres, onde há menos acesso a serviços de saúde.

A razão dessa diferença são os nascimentos, onde uma em cada 41 mulheres morre. Nos países ricos, essa estatística é reduzida a uma em cada 3.300 mulleres. As mortes por nascimento são, após o câncer de mama, a causa que mais contribui para encurtar a expectativa de vida feminina.

O relatório também mostra que as mulheres cuidam melhor de si mesmas. Tanto nos países pobres como nos ricos, homens procuram menos ajuda profissional quando apresentam a mesma doença.

Onde há epidemias de HIV, por exemplo, homens são menos propensos do que mulheres a realizarem o teste, tentarem o acesso à terapia antirretroviral e maior probabilidade de morrer de doenças relacionadas à AIDS do que as mulheres.

Algo muito semelhante acontece com a tuberculose. “Este não é apenas um problema individual para aqueles que não são tratados, mas, ajuda a espalhar tais pandemias, por isso é algo que devemos resolver”, diz Cibulskis.

A OMS lançou o relatório para marcar o Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril e que este ano se concentra na atenção primária como base da cobertura universal de saúde.

“Essas estatísticas ressaltam a necessidade de priorizar, urgentemente, cuidados de saúde primários para gerenciar efetivamente doenças não transmissíveis e reduzir fatores de risco”, disse Samira Asma, diretor de dados da OMS.

“Por exemplo, algo tão simples quanto controlar a pressão sanguínea não está acontecendo na escala necessária. E o consumo de tabaco continua sendo uma das principais causas de morte prematura”, acrescentou Samira.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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