Uma comida com 3.500 anos de idade pode ajudar a acabar com a desnutrição.

Os múltiplos benefícios que esta microalga azul-verde traz à saúde realmente abrem caminho para acabar com a desnutrição.

Embora tenha se tornado popular recentemente – existem aqueles que o chamam de ouro azul – a espirulina é um ser vivo “tão primitivo que está a meio caminho entre uma planta e um animal.

Pertence à família dos primeiros organismos que apareceram na Terra há 3.500 anos.

Já na Conferência Mundial de Alimentação das Nações Unidas, em 1974, a spirulina foi definida como um dos melhores alimentos para o futuro da humanidade.

Está documentado que quando os colonos foram para o México, os moradores usavam uma espécie de massa verde dos lagos, a qual filtravam e secavam em panos para depois consumir.

Há desenhos da época de tudo isso e também foi dito que os corredores comiam aquela massa verde.

Hoje sabemos que é uma cianobactéria. Ou seja, uma bactéria capaz de fotossíntese.

Nos anos 60, alguns belgas fizeram uma expedição trans-saariana e quando chegaram ao Lago Chade, perceberam que a população que vivia em volta, os Kanembú, diferiam em sua constituição física do resto das populações que tinham visto e não apresentavam deficiências nutricionais.

Eles observaram que as mulheres iam ao lago para filtrar uma massa verde, a secavam e preparavam um tipo de biscoito chamado dihé, que então vendiam no mercado.

Então os belgas pegaram uma amostra do lago, retornaram ao seu país e o analisaram. Foi então que perceberam que era um dos alimentos mais completos que existem no nível nutricional e um dos mais ricos em proteína e ferro.

Hoje, o projeto Spiruline Sahra’Oui, busca aproveitar as propriedades da spirulina no Saara Ocidental, onde, de acordo com um relatório da Oxfam, a incidência de anemia foi de aproximadamente 60% entre as mulheres.

Para as crianças saharauis, estas elevadas taxas de anemia são um fardo desde o nascimento. Segundo a Unicef, entre 25% e 30% das crianças que vivem em acampamentos sofrem de um déficit de crescimento, o que afeta de forma irreparável o desenvolvimento do cérebro.

O financiamento do projeto é obtido através de doações privadas e da organização do festival La Spiruchonade, realizado na França.

Portanto, eles precisam de mais recursos e por agora se concentram na distribuição dessas microalgas no Saara de outros lugares da produção africana.

Há spirulina de Burkina Faso que os especialistas recomendam para tomá-la com moringa, que é um alimento rico em vitamina C.

A Spirulina está sendo tratada como uma forma alternativa de melhorar a alimentação em três áreas: consumo, pesquisa e cooperação.

A ideia abrange desde a distribuição deste alimento até a criação de um Banco Mundial da Spirulina para identificar todas as variedades que existem desta microalga e propor aos diferentes produtores mundiais, tanto comerciais quanto humanitários, a variedade que melhor se adapte às suas necessidades.

Espera-se que a spirulina ajude a combater a desnutrição em populações subnutridas.

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