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Ninguém quer saber a sua opinião 


Feminista

Sua opinião não importa a menos que você pregue em frente aos convencidos.

A opinião, especialmente do tipo político, é estéril em uma sociedade global e ideologicamente balcanizada.

Não perca tempo tentando convencer os outros com suas “verdades” políticas ou religiosas. Ninguém vai ouvir.

O mundo está em um estado de caos ideológico que impede as pessoas, ideologicamente alinhadas com a esquerda ou a direita, a participar de forma educada em qualquer discussão.

É uma tarefa impossível pedir para as pessoas deixar sua ideologia de lado por um momento para ouvir o que você tem a dizer.

Os esquerdistas querem tudo de graça, e esse tudo deve vir da “classe média”, não importa o que aconteça. Os direitistas defenderão seu extremismo religioso o dia todo e reivindicarão discriminação religiosa se alguém não quiser ouvir seu Deus.

Nossa maneira de pensar não é mais racional ou baseada em fatos, mas em ideologias tóxicas.

Quando nos sentimos muito identificados com uma posição, os fatos não nos fazem mudar de idéia.

Quando duas pessoas falam sobre política, muitas vezes recorrem aos fatos para defender sua posição e mostrar que o outro está errado.

Não é algo que geralmente funciona. Às vezes é até contraproducente.

Os republicanos apoiaram a guerra no Iraque porque os principais meios de comunicação pressionaram a mentira que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, mas quando foi mostrada prova de que era mentira, os republicanos não mudaram de opinião. Eles sofreram lavagem cerebral demais na mídia para reconhecer os fatos e mudar de idéia.

A mesma coisa aconteceu no lado democrata ao perseguir Trump no embuste da colusão com a Rússia. As pessoas tinham suas mentes poluídas por todas as mentiras que os meios de comunicação lhes disseram, e, mesmo depois de Trump ser inocentado de acusações infundadas de ter conspirado com a Rússia, os democratas ainda insistiram, e continuam insistindo, que Trump roubou a eleição de 2016 com a ajuda de Vladimir Putin.

Quando alguém tem fortes convicções sobre um assunto, é muito difícil que mude de idéia, mesmo que o oposto seja um fato comprovado.

Na maioria das vezes, as pessoas ficam ainda mais irritadas quando apresentadas à prova de que estão erradas, o que faz com que elas se apeguem às suas ideias com ainda mais força.

Em vez de analisar criticamente os fatos, elas sempre têm desculpas: “essa correção está incorreta”, dizem.

A rejeição das diferenças como punto de partida

Mudar de ideia não é tão fácil quanto parece.

Às vezes, acreditamos que somos pessoas racionais que julgam ideias e propostas políticas com base em suas vantagens e desvantagens, mas o mais comum é que nos identificamos com uma posição que geralmente herdamos de nossos pais, de nosso grupo de amigos ou de nossa educação.

Essa posição nos “ajuda” a avaliar os fatos e opiniões, os quais aceitamos ou rejeitamos quase instintivamente.

O raciocínio moral é, antes de tudo, uma busca a posteriori por razões que justifiquem os julgamentos já feitos.

Os fatos são importantes, é claro, mas a maioria das pessoas só aceita a verdade apenas se ela se encaixa na realidade que deseja. Se não, as pessoas rotulam essa verdade ou esses fatos como “irracionais, loucos ou estúpidos”.

As pessoas não votam necessariamente em seu interesse pessoal, elas votam de acordo com sua identidade, de acordo com seus valores. Eles votam em pessoas com quem se sentem identificados. Isso é uma armadilha porque qualquer um pode dizer qualquer coisa que as pessoas queiram ouvir para capturar sua atenção e depois o seu voto. Isso funciona muito bem nas massas ignorantes.

A identidade é outro fator que influencia quando se mantém um diálogo sobre política. As opiniões políticas funcionam como distintivos de pertencimento a grupos sociais.

Quando a identidade é compartilhada, os argumentos tendem a ser mais persuasivos. Mas quando você considera que a outra pessoa é de um grupo diferente, é mais fácil rejeitar sua posição.

Por exemplo, os eleitores do Partido Republicano americano eram mais propensos a parar de pensar que Barack Obama era muçulmano se a pessoa que os corrigisse fosse alguém que eles considerassem pertencer ao seu grupo.

Polarização nas redes sociais, pela mídia, os excêntricos e ideólogos políticos

A polarização nas redes sociais é especialmente verdadeira quando temos convicções firmes sobre um assunto.

Mas há questões sobre as quais não temos tanta certeza e continuamos abertos a outras ideias. É por isso que é bom ter acesso a muitas opiniões e perspectivas diferentes.

A principal maneira pela qual mudamos nossa mente em questões morais é interagindo com outras pessoas. Afinal, somos muito ruins em procurar evidências que contradigam nossas crenças, assim como somos bons em encontrar erros nas convicções dos outros.

No entanto, às vezes fazemos o oposto. Nas redes sociais, é fácil nos cercar apenas de pessoas que pensam como nós e nos isolam de diferentes pontos de vista, sem mencionar que os algoritmos reforçam essa tendência, criando o chamado “filtro de bolhas”.

Os filtros de bolhas favorecem uma polarização que é potencialmente perigosa tanto para a democracia quanto para a paz social, uma vez que dificulta o diálogo e o debate.

É por isso que não é de surpreender que os políticos usem frequentemente as redes sociais para criar condições para os efeitos da polarização.

Eles criam grupos de eleitores que reforçam suas idéias e permanecem imunes à troca de opiniões.

Em vez de procurar pontos em comum, às vezes as pessoas se trancam em uma identidade política impermeável às ideias dos outros.

Em vez de buscar o diálogo e tentar entender o ponto de vista dos outros, as pessoas acabam recompensando rumores e notícias falsas no Twitter.

Não há outro caminho a não ser voltar à civilidade.

O diálogo e a exposição a outras ideias são enriquecedores quando são amigáveis ​​e respeitosos. Caso contrário, acaba polarizando ainda mais o debate.

Uma maneira de cuidar do tom da conversa é o chamado princípio da caridade, ou a vontade de desenvolver nossos argumentos levando em conta a melhor versão da posição de nossos oponentes.

A melhor versão é a mais defensável ou, pelo menos, a que não presume que nossos oponentes estejam em falência moral ou intelectual.

Trata-se de partir do fato de que pessoas que não pensam como nós não são más, idiotas ou mal informadas, mas, como nós, querem o que consideram melhor para a sociedade.

Para usar esse princípio, os especialistas recomendam expressar em uma linguagem neutra as posições daqueles que pensam de maneira diferente e articulam da maneira mais positiva as razões que sustentam esses pontos de vista.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis R. Miranda is an award-winning journalist and the founder & editor of The Real Agenda News. His career spans over 23 years in every form of news media. He writes about environmentalism, education, technology, science, health, immigration and other current affairs. Luis has worked as on-air talent, news reporter, television producer, and news writer.

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