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Como é Estados Unidos hoje? 

Mais impostos, mais desemprego, mais pessoas sem casa, mais venda de álcool

Por Luis R. Miranda
The Real Agenda
6 fevereiro 2012

Muitas vezes, as pessoas querem saber como é exatamente os Estados Unidos hoje. Acontece que a maioria das pessoas têm uma idéia errada. Em muitos países onde as pessoas ainda acreditam que ter tudo é o que significa viver bem, ainda vêm os EUA como a casa brilhante no topo do morro. “É muito diferente de quando eu morava lá”, eu respondo sempre. A chave aqui é que as mudanças que tiveram lugar nos Estados Unidos, a maioria senão todas elas para o pior, tem sido rápidas. As mudanças mais significativas para grande parte da população ocorreram na última década.

A maioria das mudanças negativas têm a ver com a perda da liberdade, uma conseqüência do crescimento fora de controle do governo federal. Hoje mesmo a mídia corporativa não pode esconder a realidade nos EUA, não mesmo a mídia amiga do presidente Obama (MSNBC, NBC, CNN, New York Times, Time, Newsweek, FOX e assim por diante). A situação aberrante na qual Estados Unidos está atualmente, pode ser medida usando pelo menos 4 variáveis: impostos, desemprego, pobreza e álcool.

A galinha dos ovos de ouro: O cidadão americano

Vamos começar com os impostos. O poder de tributar é o poder de escravizar. Eu não sei quantas vezes ouvi essa frase, mas eu duvido que muitas pessoas no poder realmente entendam o que isto realmente significa. Provavelmente menos do que um punhado estão dispostos a agir para corrigir o que significa. Até 1913, o governo dos Estados Unidos (federal e os estados) funcionaram muito bem sem um imposto de renda, mas os recursos arrecadados através de impostos não eram suficientes para sustentar um governo federal nos níveis de crescimento que os corporatistas em controle queriam. Hoje, o imposto de renda come o fruto do trabalho do povo. E quando os impostos não são suficientes para suportar a crescente burocracia, mais impostos são colocados sobre a população. Tem sido assim durante quase 100 anos. No entanto, o crescimento do governo federal e sua intenção de obter mais poder não é a única razão pela qual este precisa de mais impostos. Se você não acha que o governo não tem dinheiro para pagar professores, policiais, bombeiros e outros trabalhadores locais e federais, você provavelmente está conscientes dos infames relatórios financeiros anuais. Este é o conjunto duplo de livros que todas as cidades e os estados têm. Uma delas é a contabilidade que a maioria das pessoas pensam que conhecem, o outro detém o recorde dos dinheiros que foram levados do cofre dos governos para fazer coisas que poucos cidadãos conhecem. Enquanto as corporações e bancos obtêm crédito fácil da janela do Fed, além de ser resgatados com bilhões de dólares dos contribuintes, as pessoas comuns tiveram que apertar o cinto se eles tiveram a sorte de manter seus empregos no últimos 10 anos. Embora se diga que a crise econômica começou em 2008, a verdade é que ela começou muito antes, mesmo antes de George Bush chegar ao poder.

Se alguém pode esperar que os impostos sejam mais baixos durante um governo republicano, também pode esperar que esses mesmos impostos sejam mais altos durante uma administração democrática. Infelizmente, os cortes de impostos republicanos são geralmente aplicados aos ricos, e o impostos aumentados pelos democratas são aplicadas à classe média e os muito pobres. A última década tem sido a pior para o povo dos Estados Unidos, provavelmente desde a última Grande Depressão, e a situação não parece melhorar. Quem é o culpado? Todos os presidentes que não tiveram a coragem de lidar com empresas multinacionais que controlam o governo federal, pelo menos desde 1913. De acordo com o Congressional Budget Office (CBO), não haverá alívio para os contribuintes americanos em 2012. Na verdade, os impostos vão aumentar em pelo menos 30 por cento nos próximos dois anos. Esse número é válido, se deixarmos de lado a prática fiscal que o governo federal tem usado desde há 100 anos, e que é a manipulação da moeda ou a desvalorização artificial do dólar, imprimindo dinheiro do nada.

Impostos mais altos não só significa um maior governo federal, mas também menos recuperação, menos empregos, menos renda e menos liberdade. Esta imagem é assim “principalmente devido ao vencimentos previsto de disposições fiscais, tais como taxas reduzidas sobre o rendimento, que limitam o âmbito do imposto mínimo alternativo (AMT) e a imposição de novos impostos, taxas e multas que estão programadas para ter efeito nos próximos anos “, diz o documento do CBO.

