[otw_shortcode_dropcap label=”N” font=”Abril Fatface” background_color_class=”otw-no-background” size=”large” border_color_class=”otw-no-border-color”][/otw_shortcode_dropcap]ão se engane, a imigração ilegal em massa não traz nenhum benefício para os países anfitriões.

Inundar um país com milhares ou dezenas de milhares de pessoas com crenças e costumes diferentes produz, apenas, instabilidade social. Alemanha, França e Suécia são exemplos inegáveis ​​disso.

A América Latina não é uma exceção.

A chegada aos países vizinhos de milhares de venezuelanos e nicaraguenses que fugiram da crise em seus respectivos países causou os primeiros surtos de protestos e tensões regionais.

Brasil enviará tropas para a fronteira com a Venezuela após a violenta expulsão dos venezuelanos de uma cidade fronteiriça.

Equador limita sua entrada no fim de semana, medida que Peru aplicará no sábado após a chegada, na semana passada, de 20 mil venezuelanos.

Na Costa Rica, os protestos contra a presença dos nicaraguenses levaram centenas de pessoas às ruas no sábado.

A ONU estima que 2,3 milhões de venezuelanos fugiram de seu país devido à situação atual de guerra civil.

Centenas de milhares de venezuelanos cruzaram as fronteiras terrestres para o Brasil e a Colômbia nos últimos meses para tentar escapar da crise econômica, política e social que seu país está vivenciando.

Colômbia concedeu residência temporária a mais de 800.000 venezuelanos. Muitos desses refugiados empreendem longas caminhadas todos os dias para chegar ao Peru, Chile, Argentina e até ao Uruguai.

O Peru, que por dois anos concedeu a eles uma permissão de trabalho temporário, estima que quase 400.000 venezuelanos se estabeleceram em seu território no último ano.

O pico foi em 11 de agosto, quando 5.000 pessoas entraram somente naquele dia.

No Equador, pelo menos um milhão de venezuelanos cruzou a fronteira, embora o número dos que permanecem no país gira em torno de 250 mil.

Em face das críticas, Quito eliminou a exigência de passaporte para a entrada no país de crianças e adolescentes venezuelanos, se chegarem acompanhados de seus pais ou responsáveis que portarem tal documento.

As restrições administrativas tiveram efeito imediato e, no sábado, houve pouco influxo de venezuelanos na fronteira entre Equador e Colômbia quando entrou em vigor a exigência de apresentação do passaporte.

Ao mesmo tempo, a crise desencadeada na Nicarágua desde meados de abril devido à onda de protestos contra o governo duramente reprimidos pelas forças de segurança e grupos armados servindo ao regime levou ao êxodo de milhares de nicaraguenses, a maioria dos quais se refugiaram na Costa Rica.

Não existem dados oficiais sobre o número real de nicaraguenses na Costa Rica, porque muitos deles entram ilegalmente.

A pressão migratória de venezuelanos e nicaraguenses em países em delicado equilíbrio devido à crise econômica e o aumento da criminalidade está causando uma situação muito complexa do ponto de vista da segurança.

A cidade de Paracaima, no estado de Roraima – norte do Brasil – tornou-se uma bomba-relógio. A cidade, com 16.000 habitantes, é a porta de entrada de venezuelanos que fogem do regime de Nicolás Maduro.

Nos últimos meses, mais de 40.000 venezuelanos chegaram e muitos deles – 1.000, segundo diferentes fontes – estão alojados em lojas espalhadas pela cidade.

No sábado, depois que um comerciante local foi agredido por quatro venezuelanos, segundo a versão da polícia local, a população reagiu com um protesto contra a presença dos migrantes na cidade.

Os manifestantes destruíram suas barracas, queimaram seus pertences e atacaram os venezuelanos com pedras e dispositivos incendiários artesanais.

Os vídeos dos incidentes publicados nas redes sociais mostram o nível de tensão geral. “Não podemos mais suportar esses bandidos, que estão roubando nossas casas e incomodando nossas mulheres”, gritou um homem em uma gravação.

