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Diagnóstico e Medicação Excessivos ameaçam a vida das crianças 


Autismo, transtorno de déficit de atenção, ansiedade. Um diagnóstico precipitado e uma conclusão definitiva para uma criança em crescimento com um comportamento “estranho” podem levar um menino ou uma menina a serem rotulados sob uma categoria que, certamente, os acompanhará por toda a vida, com conseqüências tanto individuais quanto sociais.

Alguns profissionais de saúde querem emitir um alerta sobre esse modelo operacional. Esses profissionais incluem psicólogos, psiquiatras, pediatras, professores, entre outros, que decidiram lançar um manifesto em que consideram uma visão mais respeitosa da singularidade e subjetividade de cada criança.

Os manuais existentes sobre os diferentes transtornos mentais utilizados como guia para os profissionais enfatizam a descrição dos sintomas que, às vezes, correspondem a situações normais de crescimento, mas são indicados pela sociedade como “diferentes” e, geralmente, levam a um número maior de diagnósticos. Consequentemente, muitos médicos recomendam medicação para tais crianças e as submetem a um grande número de testes neurológicos.

Há muito que observar ao diagnosticar uma criança. Crianças e adolescentes não são um objeto de museu onde podem ser catalogados e colocados em caixas. Os médicos deveriam conhecê-los completamente, aproximar-se do seu mundo interior.

Para que rótulos desnecessários desapareçam, é necessário ampliar os diagnósticos incluindo algumas variáveis, tais como situações familiares e o ambiente onde vivem para que não se transforme em algo fixo.

Os médicos devem valorizar cada indivíduo com suas peculiaridades e sua singularidade. Passe tempo, crie um elo com a criança. Em resumo, estude caso a caso, em vez de colocar as crianças em caixas e rotulá-las.

O rótulo tem o poder de eliminar tudo o que define o ser da pessoa. Em vez de considerar uma característica como um atributo simples, pensa-se de uma criança inquieta em termos de um distúrbio impulsivo. É como se estivéssemos dizendo ao menino ou à menina: este diagnóstico é o seu distúrbio, este é o seu destino.

Os profissionais precisam entender que há menores que ficam entediados; outros são inquietos, alguns excessivamente curiosos, outros repetitivos e essas condições nem sempre levam a um distúrbio ou os definem como pessoa. O objetivo é ouvir cada criança por sua singularidade.

A escola também tem uma tarefa muito significativa com a criança com dificuldades. Quando a criança não se enquadra nos padrões estabelecidos da normalidade, é essencial a importância em definir conceitos como diversidade, inclusão ou integração. Inclusão não significa isolar os que não se enquadram dentro do normal, mas entender que os direitos são iguais para todos os alunos.

A importância de criar laços na escola é crucial para o desenvolvimento das crianças. Por exemplo, crianças com dificuldades são capazes de mostrar imensos avanços e adquirir muitas habilidades quando ele ou ela é capaz de estabelecer um forte relacionamento com seu professor.

Muitas vezes, as crianças se sentem solitárias e não querem ir para a escola devido à falta desse vínculo. Em outros casos, novos professores não oferecem tanta atenção para o aluno. Levar isso em consideração é essencial para entender a individualidade da criança, para saber o que está acontecendo e como trabalhar com ela.

Em casa, os pais devem prestar atenção à criança e tudo o que afeta sua vida: escola, médicos, etc. Mas, principalmente, eles não devem ter medo diante de um sintoma. Por exemplo, em relação ao distúrbio do déficit de atenção, é curioso como o número de casos aumentou nos últimos anos enquanto em alguns países como a França, não. Por quê? Porque lá o principal componente do distúrbio que muitos estudos consideram não é considerado um sintoma.

Os transtornos mentais levam a rótulos que, por sua vez, levam ao estigma social e, como costuma ser no caso dos adolescentes, mais eles se sentem isolados e marginalizados.

Se evitarmos rótulos não científicos da infância e entendermos o menino ou a menina como um todo, com sua história familiar, seus desejos, suas preferências, seus jogos e suas identificações, sua vida será melhor, mesmo com suas dificuldades.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis R. Miranda is an award-winning journalist and the founder & editor of The Real Agenda News. His career spans over 23 years in every form of news media. He writes about environmentalism, education, technology, science, health, immigration and other current affairs. Luis has worked as on-air talent, news reporter, television producer, and news writer.

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