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Quando você deve ensinar finanças ao seu filho? 


Especialistas dizem que educação financeira deve começar na escola

Crianças empreendedoras que gerenciam suas finanças. Isso soa como uma antítese para os pequenos que preparam a declaração da renda de seus salários semanais para suas despesas com guloseimas e procuram o melhor financiamento para suas casas na árvore.

Unir infância com negócios e finanças pode parecer estranho, mas há, cada vez mais, centros educacionais que projetam treinar crianças empreendedoras e uma grande unanimidade internacional promovendo que o treinamento em finanças comece o mais rápido possível.

Mas, vamos passo a passo. Para iniciantes, existem diferenças importantes entre ensinar as crianças a gerenciar suas finanças e treiná-las em questões comerciais.

A maioria dos jovens não atinge o nível básico de educação financeira. Talvez seja por isso que a maioria dos pais afirma que seus filhos acreditam que o dinheiro cresce em árvores.

Terminada a escolaridade obrigatória e com idade para trabalhar, os jovens não sabem administrar sua renda, fazer a declaração de imposto de renda ou não diferenciam empréstimo de crédito. Em geral, há consenso de que essa situação pode prejudicar o desenvolvimento econômico dos cidadãos.

Mas a pergunta é: por que os pais não ensinam aos filhos como as finanças funcionam?

Para tomar decisões, você precisa ter conhecimentos básicos. Uma cultura financeira mais forte teria ajudado a lidar com a crise de 2008 afetando muitas pessoas de maneira diferente. Qualquer pessoa deve ser capaz de interpretar suas finanças e saber como manter suas contas em dia.

Esse argumento é reforçado por diferentes estudos e organizações internacionais como a UNICEF, que, em seu relatório intitulado “Educação Social e Financeira para Crianças” explica a importância das crianças adquirirem esse treinamento e propõe diferentes medidas para estimulá-lo.

O trabalho, realizado em conjunto pela Aflatoun e pela Seção de Educação da UNICEF, conclui que “a promoção da educação financeira em crianças e jovens é essencial para garantir uma população capaz de tomar decisões informadas”.

E continua: “O fornecimento desse tipo de conhecimento é um componente importante na transição da infância para a vida adulta e no treinamento de cidadãos financeiramente responsáveis”.

Na mesma linha, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em seu relatório “Melhorando a Alfabetização Financeira” argumenta que a falta de educação financeira torna indivíduos e famílias “mais propensos ao endividamento e à falência”.

O relatório defende, também, a posição de que “a educação financeira deve começar na escola: os cidadãos devem ser educados sobre questões financeiras o mais rápido possível”. Mas como se faz isso? Quando é a hora certa?

Uma das razões por trás da falta de treinamento atual em finanças é que, em geral, em escolas ou institutos públicos não há espaço para tal assunto. A inclusão desse tipo de treinamento ocorre, principalmente, em escolas privadas ou por meio de iniciativas externas.

É o que acontece com o Programa Junior Achievement, ensinado em centros educacionais por meio de voluntários e profissionais com o objetivo de treinar crianças e jovens em três pilares: educação financeira, empreendedorismo e orientação profissional.

Parece ousado ir à escola com essas questões, geralmente, consideradas temas adultos, reconhece Francesco Vanni d’Archirafi, presidente do Programa Junior Achievement.

“Mas as crianças têm muito potencial e, com a metodologia apropriada e adaptada à idade, podemos levá-las a desenvolver seu senso de responsabilidade, gestão financeira, senso crítico e capacidade de tomar uma decisão”.

Vanni d’Archirafi defende que a plasticidade do cérebro permite um aprendizado mais rápido e profundo desde uma idade bem jovem.

Parece que a chave é como esses conceitos são ensinados. “As habilidades que ensinamos às crianças são as mesmas que ensinamos aos adultos. Ensinamos programas desde a infância até a universidade, a diferença está na forma como esses conteúdos são fornecidos”.

Para as crianças, são estimuladas habilidades não cognitivas, ou seja, aquelas que não estão relacionadas à aquisição de conhecimentos teóricos. A dinâmica de aprender brincando é usada para que as crianças se familiarizem com esses conceitos e tenham mais conhecimento quando precisarem administrar suas finanças.

O debate se trona acirrado quando falamos sobre o ensino de assuntos relacionados a empreendedorismo e conceitos de negócios a crianças. Elas não são muito pequenas para isso?

A abordagem Junior Achievement se concentra no ensino de habilidades para crianças, tais como adiamento de recompensa, perseverança e autonomia.

“Realizamos um estudo para analisar o impacto de nossos programas nos alunos e vemos que os níveis de perseverança aumentam e 24% melhoram sua mentalidade de desenvolvimento, ou seja, sua crença de que o esforço é a variável que permitirá que você alcance seus objetivos, explica Vanni d’Archirafi, que relaciona essas habilidades à capacidade de ser autônomo.

Em outras escolas, o treinamento de negócios é mais evidente, mas é projetado especificamente para estudantes do ensino médio. É o que acontece com o Colégio Internacional San Francisco de Paula, em Sevilha.

É uma escola privada e estrangeira – como acontece, por exemplo, com o Lyceum – que lhes dá total liberdade para projetar seus programas de ensino.

Como parte desses programas incluem eletivas de orientação profissional; um dia de inicialização, no qual desenvolvem projetos de pequenas empresas para apresentá-los; e, até mesmo, um programa de estágio em empresas onde os alunos possam aprender como fazer um currículo ou uma primeira entrevista de emprego.

“Eles passam por um processo de seleção como qualquer outro trabalhador. O que queremos é que eles adquiram habilidades e experimentem como se sentem quando passam ou não uma entrevista e pelo resto do processo”, explica Luis Rey, diretor do centro.

Durante as práticas, que duram duas semanas, o tutor os avalia de acordo com critérios específicos: adaptabilidade, pontualidade, colaboração ou iniciativa.

A idéia é que, ao final do treinamento, os jovens tenham “capacidade de autonomia, um conhecimento básico do funcionamento do mundo e de gerenciar os recursos que possuem”, explica Rey.

“Eles sabem que o dinheiro não cresce em árvores e que as coisas não estão lá para que eles possam levá-las confortavelmente sempre que quiserem”.

O bacharelado não é apenas concebido como preparação para a Universidade, mas, também, como preparação para o mundo profissional.

Um relatório da Comissão Europeia apóia essa concepção mesmo em crianças entre 3 e 12 anos de idade. O documento pretende ser um guia que descreve as necessidades básicas de treinar empreendedores em empreendedorismo para que os professores possam criar programas para aplicar aos seus alunos.

“Com o Plano de Ação para o Empreendedorismo 2020 e a Comunicação “Repensando a Educação”, a Comissão Europeia insistiu na necessidade de incorporar a aprendizagem empreendedora em todos os setores da educação”, diz o relatório.

“Ambos os documentos instam os Estados membros a proporcionarem a todos os jovens uma experiência empreendedora prática antes de concluir o ensino obrigatório”.

Não é necessário que o empreendedorismo constitua uma matéria específica: seria uma maneira de ensinar baseada na experiência e na realização de projetos desempenhando um papel importante.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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