|Thursday, March 23, 2017
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O Brasil à Venda ao Melhor Lance 

Brasil

O governo chinês e empresas estrangeiras estão à procura de ofertas para adquirir terras e infra-estrutura.

A crise econômica e política brasileira e a valorização de quase 50% do dólar americano frente ao real nos últimos 12 meses têm fornecido aos investidores estrangeiros o cenário ideal para comprar praticamente qualquer coisa que está à venda.

Por um lado, os empresários brasileiros têm uma corda amarrada ao pescoço com a desaceleração da economia derrubando a demanda de produtos e serviços enquanto o dólar sobe e a dívida pública e privada aumenta de forma acelerada.

Além disso, possuir moeda estrangeira em seus bolsos dá a oportunidade de comprar ativos brasileiros a preços mais baixos.

No ano passado, o número de aquisições de empresas brasileiras por investidores estrangeiros superou o de investidores nacionais, de acordo com um estudo da consultoria multinacional KPMG.

Em 2015, no entanto, as transações de fusões e aquisições no Brasil caiu 5,5% em comparação com o ano anterior.

“A atual situação econômica e a desvalorização do real em relação às principais moedas estrangeiras pode ter acelerado a entrada e expansão de empresas internacionais no Brasil, apesar do agravamento das perspectivas de crescimento e do risco de investir no país ter se tornado mais elevado”, explica Luis Motta, sócio da KPMG.

Em 2015, 773 fusões e aquisições foram feitas no Brasil. Deste total, 296 foram feitas com capital estrangeiro.

Um número ainda mais elevado foi obtido ao adicionar as 102 transações estrangeiras entre empresas brasileiras que foram vendidas ou compradas no ano passado.

Os setores com mais transações na economia brasileira foram tecnologia da informação (121 compras), empresas de Internet (70 compras) e produtos alimentares, bebidas e tabaco (65 compras).

A venda da divisão de cosméticos na Hypermarcas, dona de linhas tais como Bozzano, Monange, Risqué e Biocolor à multinacional Coty, por 3,8 bilhões de reais, foi um dos mais significativos, de acordo com Rogério Gollo, sócio brasileiro da PwC e um especialista em fusões e aquisições.

Aparentemente, a estratégia da empresa era reduzir a sua dívida e se concentrar na área farmacêutica.

Para Gollo, tais aquisições por empresas estrangeiras continuarão aumentando e a tendência é que a diferença entre as operações nacionais e estrangeiras também subam.

“Consultas sobre operações estão aumentando e agora é, basicamente, o único fator que atrai o investimento estrangeiro”, explica ele.

Este incentivo deve continuar por algum tempo, de acordo com especialistas do mercado, que acreditam que o dólar continuará no nível que está agora, cerca de 1 dólar por cada quatro reais.

Na quarta-feira, o dólar foi negociado a mais de 4,10 reais. O número é o mais alto desde setembro.

“Esse movimento de aquisições por parte de estrangeiros é positivo, já que há um fluxo de recursos para operar permanentemente no país.

Esses investidores podem trazer dinheiro ou vender sua propriedade e negócios no Brasil, o que é o tipo de investimento que o país precisa. “A questão é, quem se beneficia da atual tendência? Certamente não será o brasileiro.

Os investidores com mais apetite que querem tirar proveito deste ‘Brasil barato’  “são, principalmente, os setores de tecnologia, alimentos e varejo, disse Gollo.

Em termos do número de operações, os países que investiram no Brasil são os Estados Unidos e o Reino Unido.

“Os chineses têm força, mas fazem operações em sectores específicos, tais como infra-estrutura”, diz Rogério Gollo.

Uma das maiores transações do ano passado ocorreu no setor de eletricidade. A Chinesa Three Gorges Corporation adquiriu concessões das usinas hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira por 13,8 bilhões de reais ou US$ 3,3 bilhões, após a reunião entre a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro chinês, Li Kiqiang, no ano passado.