Como poderia haver uma recuperação quando o governo federal come uma grande parte dos recursos arrecadados através de impostos e quase nada deste dinheiro é usado para beneficiar os contribuintes? Os números da CBO dizem que as receitas fiscais federais totalizaram 2,302 bilhões de dólares no ano fiscal de 2011 e aumentaram para 2,523 bilhões de dólares no ano fiscal de 2012, 2,988 bilhões de dólares em 2013 e 3, 313 bilhões em 2014. O relatório acrescenta que, como percentagem do PIB, as receitas fiscais foram 15,4 por cento no ano fiscal de 2011, e serão 16,3 por cento em 2012, 18,8 por cento em 2013 e 20,0 por por cento em 2014. Em outras palavras, o Governo Federal terá mais dinheiro para gastar do que em anos anteriores. É improvável, porém, que o governo vai gastar dinheiro em programas para fazer crescer a economia, criar empregos e melhorar a questão da dívida. De fato, em janeiro, o aumento da dívida pública federal cresceu em mais 1 trilhao de dólares. De lá é onde vem a previsão de que haverá uma economia lenta ao longo dos próximos seis anos.

Mais impostos, menos empregos

Vamos falar sobre o desemprego. Com os números preparados pelo governo, seus funcionários dizem que a taxa de desemprego é de cerca de 7 por cento. A CBO tem vindo a dizer que é realmente 10 por cento. No entanto, é provável que esta taxa tenha atingido 20 por cento, porque foi estimado em mais de 17 por cento em 2009. O governo federal assumiu a responsabilidade de encorajar as empresas a mudar-se para o exterior, ao invés de promover os EUA como o lugar para estar, para criar empregos, produzir bens e vender seus produtos. Impostos mais altos no país, junto com a ganância corporativa levou as empresas a mudar-se para Ásia e América Latina em um ritmo rápido. Ao mesmo tempo, os impostos mais elevados e uma economia estagnada terminaram o empreendedorismo local e abriram a porta para corporações como Wal-Mart, a IKEA e outras empresas que lucram através da exploração de trabalhadores no Terceiro Mundo para produzir lixo que é depois vendido em os EUA e no mundo. Se você é um socialista ou comunista, e acredita que o consumismo é ruim para o meio ambiente e a humanidade como um todo, dê uma olhada no que os produtos produzidos com mão de obra barata fazem.

Desde aproximadamente 2000, os Estados Unidos perdeu 6 milhões de empregos na indústria. A maioria destes trabalhos, como eu disse, foram para o México, Brasil, Índia, China e outros países ao redor do mundo à custa dos contribuintes americanos. Um estudo realizado pelo Instituto de Política Econômica mostra como o déficit comercial dos EUA com a China faz com que os EUA perca cerca de meio milhão de empregos por ano. Além disso, os registros fiscais indicam que até 2008, o emprego oferecido pelas empresas originais dos Estados Unidos criaram 10,1 milhões de empregos no exterior através de suas subsidiárias em países como os mencionados acima. Isso é cerca de metade do número de empregos cortados por empresas multinacionais nos Estados Unidos durante o mesmo período. O numero total? 21,1 milhões de empregos. A indústria não é mais uma atividade significativa em os EUA, como era 50 ou 60 anos atrás, quando 28 por cento da produção econômica estava diretamente relacionada com a produção de bens em solo dos EUA. Hoje em dia, é menos da metade; 11,5 por cento.

Você já ouviu falar sobre o efeito NAFTA? Se você não sabe o que é NAFTA seria uma ótima idéia perguntar para o Bill Clinton e Al Gore, os pais desta criança. O Acordo Norte-Americano de Livre Comércio assinado sob a administração Clinton seria, de acordo com Clinton e Gore, a melhor invenção desde que a linha de montagem entrou em existência. Ironicamente, o NAFTA é o principal responsável pelo extermínio das linhas de montagem nos Estados Unidos.

O livre comércio não é ruim quando existem condições iguais para todos os participantes, ou onde a renda pode compensar a perda em outras áreas, se você entende o que quero dizer. No entanto, este não é o que o NAFTA fez para os EUA depois de ter sido assinada por Clinton em 1994. Os defensores do NAFTA contradizem a idéia de que este acordo foi negativo para os EUA porque dizem que os EUA experimentou um aumento significativo do PIB, como resultado da implementação deste tratado. Muitas vezes aspectos macroeconômica pré NAFTA são comparados a estes mesmos aspectos post NAFTA para fazer os seus argumentos. Os resultados positivos são apresentados e descritos em termos macroeconómicos porque é mais fácil de criar pontos de discussão para alimentar a mídia, que então regurgita estes pontos para o público. No entanto, como vimos anteriormente, o NAFTA é responsável pela perda de empregos na indústria. Esta perda não ocorreu logo após a implementação do NAFTA, como a maioria das empresas não se mudaram ao exterior imediatamente. A perda de postos de trabalho fora de controle veio no final dos anos 90 e durante os primeiros anos do século 21. Um único relatório do economista Robert Scott, do Instituto de Política Econômica mostra como foi a perda de pelo menos 700.000 postos de trabalho devido ao NAFTA. Leia o relatório completo “Southbound” comércio México-EUA e deslocamento de trabalho após o Nafta. ” Opiniões sobre o NAFTA como ajudou ou prejudicar a economia dos EUA ainda são numerosos, mas a verdade é que a prova está no pudim.

