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Você precisa de suplementos para ter um sistema imunológico forte? 


immune system

Se você está procurando uma resposta simples e direta, a verdade é que você realmente não precisa de suplementos.

Se você está procurando uma fórmula fácil e imediata para se tornar imune à pandemia do coronavírus, não continue lendo. Pois tal fórmula não existe.

Confiar nas muitas ofertas que você encontra hoje em dia, seja na forma de suplemento vitamínico, probióticos, à base de própolis ou por meio de terapia alternativa em um spa, seria imprudente.

No momento, a melhor coisa para o sistema imunológico é ficar em casa e ser escrupuloso com as medidas de higiene.

Mas, se o seu interesse é saber o que você pode fazer diariamente para manter as defesas em um estado ideal, vá em frente e tome nota. Você verá que não é tão fácil quanto tomar uma pílula.

A primeira coisa a assumir – e lembre-se de quando lhe oferecem soluções fáceis – é que expressões como aumento e fortalecimento de defesas são enganosas.

São conceitos que, do ponto de vista estritamente científico, não fazem muito sentido. É um argumento muito pobre que entende o sistema imunológico como uma entidade pequena e localizada com o potencial de ser facilmente modificado tomando um suplemento, por exemplo.

O mesmo acontece com o abuso do uso de suplementos. Temos um número muito grande de células T, capazes de reconhecer milhares de invasores em potencial, mas ter mais delas não adiantará nada se não identificarem o invasor.

O fortalecimento das defesas não diz nada e é justamente a imprecisão de seu significado que muitas pessoas usam para vender produtos cuja utilidade não foi comprovada.

Tais produtos podem conter nutrientes ou outras substâncias relacionadas ao funcionamento das defesas, mas, reduzir o risco de infecção é um passo conceitual muito diferente. É ainda maior se falarmos em melhorar as defesas.

O sistema imunológico não parece ser suscetível a melhorias. Se você é uma daquelas pessoas que pega um resfriado após o outro, pode melhorar pegando o mínimo possível de resfriados, mas é provável que continue assim.

O sistema imunológico com o qual nascemos é o que temos. Sua essência é influenciada por uma infinidade de fatores, de genes a infecções passadas, nutrição, exercícios etc.

Não podemos melhorá-lo, mas mantê-lo o mais próximo possível do seu estado original, com seus componentes da melhor maneira possível pelo maior tempo possível. Em outras palavras, é possível otimizar sua operação.

Está em nossas mãos mantê-lo nas melhores condições com uma dieta saudável, fazendo exercícios adequados e dormindo conforme necessário. Também é uma ótima idéia manter o estresse sob controle. Não é tão confortável quanto ir à farmácia, mas funciona.

Exercite suas defesas

O corpo humano tem um importante catálogo de recursos para impedir invasões. A primeira barreira é a pele que, além de marcar uma fronteira física, possui uma microbiota que combaterá para que qualquer micróbio não invada seu território.

Os vírus respiratórios não penetram através dela, mas através das membranas mucosas que formam a borda das cavidades do corpo comunicadas com o exterior.

São as membranas que estão dentro do nariz e da boca, por exemplo, e através dos quais agentes patogênicos, como o novo coronavírus, entram.

O organismo também possui recursos químicos, como a lisozima, uma enzima presente na saliva que destrói as estruturas de alguns patógenos e o pH ácido do estômago, um ambiente hostil para patógenos e probióticos que são aliados do sistema imunológico.

É verdade que a microbiota intestinal possui funções defensivas baseadas no fato de que os micróbios depositados no trato digestivo não permitem que outros microrganismos ocupem seu espaço. Mas influenciá-los é muito complicado.

Um dos primeiros problemas que temos é que um probiótico que tomamos por via oral ultrapassa a barreira gástrica devido às grandes mudanças que ocorrem no pH.

A última fronteira do sistema imunológico é composta de “soldados”. Uma vasta gama de entidades biológicas, tais como macrófagos e células dendríticas, se dedicam a capturar invasores e quebrá-los em pedaços chamados antígenos.