Outra grande operação ocorreu em novembro, quando o grupo chinês NHA fez a aquisição de 23,7% da companhia aérea Azul, em uma transação de 1,7 bilhões de reais ou US$ 416 milhões.

O Embaixador Luiz Augusto de Castro, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, também concorda que, apesar da recessão, há uma tendência para comprar ativos brasileiros.

“O Brasil é uma economia importante, um enorme mercado. A crise assusta os investidores que pensam em um tempo relativamente curto. No entanto, aqueles que têm uma visão estratégica e pensam em resultados em 10 anos querem comprar agora. Eles sabem que a recessão vai passar”, diz ele.

Para a China, o investimento no Brasil vai além dos preços dos ativos mais baixos. A estratégia é exportar capital em um momento de transição no seu modelo econômico.

“Mas esta mudança, que terá mais ênfase no mercado interno, vai levar algum tempo.

A economia chinesa cresceu imensamente com base nas exportações e, agora, tem uma grande capacidade ociosa com excesso de capital e não tem onde investir.

Por seu lado, o Brasil carece de investimentos em infraestrutura, que é no que os chineses têm interesse em investir”, explica.

Os investidores chineses também estão preparados para entrar no setor rodoviário no Brasil. O governo brasileiro está em negociações avançadas para vender a BR-153, no trecho entre Anápolis (GO) e Palmas (TO), concedida à Galvão Engenharia, que está envolvida no esquema de corrupção da Lava Jato e que nunca começou a construção da auto estrada.

A Ferrovial espanhola também demonstrou interesse em alguns leilões de aeroportos e rodovias no Brasil, segundo a imprensa local.

Assim como está acontecendo com infra-estrutura, outros setores da economia brasileira também estão sendo adquiridos por interesses estrangeiros.

Este mês, Cúbico Investimentos Sustentáveis, uma empresa que pertence ao banco espanhol Santander e fundos acionistas canadenses, anunciou a compra de dois parques eólicos por 2 bilhões de reais ou US$ 489.000.000, da desenvolvedora brasileira Casa dos Ventos.

A instalação está localizada no nordeste do país. O chefe do Cúbico Brasil, Eduardo Klepacz, destaca, de acordo com a Reuters, que a força financeira da empresa será um “diferencial” no mercado brasileiro de energia elétrica, que é um dos que mais sofrem para atrair investimento. “Estamos fazendo uma aposta de longo prazo”, disse ele.

O caso do Brasil não é novo. Temos visto como os governos estaduais e o governo federal nos Estados Unidos leiloaram rodovias, pontes e estradas.

Eles também confiscaram ilegalmente terras públicas e privadas para leiloá-las para o maior lance, o que, no caso dos EUA, têm sido as empresas chinesas que são de propriedade do Partido Comunista.

Na Grécia, as políticas neoliberais da Troika fizeram com que o governo organizasse leilões abertos onde ilhas gregas e infra-estrutura foram adquiridas por tostões.

O Brasil é apenas um dos vários países em desenvolvimento onde a crise econômica mundial e a péssima gestão das finanças públicas pelas elites políticas corruptas resultaram na deterioração que todos nós sabemos.

Em termos simples, o Brasil está sendo tirado do povo brasileiro e sendo entregue aos interesses estrangeiros que têm o dinheiro para adquirir partes significativas de sua infra-estrutura e território.

A venda de ativos brasileiros começou com a descoberta do pré-sal e continuou com os projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Agora, os investidores estrangeiros, aqueles que pertencem ao 1% mais rico da população, estão saqueando os ativos valiosos que o país tem.

Por exemplo, a selva amazônica está sendo destruída por fazendeiros e corporaçōes que estão destruindo a floresta para plantar sementes transgênicas.

Tudo isso está acontecendo com a complacência de um governo federal que não está interessado em conservar os ativos dos pais, mas, sim, em mater viva a estrutura atual para poder se manter no poder.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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