A ciência é muito útil quando os cientistas usam suas regras para fabricar produtos que tornam nossa vida mais fácil. Mas a ciência, às vezes, pode ser  culpada quando  é mal utilizada para esconder os perigos que alguns produtos químicos representam para a saúde humana. No primeiro artigo desta série, demonstrei como é facil achar químicos nos alimentos e como cada vez que os seres humanos, animais e o meio ambiente são expostos a eles doenças não são apenas criadas, mas também alimentadas continuamente.

No segundo artigo da série Realidade Química expus o que é talvez o químico mais perigoso comumente encontrado na indústria de alimentos. Bisfenol A, juntamente com outros produtos químicos sintéticos, são intencionalmente usados em produtos industrializados por empresas que parecem estar preocupadas apenas em fornecer esses produtos ao mercado de alimentos sem levar em consideração que os químicos utilizados na produção desses produtos industrializados estão destruindo o meio ambiente e, consequentemente, a nossa saúde.

Um desses produtos químicos que circulam em nossa alimentação são as dioxinas, que é o segundo produto químico na nossa lista dos ingredientes mais perigosos. As dioxinas são substâncias produzidas a partir da queima de cloro e bromo. Assim como BPA faz, as dioxinas perturbam o delicado equilíbrio hormonal nos organismos masculinos e femininos.

Mesmo quando expostos a níveis muito baixos de dioxinas, este químico coloca em risco a vida dos fetos, a qualidade do esperma e os corpos de mulheres grávidas. A investigação descobriu que as dioxinas bio-acumulam-se em organismos, incluindo os seres humanos, plantas e animais, elevando seus níveis até o ponto em que se tornam agentes cancerígenos. As dioxinas são suficientemente poderosas para perturbar o sistema imunológico e reprodutivo.

Tal como no caso de BPA, dioxinas interagem com uma proteína intracelular específica que, por sua vez, faz com que aconteçam interrupções em outras proteínas reguladoras nos organismos. O receptor aryl hidrocarboneto (HA) é o mais afetado pela toxicidade das dioxinas porque está envolvido na expressão de vários genes. Uma vez que muitos subprodutos industriais são identificados como dioxinas, não se sabe quais desses compostos químicos causam a maioria dos danos aos organismos expostos a eles, mas é claro que eles são responsáveis ??por imunotoxicidade, problemas endócrinos, promoção de tumores e respostas tóxicas.

Os danos causados ??aos seres humanos

Dois dos principais efeitos negativos que as dioxinas têm sobre os seres humanos são problemas reprodutivos e de desenvolvimento. Além disso, as dioxinas são, também, responsáveis ??por danos ao sistema imunológico, interrupção hormonal e câncer. Enquanto em fetos uma forte exposição às dioxinas pode ser mortal, em adultos as conseqüências mais comuns são lesões no fígado, alterações no metabolismo, rupturas nos níveis séricos de lipídios, nas funções da tireóide, diabetes e efeitos imunológicos.

Talvez o efeito causado pelas dioxinas que é mais estudado é a sua capacidade de causar câncer. Mesmo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) rotulou as dioxinas como “um provável cancerígeno em humanos”. A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer classifica as dioxinas como cancerígenas do tipo 1 por causa de sua capacidade de acelerar a formação de tumores e afetar os mecanismos para inibir o crescimento do tumor.

É importante destacar que na maior parte do mundo ocidental, tanto o bromo quanto o cloro, cuja industrialização libera dioxinas para o ambiente, estão contidos na água engarrafada que as pessoas compram em supermercados. Algumas das empresas químicas mais poderosas, tais como a Dow Chemical estão fortemente envolvidas no processamento de cloro. Este químico é utilizado principalmente para fabricar plásticos, solventes químicos, pesticidas e outros produtos que também são utilizados em diversos processos industriais como, por exemplo, na produção de supostos alimentos.

Porque as dioxinas são um subproduto liberado a partir do processamento de outros produtos químicos, são facilmente encontradas em plantas e animais dos quais os seres humanos dependem para a sua nutrição. É por isso que a maior parte da exposição humana a dioxinas vem da ingestão de produtos animais como carne e produtos lácteos, bem como peixe, frutas e legumes. Mesmo quando alguns governos conseguiram diminuir as emissões de dioxinas, a bioacumulação deste composto químico tóxico é susceptível a aumentar em seres humanos entre 20 e 60 anos de idade.

Entre alguns dos exemplos mais perigosos de dioxinas estão os compostos PCB e PCDD / F, que se espalham no ambiente durante a incineração de resíduos, o vazamento durante o transporte, a circulação do ar e nos solos de aterros sanitários, que por sua vez contaminam depósitos subterrâneos de água. Apesar dos avanços significativos no sequestro de dioxinas, este produto químico ainda continua a se bioacumular no meio ambiente e em nossos corpos.

Nem os seres humanos nem animais, nem mesmo os micróbios são capazes de se livrar de dioxinas em seus organismos rapidamente. Na verdade, as dioxinas são um dos compostos tóxicos mais persistentes no meio ambiente. Como se a sua persistência e capacidade de bioacumulação não bastasse, as dioxinas também possuem a capacidade de biomagnificar seus efeitos. Em outras palavras, a concentração de dioxinas pode exceder a sua persistência em seres humanos, animais e meio ambiente.

