“Vivemos em um mundo cujas regras são feitas para os super-ricos”, explica Tobias Hauschild, da Oxfam Alemanha.

Os 62 indivíduos mais ricos do mundo possuem tanta riqueza quanto a riqueza do resto da população de acordo com a Oxfam.

A riqueza dos 50% mais pobres caiu 41% entre 2010 e 2015, enquanto a riqueza das 62 pessoas mais ricas do mundo aumentou de 500 bilhões de dólares para 1,76 trilhões de dólares no mesmo período.

Em 2020, o número de bilionários no mundo vai caber em um pequeno ônibus.

Os 50% mais pobres do mundo detêm apenas 0,7% da riqueza global, enquanto os 51% mais ricos detêm o 99,3% restante.

Os paraísos fiscais são a chave para estes 62 bilionários esconderem seu dinheiro e evitarem pagar impostos.

Essas pessoas, também, conseguem ‘investir’ seu dinheiro em instituições de caridade a fim de evitar serem tributados por qualquer governo.

Até agora, sabíamos que a riqueza é mal distribuída, mas não sabíamos exatamente como o sistema tinha sido fraudado para mantê-lo dessa forma.

As 62 pessoas mais ricas do mundo têm, hoje, “exatamente o mesmo que a metade mais pobre da população mundial”, diz um estudo da Oxfam.

A verdade é que a riqueza está mais concentrada do que nunca. Há um ano atrás, o mundo tinha um total de 80 bilionários, um número que diminuiu para 62 em 2016.

“Vivemos em um mundo cujas regras são feitas para os super-ricos“, explica Tobias Hauschild, da Oxfam Alemanha.

Na verdade, “um por cento da população do mundo tem mais do que o resto do mundo como um todo”, disse a Oxfam. O relatório é baseado nos dados do “Wealth Report 2015”, que foi produzido pelo banco Credit Suisse.

Em outras palavras, os bens dos 70 milhões de super-ricos superam os bens dos 7 bilhões de pessoas na Terra.

O relatório da Oxfam documenta o aumento da desigualdade social em todo o mundo.

Segundo os autores, algumas causas são a implementação inadequada do capital e lucro fiscal, bem como a transferência de lucros para paraísos fiscais.

Só nos últimos cinco anos, os bens das 62 pessoas mais ricas, incluindo 53 homens, aumentou 44% para 1,61 bilhões de euros.

Ao mesmo tempo, os bens da metade mais pobre da população diminuíram em um bilhão de euros.

A diminuição de 41% na riqueza dos mais pobres ocorreu no mesmo período que a população mundial aumentou em 400 milhões de pessoas, diz a organização humanitária no seu relatório sobre o desenvolvimento social.

O relatório é sempre apresentado na véspera do Fórum Econômico Mundial em Davos, onde, precisamente, os mais ricos dos ricos se reúnem para definirem a política econômica mundial para o próximo ano.

“O capital dos mais ricos cresceu 44% enquanto a metade mais pobre perdeu 41% do seu capital,” diz o relatório.

Oxfam pediu aos cerca de 2.500 políticos, empresários e cientistas de mais de 100 países, que se reunirão em Davos de 20 a 23 de janeiro, para usarem de sua influência para assegurar que a desigualdade entre ricos e pobres seja reduzida.

O fato que as regras são feitas para favorecer os super-ricos torna mais difícil o combate à pobreza e à doença.

“O que é necessário é um sistema econômico e financeiro que beneficie a todos.”, diz Hauschild.

De acordo com a Oxfam, o sistema ideal deveria evitar que “as grandes corporações fugissem às suas responsabilidades.”

Nove em cada dez grandes corporações têm filiais em, pelo menos, um paraíso fiscal, diz o estudo.

Oxfam exige que os impostos sejam pagos apenas no país onde são obtidos os lucros. Além disso, a responsabilidade dos políticos é acabar com os paraísos fiscais que permitem que os super-ricos escondam seus lucros.

A fim de criar um sistema fiscal internacional justo, é necessário, de acordo com a Oxfam, forçar as corporações a informarem, publicamente, os lucros obtidos e os impostos pagos em seus países de operação.

Além disso, a organização humanitária diz que países devem terminar com a prática de conceder taxas de imposto mais baixas“. As corporações devem divulgar todos os seus incentivos fiscais.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You May Also Like

The TB pandemic that nobody sees, but that kills millions a year

  31.8 million people will have died by 2030 if tuberculosis is…

Singapore goes full 1984

In uncertain times, Singapore leaves no room for doubt about its commitment…