Bye, bye sonho americano

Eu pessoalmente não acredito no sonho americano, então me perdoe se você acredita. Mas se era real em algum momento, talvez as pessoas em os EUA (99 por cento delas) concordaria que desapareceu nos últimos dez anos. Dependendo de quem você pergunte, o símbolo mais importante do sonho americano inclui possuir uma casa, embora na maioria dos casos as pessoas não são donos de suas casas, se não os bancos. Este é outro aspecto que mudou nos Estados Unidos na última década. Embora o novo milênio viu um número crescente de americanos recebendo empréstimos para comprar casas, agora sabemos que foi apenas uma bolha planejada, e que deveria explodir e deixar milhões de desabrigados em todo o país. E assim foi que aconteceu.

Não importa o quanto a mídia diga que a crise vai acabar a curto prazo. Junto com o aprofundamento do desespero econômico, possuir um imóvel também se torna muito difícil. O número de proprietários de imóveis em os EUA caiu 66 por cento. Este valor vem do Censo dos EUA, publicado apenas cinco dias atrás. Mas o fato que existem pessoas sem um lar não é um assunto novo. Esta é uma tendência que os americanos viram mais fortemente nos últimos três anos. Junto com a queda na taxa de compra de casa própria, está a queda nos preços das casas a uma taxa de 1,3 por cento em novembro e 3,7 por cento em outubro. Os valores acima são uma lembrança das condições vistas na época da Grande Depressão. Assim, quando os meios de comunicação corporativos dizem que o país está se recuperando, você pode ter certeza que é uma das mentiras mais audaciosas que já ouviu. Pode ser diferente para Wall Street, é claro.

As duas principais razões para o declínio no numero de pessoas com casa própria? A falta de crédito disponível, o que é devido à falta de dinheiro e as poucas opções de financiamento para os potenciais proprietários. O economista Paul Dales disse que mesmo se as pessoas querem ter uma casa, é difícil comprar porque não há financiamento para uma hipoteca. É um risco financeiro ajudar alguém se os preços das casas continuam a cair este ano e em 2013. O número de imóveis desocupados chega a 2,5 por cento, todo o estoque a partir do qual os compradores podem escolher. Mas existem compradores? Sem dúvida, existem muitas pessoas sem abrigo que precisam de um lugar para dormir. A queda no numero de pessoas com casa própria tem visto seu pior na Costa Oeste, onde a taxa atingiu 60,1 por cento, de acordo com dados do censo. Este cenário não é surpreendente, porque se as pessoas não têm emprego, empregos bem remunerados e estáveis, enquanto eles são escravos do IRS, não se pode esperar que sejam se tornem proprietários de um imóvel.

Uma ferramenta de último recurso: o álcool?

Tempos de desespero pedem medidas desesperadas. Quais são as chances de que a venda de álcool aumente anualmente durante uma crise econômica? De maneira nenhuma digo que este aumento é uma conseqüência direta da crise global, mas não seria uma surpresa. “Os embarques de uísque, rum, vodca e conhaque em 2011 aumentou 2,7 por cento sobre o ano anterior – o maior aumento em cinco anos, segundo dados da indústria”, informa a Fox News. A taxa de 2,7 por cento não parece muito, mas se esse percentual é quantificado, talvez possamos ter uma melhor perspectiva. “As vendas de produtos das melhores marcas alcoólicas subiu 5,3 por cento no ano passado, em linha com a média pré-recessão de 5,8 por cento. Pelo menos sabemos que setor da economia tem potencial para crescer. Então, se livre de seu fundo de garantia, poupança e outros produtos financeiros e compre de alimentos não perecíveis, água e talvez acoes da indústria do álcool?

About the author: Luis Miranda

Luis Miranda is the Founder and Editor-in-Chief at The Real Agenda. His career spans over 17 years and almost every form of news media. He attended Montclair State University's School of Broadcasting and also obtained a Bachelor's Degree in Journalism from Universidad Latina de Costa Rica. Luis speaks English, Spanish Portuguese and Italian.

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