A capacidade de persistência, bioacumulação e biomagnifição das dioxinas afetam toda a cadeia alimentar, desde os micróbios ate o plâncton que depois é utilizado como alimento por insetos, animais, bem como outras formas de flora e fauna que, eventualmente, tornam-se alimento para os humanos. Cada vez que as dioxinas chegam a outro nível da cadeia alimentar, sua toxicidade é multiplicada, fato que faz com que os seres humanos sejam o receptor mais ameaçado pelas dioxinas porque estão no topo da cadeia alimentar.

Um estudo recente realizado pelo Professor Niels Skakkebaek, do Hospital da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, prova que desreguladores endócrinos como as dioxinas têm um efeito ainda mais perigoso para a saúde humana do que se pensava. “Pela primeira vez, mostramos uma ligação direta entre a exposição aos desreguladores endócrinos de produtos industriais e os efeitos adversos sobre a função do esperma humano”, diz Skakkebaek. O estudo também descobriu que o acúmulo de vários tipos de disruptores endócrinos causam o que é chamado de “efeito coquetel”, ou seja, os danos causados ??por substâncias químicas indesejáveis ??em nossos corpos são exponencialmente maiores do que quando agem sozinhas.

Este estudo dinamarquês também determinou que as concentrações necessárias para produtos químicos impactarem negativamente a saúde do esperma e o equilíbrio hormonal, por exemplo, são muito baixos, semelhantes aos valores encontrados dentro do corpo humano. Conforme o estudo do professor Skakkebaek, a maioria dos químicos que ameaçam a saúde humana são ingeridos ou adquiridos através da utilização de produtos de uso diário, tais como sabonete, pasta de dentes, recipientes de plástico e brinquedos.

“Em minha opinião, os nossos resultados são claramente preocupantes porque alguns desreguladores endócrinos são possivelmente mais perigosos do que se pensava anteriormente. No entanto, veremos em estudos clínicos futuros se os nossos resultados podem explicar a diminuição na fertilidade nas sociedades modernas.” o professor Skakkebaek disse ao The Independent. Segundo ele, pelo menos uma em cada três substâncias consideradas como “não tóxicas” tem, na verdade, o poder de afetar significativamente a potência de células de esperma, o que poderia explicar os altos níveis de infertilidade em seres humanos.

De acordo com o Centro Europeu de Estudos e Pesquisa Avançados em Bonn, na Alemanha, cerca de 30 de cada 100 químicos usados ??em produtos domésticos que são considerados seguros, diretamente perturbam a proteína “CatSper”, que é a substância responsável por gerenciar a mobilidade, agilidade e capacidade de fertilizar o óvulo do esperma. “Em fluidos do corpo humano não se encontra um químico em particular, mas coquetéis químicos bastante complexos, com muitas substâncias químicas diferentes que causam desregulação endócrina em concentrações muito baixas. Nós tentamos imitar essa situação em nossas experiências”, disse Timo Strünker.

Com evidência como a apresentada anteriormente mostrando que as dioxinas são de fato uma ameaça à fertilidade humana e aos seres humanos, não há dúvida de que a melhor coisa a fazer é evitar produtos que contêm dioxinas. Na verdade, o melhor é evitar os produtos processados e industrializados completamente. Porque as dioxinas e outros químicos tóxicos estão em plástico, latas e outros tipos de invólucros que são usados ??pela chamada indústria alimentar, a melhor maneira de eliminar a exposição às dioxinas é evitar o consumo de todos os alimentos embalados para uso de longa duração??. Infelizmente, a maioria das pessoas fazem exatamente o oposto.

Tendo evidência abundante sobre os perigos provocados por produtos químicos nos alimentos, não parece ser suficiente para que a maioria das pessoas deixem de comer enlatados, beber líquidos de garrafas plásticas ou se alimentar com fast-food altamente processada??. Na verdade, parece que comer até morrer está na moda. Para aqueles que estão preocupados com a sua saúde e não a moda, aqui está uma simples razão pela qual é necessário eliminar os alimentos processados ??de uma vez por todas: Os alimentos processados ??são uma ilusão. O uso de palavras como “saudável” em uma lata ou uma garrafa, bem como “baixo teor de gordura”, “sem carboidratos”, “fortificado”, “contém ômega-3”, etc, é uma mentira, porque nenhum desses ingredientes, assumindo que eles estão realmente presentes nos alimentos processados??, são naturalmente obtidos e adicionados. Tomemos por exemplo o leite com adição de vitamina D. A maioria, se não toda a vitamina D adicionada ao leite é criada pela extração de materiais de lã de ovelha. Tenho certeza que esse fato vem como um choque para muitos.

Em nossa próxima parte da série Realidade Química vou continuar diminuindo a lista de coisas que os seres humanos devem ingerir, a fim de se manter saudáveis, com uma tendência muito preocupante para o fato de que há muito pouco na nossa dieta que deveríamos estar comendo e bebendo.

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