|Wednesday, June 19, 2019
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Pessoas solitárias vivem vidas mais curtas e menos saudáveis 


Existem dois tipos de solidão: social e emocional. A solidão social se distingue pela falta de satisfação no número de relações sociais e a solidão emocional é a insatisfação com a qualidade das relações humanas.

Tudo aponta para o fato de que a solidão emocional é um estágio para uma pior saúde psicológica.

Dependendo do contexto em que vivemos, podemos desejar que a solidão nos dê o prazer de nos desconectarmos do estresse diário. Não há nada de errado com isso. Mas, devemos nos manter alerta quando a solidão se tornar em um problema que pode reduzir a saúde das pessoas.

Os cientistas mergulharam nas profundezas desse sentimento e descobriram algo surpreendente: quando a solidão é classificada em subtipos, o número de pessoas que admitem sofrer dela duplica.

Estamos rodeados de solitários. Você só tem que olhar ao seu redor para perceber aqueles que, diariamente, comem sem companhia; aos turistas que vão de férias em completa solidão ou aqueles que anseiam pela fila do supermercado para iniciar uma conversa.

Às vezes, o solitário é a você mesmo, quando um estado emocional transborda relacionado à nostalgia, à melancolia, à saudade, ao desamparo, ao abandono, ao sentimento de fracasso e à tristeza de uma maneira mais genérica.

Mas, a solidão nem sempre tem essas cores sombrias, não sendo ruim em si mesma. Almoçar sem companhia ou refletir sozinho em um país estrangeiro não precisa ser uma situação negativa.

Solitários vivem menos

Um sentimento nocivo, mas também desejado em certos momentos, procurado ou evitado, a solidão se manifesta de maneiras diferentes e é, até mesmo, uma necessidade para algumas mentes. Mas como sentimos isso?

Muitas pessoas apontam para a solidão como um dos seus cinco principais medos, mas, sendo um sentimento subjetivo, os solitários têm maneiras diferentes de viver isso. Essas diferenças determinam a maneira como é percebida de fora.

Nosso contexto, nossa história de vida, nossas experiências traumáticas, que avaliações fazemos dessa solidão, como se desenvolveu, que tipo de relações temos, como respondemos a essas variáveis; tudo isso determina como vivemos e são indicadores que facilitam, ou não, manifestações clínicas, como depressão e transtorno de ansiedade generalizada.

Em qualquer caso, o estudo dos solitários sociais e emocionais revela que a solidão é um problema de saúde pública. Casas ocupadas por uma única pessoa são o tipo de lar que mais cresce no mundo.

A tendência demográfica mostra uma taxa de natalidade descendente.

Os casamentos continuam a diminuir e o uso da tecnologia está, quase inexoravelmente, afetando nossa capacidade de formar “tribos” e apoiar as comunidades. Ao olhar para os dados dos estudos é inegável que a solidão é um fator de risco para a saúde mental, diz o psicoterapeuta Marc Ruiz.

Esta não é uma nova conclusão para os cientistas. Um estudo de 2016, publicado no American Journal of Public Health, mediu o impacto do isolamento social, solidão e mortalidade para conhecer as consequências de ser um solitário.

Pesquisadores analisaram uma amostra de quase 9.000 adultos finlandeses ao longo de 17 anos e concluíram que eles tinham fortes evidências para afirmar que o isolamento do ambiente estava relacionado à mortalidade.

Os resultados implicam que o risco de mortalidade existe ao longo de um período contínuo, o que afeta não apenas aqueles que experimentam um isolamento social extremo, mas, também, aqueles que sofrem de um isolamento leve a moderado. E há mais e mais pessoas morando sozinhas.

Em uma meta-análise realizada em 2015, os cientistas observaram que o isolamento social está associado a um aumento do risco de mortalidade precoce, independentemente do sexo e da região do mundo estudada.

Um experimento realizado pela BBC revelou um fato chocante: as pessoas que se sentem sozinhas têm menos de 65 anos de idade.

De acordo com os dados coletados pela BBC, de 55.000 pessoas, “40% dos jovens com idades entre 16 e 24 anos disseram que, muitas vezes, se sentiam solitários, em comparação com 27% daqueles com mais de 75 anos”.

Em um artigo publicado na Harvard Business Review, o cirurgião americano Vivek Murthy escreveu que “a solidão e as conexões sociais fracas estão associadas a uma redução na vida semelhante à causada pelo consumo de 15 cigarros por dia e mais do que a associada à obesidade. ”

O que fazer com a solidão?

Segundo os especialistas, a solidão é, talvez, um dos principais desafios do nosso tempo. Eles apontam para a maneira como interagimos no século XXI como o gatilho dessa solidão. O aumento do individualismo, o medo dos outros e os destaques das diferenças são algumas das razões por trás da solidão.

Os especialistas propõem, como uma das várias soluções possíveis, promover uma intervenção mais social para gerar redes de apoio, já que este é, talvez, o fator que melhor explica a famosa resiliência ou resistência à adversidade ou superação de dificuldades.

Nesse sentido, já existem grupos em alguns países que trabalham nessa direção.

Por outro lado, fica claro que não existem soluções mágicas, pois estas dependem muito da particularidade de cada caso, justamente por causa da quantidade de variáveis que podem interferir na sensação de solidão.

Estamos falando de um menino de 18 anos que sofre com bullying e todos os seus colegas se afastaram dele ou estamos falando de uma viúva de 80 anos que só compartilhou sua vida com um marido que ela amava profundamente?

Com esses dois exemplos, fica claro como podem ser radicalmente diferentes os casos em que uma pessoa pode sofrer de solidão.

Essas diferenças são decisivas quando se trata de enfrentar um caso. A idade é um fator determinante, mas não o único ou o mais relevante. Dito isto, uma recomendação geral seria cuidar da qualidade das relações.

Em vez de acumular amizades vazias nas redes sociais, vamos cuidar das
pessoas ao nosso redor.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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