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Cometer erros é humano e aprender com eles também 


child depression

Permitir que a criança cometa erros constrói sua autonomia, aumenta sua tolerância à frustração e a ensina a gerenciar adequadamente suas emoções.

Cometer erros é uma parte natural de qualquer processo de aprendizagem e é essencial para o desenvolvimento da personalidade na infância e adolescência. Poucos adultos têm alguma dúvida sobre isso. No entanto, muitos pais tentam, a todo custo, impedir que seus filhos cometam erros e sofram alguma frustração.

Tal atitude é uma intenção perfeitamente natural e compreensível. Porém, pode ter o efeito oposto: quando uma criança é superprotegida, a tolerância à frustração não é treinada.

A frustração é muito necessária na infância para, aos poucos, enfrentarmos os inconvenientes da vida.

Impedir que as crianças cometam seus próprios erros é um erro em si e pode ter sérias conseqüências para o futuro. É colocá-los em uma bolha onde a única coisa que se consegue é que eles não sejam capazes de enfrentar o mundo. Mas, um dia eles terão que sair sozinhos pelo mundo e, se adiarmos esse momento, as capacidades não serão as mesmas e a frustração será maior, pois sua capacidade de gerenciá-la não terá sido treinada.

Um estudo de 2018 publicado na revista Developmental Psychology aborda as consequências da superproteção no desenvolvimento da criança. Esta pesquisa analisou, por oito anos, a evolução de 422 meninos e meninas nas interações com os pais.

Uma das observações dos autores foi que, quando os pais superprotegiam os filhos sem lhes dar a opção de resolver suas próprias dificuldades, os filhos tinham problemas para gerenciar suas emoções causando intolerância à frustração.

Seja fazendo lição de casa, fazendo amigos ou praticando esportes, o aprendizado é beneficiado por erros que nos estimulam a encontrar maneiras de fazer as coisas diferentes.

A superproteção, por outro lado, nos leva a encontrar crianças mais medrosas, menos autônomas e mais dependentes dos pais; enquanto que, na idade adulta, tais crianças podem tornar-se pessoas mais vulneráveis.

Às vezes, a superproteção resulta em maior ansiedade, no desenvolvimento de algum tipo de fobia social, depressão e, até mesmo,  nas crianças caindo em relacionamentos dependentes quando adultos.

Como em qualquer outro aspecto entre pais e filhos, você precisa estar ciente de que, como pais, não apenas o que é dito é importante, mas, também – talvez mais ainda – o que é feito.

Por mais que dissermos a nossos filhos: “Vamos lá, você pode fazê-lo!”. Se, no final, acabamos fazendo por eles, a mensagem indireta pode ser: “você não sabe” , “você não é capaz de fazer isso …”, com o impacto correspondente na auto-estima.

Essa mesma conclusão foi alcançada por outra investigação da American Psychological Association que comparou dois estilos diferentes de educação: a controladora e a que promove a autonomia do menor.

No estudo, observou-se que quando as mães não estavam presentes, os filhos de famílias que promoviam autonomia lutavam para concluir a tarefa que lhes fora confiada enquanto os filhos de ambientes controladores desistiam rapidamente.

Colocar o erro em seu lugar natural é essencial para que os pequenos não parem de tentar coisas novas por medo de cometer erros.

Quando os filhos são dependentes, os pais precisam ajudá-los a lidar com os erros pois os adultos costumam encobri-los em um esforço para serem “pais perfeitos”.

Mas, exatamente por esse motivo, os adultos acabam tendo filhos estressados. Os pais podem cometer erros como qualquer outra pessoa; e mais do que escondê-los, é necessário explicá-los às crianças para que elas entendam como natural.

Se você tem um filho que tem dificuldade com uma tarefa e os pais lhe dizem que ele é burro ou que parece inacreditável que ele não consiga fazer a tarefa adequadamente, o fato de cometer erros vai ser punitivo e inaceitável porque “papai fica bravo “.

É a capacidade de ter tolerância suficiente para a frustração onde os pais precisam ajudar seus filhos. A falta de tolerância à frustração não é algo exclusivo das crianças. Os pais, muitas vezes, não se comportam da melhor maneira possível. Muitas vezes, trabalhar com esse pai ou essa mãe para que eles possam administrar de maneira diferente terá um impacto positivo em seus filhos.

Outro fator importante é ter uma visão positiva da tentativa. Na medida em que a pessoa achar que pode, realizará ações por conta própria para alcançar o que deseja ou precisa.

É um processo de aprendizado e treinamento em que os sucessos parciais, as abordagens para o objetivo final a ser alcançado também devem ser reconhecidos. Por exemplo, talvez uma criança já saiba segurar bem a colher mas, torce o braço e acaba derramando o conteúdo tentando levá-lo à boca.

Promovendo a autonomia

Outro motivo para deixar as crianças cometerem erros sem a intervenção de adultos é que a flexibilidade é treinada diante de eventos imprevistos, algo essencial na vida adulta.

É por isso que os especialistas recomendam promover a autonomia do menor pedindo coisas apropriadas à sua idade, tais como fazer tarefas domésticas ou tarefas fora de casa quando eles são um pouco mais velhos.

Se você ensina a um garoto de quatro anos que roupas sujas vão para um determinado lugar, ele pode fazê-lo. Se ele derrama o leite ou tem um ataque de treimosia e decide desmontar e jogar o quebra-cabeça no chão, ele precisa ajuntá-lo.

Tanto quanto possível, é conveniente evitar situações nas quais a mãe ou o pai o fazem pelo filho apesar que, às vezes, eles querem fazê-lo para resolver a situação rapidamente.

Obviamente, não se trata de pegar um menino de três ou quatro anos e ordenar que ele ajunte alguma coisa sozinho porque eles ainda não sabem. Portanto, a melhor maneira de fazer isso é ajuntar juntos servindo como modelo.

Se ele não sabe como arrumar a mochila escolar, por exemplo, ajudá-lo a prepará-la, fazer uma lista para que ele possa fazer sozinho e, então, o pai ou a mãe o supervisionam.

Acima de tudo, deve-se lembrar que as crianças podem fazer muitas coisas e que sua maneira natural de aprender é brincando. Portanto, apresentar o aprendizado de uma maneira divertida – como pegar brinquedos cantando uma música – pode ser muito útil.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis R. Miranda is an award-winning journalist and the founder & editor of The Real Agenda News. His career spans over 23 years in every form of news media. He writes about environmentalism, education, technology, science, health, immigration and other current affairs. Luis has worked as on-air talent, news reporter, television producer, and news writer.

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