Pelo menos 1.200 venezuelanos deixaram o Brasil nos últimos dias após os incidentes de Paracaima. O governo brasileiro convocou uma reunião para analisar os fatos.

Mudando para outras cidades

Alguns dos venezuelanos procuram oportunidades de trabalho no Brasil e outros continuam sua jornada para outros países.

Em fevereiro, o presidente do Brasil, Michel Temer, admitiu a vulnerabilidade dos estrangeiros e anunciou medidas de auxílio, além de propor levá-los a outras cidades do interior do Estado e de outros estados como São Paulo, a 3.500 quilômetros de Roraima.

O governo prometeu levar 18.000 venezuelanos para outras cidades e, até agora, só evacuou 800.

Dois meses antes das eleições que renovarão a Presidência e o Congresso, a crise com os venezuelanos pode acabar sendo usada politicamente.

Alguns candidatos defenderam o fechamento da fronteira com a Venezuela. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também alertou sobre o risco de novos incidentes.

“É claro que o problema é agravado pela ineficácia das autoridades. O que era uma questão humanitária agora tem uma forte conotação de segurança”, disse Claudio Lamachia, presidente da OAB.

Enquanto isso, países como Equador e Peru restringiram as exigências de entrada para tentar impedir a chegada de visitantes.

No último final de semana, Equador solicitou passaporte a qualquer venezuelano que queira entrar no país; medidas idênticas serão adotadas no Peru.

Até agora, os venezuelanos podiam entrar nos países andinos com sua carteira de identidade, dadas as dificuldades de obter um passaporte na Venezuela.

Por dois anos, esse processo administrativo tornou-se uma odisséia devido à falta de materiais e porque o agendamento leva meses.

Outros países começaram a exigir vistos de venezuelanos. Chile solicita um certificado de registro criminal que deve ser emitido pelo Ministério do Interior e Justiça da Venezuela, além da exigência de que o passaporte não expire nos 18 meses seguintes à entrada.

Além disso, o consulado venezuelano no Chile começou a solicitar o pagamento de 50 dólares para a certificação de certidões criminais aos seus cidadãos, uma quantia exorbitante para a maioria dos refugiados.

Êxodo dos nicaraguenses para a Costa Rica é um fato histórico

A tensão também aumentou entre a Costa Rica e a Nicarágua. Desde o início da crise em Manágua – uma onda de protestos contra um projeto de reforma da Previdência – mais de 23.000 pedidos de asilo foram recebidos na Costa Rica, embora muitos correspondam aos nicaraguenses que chegaram antes desse êxodo, quando a colônia Nicarágua representava 10% da população do país.

Dois abrigos foram criados para acomodar os recém-chegados. No entanto, eles são praticamente inutilizados, uma vez que a maioria deles fica nas casas de parentes ou conhecidos, graças à existência de grandes redes de migrantes da Nicarágua que fornecem apoio desde o início.

O aumento progressivo do número de chegadas gerou uma rejeição muito clara nas redes sociais entre os costarriquenhos, bem como a cobertura de alguns meios de comunicação.

Estimulados pelo desconforto decorrente da deterioração das condições de vida e dos serviços públicos, bem como pela crescente insegurança, centenas de costa-riquenhos participaram de uma manifestação contra imigrantes nicaraguenses, chamada via redes sociais.

A polícia realizou 44 prisões e a apreensão de facas e bombas caseiras, mas ainda não identificou os organizadores. Os manifestantes foram a um parque onde gritavam “fora, Nicas” contra os imigrantes legais e ilegais da Nicarágua.

Entre os detidos, há alguns com antecedentes criminais e membros de grupos radicais.

A inédita demonstração acionou um alarme na Costa Rica, um país que, historicamente, porém às vezes contra a sua vontade, tem dado assistência a pessoas que fogem de seus países.

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