|Tuesday, December 18, 2018
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Esta é a epidemia mais perigosa da América Latina 


obesidade

A realidade nos diz que quanto mais pobre você é, mais provável é que esteja desnutrido.

As pessoas são mais propensas a comprar refrigerantes do que beber água. Eles gostam mais de comer produtos baratos com muito açúcar, sal e gordura do que consumir frutas e verduras.

A razão por trás de tais escolhas é pobreza, embora ser pobre seja uma experiência diferente hoje do que há 30 anos.

Enquanto no passado as pessoas pobres tinham dificuldade para comprar comida, hoje, eles elas têm dificuldade para comprar comida de verdade.

Junk food é abundante e é mais barata do que a água e frutas.

O desejo corporativo de vender junk food acima de tudo e a inação dos governos quando se trata de promulgar políticas que protegem o acesso das pessoas à comida de verdade são duas razões para esta realidade.

A obesidade tornou-se a maior ameaça nutricional na América Latina e no Caribe, onde 644 milhões de pessoas se afundam no buraco profundo da obesidade.

A realidade é que um de cada quatro adultos é obeso no continente.

A obesidade afeta 3,9 milhões de crianças menores de cinco anos, número que supera a média mundial de 5,6%, segundo o relatório Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe, de 2018.

O documento foi apresentado na última quarta-feira e preparado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), UNICEF, o Programa Alimentar Mundial e a Organização Pan-Americana da Saúde.

As pessoas mais vulneráveis ​​são pessoas de baixa renda, mulheres, indígenas, negros e famílias rurais em geral.

A obesidade está crescendo incontrolavelmente: a cada ano há 3,6 milhões de pessoas mais obesas na América Latina e no Caribe. Umas 250 milhões de pessoas vivem com sobrepeso, o qual é 60% da população da área.

A situação é assustadora, diz o representante regional na América Latina e Caribe da FAO, Julio Berdegué.

Se a tendência continuar, até 2030, a proporção da população na região com obesidade aumentaria para 30% da população adulta.

Esse número contrasta com o índice de insegurança alimentar, que afeta 8,4% das mulheres e 6,9% dos homens.

O texto também destaca que a fome aumenta pelo terceiro ano consecutivo e atinge 39,3 milhões de pessoas, 6,1% da população, em uma área do mundo que possui quantidade suficientes alimentos para atender aos requisitos mínimos de calorias.

É claro, então, que o problema não é a disponibilidade de alimentos ou a falta de produção, como muitas pessoas temem.

O relatório aponta que uma das principais causas do aumento da desnutrição na população vulnerável são as mudanças nos sistemas alimentares da região, o ciclo de alimentos da produção ao consumo.

As pessoas passaram de consumir comida de verdade para se tornar clientes de supermercados.

Entre outras questões, como a crescente urbanização, indica a facilidade de operação das empresas estrangeiras e seu compromisso com os produtos processados.

Os autores explicam da seguinte maneira:

A produção é a base da cadeia de suprimentos de alimentos e seu crescimento na América Latina e no Caribe tem sido principalmente orientado para produtos de exportação. Isto foi acompanhado por políticas de liberalização, privatização e investimento do setor privado”.

Essa afirmação está ligada a outra que indica que as redes de fast food, fabricação e varejo de alimentos transnacionais baseiam seus serviços no fornecimento de produtos com alto grau de processamento.

Acrescenta-se ainda que a desregulamentação dos mercados favorece às grandes indústrias alimentícias e aumenta a produção, a venda e o consumo de produtos altamente processados.

As soluções então convenceriam a indústria a desenvolver produtos mais saudáveis ​​e influenciar as políticas públicas. Isto é uma coisa que eles nunca farão voluntariamente, já que seu negócio principal depende da venda de produtos baratos e insalubres.

Conhecemos as medidas que devem ser adotadas, o que precisamos é de uma decisão política de colocar impostos, programas de treinamento e alimentação escolar, rotulagem e proteção social.

A responsabilidade central é dos governos, mas as empresas também têm uma responsabilidade muito importante.

“Não podem lavar as mãos. Eles têm que assumir isso como a indústria do tabaco”, diz Berdegué, que também insta os consumidores e as associações a colocarem essa questão na agenda e demandarem soluções.

É importante que as políticas incluam ações da produção ao consumo, passando pelos sistemas de processamento, marketing, comércio internacional de alimentos e todos os aspectos que influenciam o ambiente do consumidor.

No relatório, parte dessas sugestões, algumas já implementadas em diferentes países, passam pela adoção de regulamentos para tornar compreensível a composição dos alimentos ou para incluir impostos sobre produtos ricos em açúcar, sal e gorduras.

Estes dois são os que estão gerando mais obesidade na região. Também é importante regular a publicidade enganosa e apoiar os produtores de frutas, legumes e peixe.

“Podemos erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e a agricultura sustentável”, diz a FAO.

Sabemos como fazer, como trabalhar nos primeiros mil dias de vida de uma criança, na prevenção da comercialização de alimentos não saudáveis, com os sistemas de rotulagem, com a inclusão da nutrição no currículo educacional.

“Nós sabemos como mudar para dietas mais saudáveis. É uma decisão ética. A principal causa da desnutrição é a pobreza e a desigualdade”, disse María Cristina Perceval, diretora do UNICEF para a América Latina e o Caribe, que presta atenção especial às crianças, mulheres grávidas e bebês.

Os sistemas alimentares devem ser urgentemente alterados para promover alimentos frescos, variados e seguros em quantidades suficientes para uma vida saudável.

Esta é a única maneira de melhorar a proteção contra a desnutrição, que inclui diabetes, doenças cardiovasculares, ataques cardíacos e cânceres.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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