Com os antígenos, é feito o modelo no qual os linfócitos B trabalham para gerar anticorpos. Foram publicados estudos concluindo que o exercício físico melhora a capacidade antimicrobiana de células como os macrófagos, o que atrasa o processo de envelhecimento influenciando a imunosenescência, que se refere à perda de capacidade do sistema imunológico como resultado da idade; e que afeta o equilíbrio entre inflamação e anti-inflamação, o que é muito interessante, pois entre as doenças associadas à inflamação está o câncer.

Segundo alguns trabalhos, uma sessão de menos de 60 minutos de exercício aeróbico, de intensidade moderada a vigorosa, não apenas aumenta a capacidade antimicrobiana dos macrófagos como, também, mobiliza uma enxurrada de células envolvidas na resposta imune: alterações na circulação sanguínea faz com que os soldados alcancem mais tecidos aumentando a intensidade de sua vigilância e ação.

Também foram publicados estudos que indicam que o exercício físico reduz a concentração do hormônio do estresse, o cortisol, e qualquer pessoa que esteja estressada por longos períodos de tempo consegue verificar uma relação com infecções e o estresse, tais como as que causam resfriados.

Parece que o estresse de curto prazo, que dura de alguns minutos a algumas horas, é positivo para o sistema imunológico. Mas, quando é crônico, apresenta efeitos adversos, diz o pesquisador.

Isso se deve, em parte, aos efeitos dos hormônios cuja produção é alterada em situações estressantes, como o cortisol e a adrenalina.

O papel do estresse de longo prazo no sistema imunológico é outro grande incógnito, mas existem estudos que apontam alguns efeitos.

Foi demonstrado que é importante no desenvolvimento de tumores, reduzindo a capacidade de serem ‘reconhecidos’; observou-se que aumenta patologias autoimunes, embora, certamente, isso se deva a um conjunto de muitos fatores que o estresse pode desencadear; e  tem sido relacionado com uma diminuição na luta contra patógenos.

O mesmo vale para o sono. Os cientistas, há muito tempo, sugerem que você precisa dormir de 7 a 8 horas por dia para manter um sistema imunológico adequado. Mas, não se sabe porque dormir mal é prejudicial.

Foi dito, por exemplo, que dormir menos ou mais do que as horas recomendadas está associado a um aumento nos marcadores de inflamação no corpo. Dormir muito pouco está associado a uma maior produção de um tipo de célula por trás do desenvolvimento das placas de arteriosclerose responsáveis ​​por eventos coronários, como ataques cardíacos e derrames.

Então, para que servem os suplementos?

Estudos científicos vinculam uma ampla gama de nutrientes ao funcionamento do sistema imunológico, um conjunto de minerais e vitaminas que são, comumente, vendidos em suplementos.

Mas são inúteis para a grande maioria da população adulta saudável porque a comida é suficiente como fonte de tais nutrientes desde que a comida seja nutritiva.

Existem alguns nutrientes como cobre, folatos, ferro, selênio, zinco, vitaminas A, B12, B6, C e D que contribuem para o funcionamento normal do sistema imunológico. A Autoridade Européia de Segurança Alimentar diz que é improvável que seu consumo seja associado a um aumento das defesas e a um menor risco de contrair qualquer infecção.

O corpo não vai absorver mais do que precisa a nível intestinal. Muitas dessas substâncias, se não forem realmente necessárias, serão eliminadas pelo organismo.

O benefício no sistema imunológico é obtido com uma dieta variada, baseada em frutas, verduras, legumes, produtos integrais, nozes e laticínios fermentados. Os probióticos e os prebióticos podem ter benefícios na saúde intestinal, além dos benefícios imunológicos.

O uso de suplementos deve ser reservado para aqueles que apresentam um déficit ou um estado de deficiência, como a deficiência de vitamina D, que afeta grande parte da população, e para os idosos que têm alguma patologia que possa influenciar o sistema imunológico.

O mais importante é não cair na armadilha de criar uma associação entre esse tipo de produto ou o estilo de vida e infecções como a que causou a pandemia do coronavírus.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis R. Miranda is an award-winning journalist and the founder & editor of The Real Agenda News. His career spans over 23 years in every form of news media. He writes about environmentalism, education, technology, science, health, immigration and other current affairs. Luis has worked as on-air talent, news reporter, television producer, and news writer.

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