|Sunday, December 17, 2017
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Elite Corrupta Brasileira mais perto de Enfrentar a Justiça 

Elite Corrupta Brasileira

Luiz Inácio Lula da Silva, o engraxate que cresceu para se tornar o primeiro presidente da classe trabalhadora do Brasil, ainda é um herói para milhões de brasileiros que não sabem nada sobre o seu lado escuro e um símbolo de mudança no maior país da América Latina.

Sua detenção temporária e interrogatório na última sexta-feira, em conexão com um enorme escândalo de corrupção pode transformá-lo em um símbolo de outro tipo: o símbolo do fim da impunidade no país sul-americano.

O trabalhador e líder sindical metalúrgico de 70 anos de idade que governou o Brasil entre 2003 e 2010, governou enquanto o país desfrutava o que muitas pessoas achavam o que era um boom econômico, mas que mais tarde foi descoberto ser uma fantasia.

O mesmo capital estrangeiro que empurrou o país para a cena internacional também o tornou um dos piores durante os primeiros anos da administração Rousseff.

Agora, o presente e o futuro do Brasil são incertos. A recessão que tinha começado durante o seu mandato piorou rapidamente sob Dilma Rousseff, o que, juntamente com o escândalo de corrupção que agora atinge Lula e Rousseff, faz com que a atual presidente lute pela sua sobrevivência política. Tudo isto ocorre enquanto milhões de brasileiros lamentam a oportunidade perdida para se juntar aos países desenvolvidos.

Os promotores argumentam que o governo Lula supervisionou um esquema de suborno na Petrobrás, a gigante estatal de petróleo, que serviu para financiar campanhas para o partido que tem controlado o Brasil por mais de 13 anos; o Partido dos Trabalhadores.

“Eu nunca poderia imaginar que isso iria acontecer agora no Brasil”, disse Gil Castello Branco, fundador do Contas Abertas, um supervisor do Governo na capital, Brasília. “A sociedade civil está agora verdadeiramente acreditando em uma nova era, com menos corrupção e menos impunidade”, acrescenta.

Lula, que não foi acusado e foi imediatamente libertado após interrogatório pela polícia, negou que qualquer lei foi violada. Poucas coisas poderiam causar mais danos ao partido no poder do que uma condenação criminal de Lula, que continua a ser a sua principal figura.

A ascensão de Lula é um livro de história que muitos consideram uma metáfora do Brasil moderno.

Ele superou uma infância pobre no nordeste do Brasil que o fez migrar para os subúrbios industriais de São Paulo. Lá, ele se tornou um engraxate que também trabalhou em uma lavanderia antes de iniciar um curso que o ajudou a encontrar um emprego em uma fábrica de automóveis.

Seu caráter brusco, mas carismático, lhe permitiu tornar-se um líder do movimento sindical brasileiro, que realizou ataques contra a ditadura militar em meados da década de 1980. Lula foi a voz do desconforto de uma subclasse de trabalhadores na maior economia da América Latina.

Com o retorno da democracia ao Brasil, Lula ajudou a formar o Partido dos Trabalhadores em 1986 e foi eleito legislador.

O lado obscuro

Antes de ser eleito presidente, Lula se candidatou três vezes para o mais alto cargo da nação. Parte do seu fracasso originou-se nas classes média e alta, que o consideravam um radical por seus discursos contra a Elite.

Em 2002, ele cortou a barba, vestiu um terno e prometeu respeitar os compromissos financeiros do Brasil. Sua eleição como presidente coincidiu com o início de uma década de altos preços das matéria-primas, o que ajudou a economia brasileira a crescer.

O sucesso temporário não obedeceu a uma gestão brilhante do país que é o que membros do Partido dos Trabalhadores gostam de pensar.

Quando ele deixou o governo em 2011, com 80 por cento de apoio nas pesquisas, o PT conseguiu eleger o seu sucessor: Dilma Rousseff.

Não muito tempo depois que Lula deixou o cargo, o Brasil pôde ver o lado escuro de seu legado. O aumento dos preços das matérias-primas desapareceu e, com isto, acabou o sonho brasileiro de se tornar uma nação desenvolvida. A crescente crise global expôs a realidade de oito anos de Lula no poder.

Lula e o Partido dos Trabalhadores não só não fizeram nada para tirar o Brasil da miséria, tal como diversificar a atividade econômica do país, mas, também, irresponsavelmente, aumentaram o gasto público para realizar muitas das promessas que Lula tinha feito durante a sua campanha.

O resultado da má gestão das finanças brasileiras durante a era Lula, que por sinal contou com a cumplicidade de outros partidos políticos, resultou na situação que vemos hoje.

Infelizmente, a economia não foi o único tsunami que começou a se mover em direção à costa do país.

“Eu sinto angústia ao ver o que acontece”, disse Claudio da Silva, um homem desempregado de São Paulo que estava correndo para se juntar a uma multidão esperando para apoiar o ex-presidente na sexta-feira.

“Lula é um homem de origens humildes que subiu ao topo, deixando um legado de progresso social e um Brasil melhor”, disse ele.

Após dois anos de investigações, há dezenas de detidos, incluindo executivos da indústria da construção e políticos acusados ​​de suborno em troca de contratos com a Petrobrás.

Estes casos de corrupção aconteceram durante o governo Lula e continuaram durante a presidência Rousseff.

No processo da operação, a polícia descobriu uma rede de corrupção na Petrobrás, bem como uma série de problemas financeiros e políticos que afetam pessoas que estão perto do governo.

Sobre a questão do dinheiro desviado durante transações ilegais, a acusação estima que o valor total defraudado do contribuinte brasileiro, entre 2004 e 2012, é de cerca de 8 bilhões de dólares, o maior escândalo de corrupção nos anos da democracia brasileira.

Os desenvolvimentos chocantes dos escândalos de corrupção tiveram início em 17 de Março de  2014, quando a Polícia Federal desmantelou uma quadrilha acusada de ter lavado quase 10 bilhões de reais, cerca de 4,3 bilhões de dólares em títulos e dinheiro de origem ilegal.

Na operação, 28 pessoas foram presas. Eles foram acusados ​​de formação de quadrilha dedicada a lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos, corrupção, contrabando de pedras preciosas e tráfico de drogas, entre outros crimes.

Dias depois, a polícia prendeu o ex-diretor da Refinaria e Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa.

Em setembro do mesmo ano, Costa divulgou detalhes de um sistema de corrupção envolvendo deputados, senadores e políticos do Partido dos Trabalhadores e seus aliados do PMDB e do Partido Progressista.

O processo detalhava o pagamentos de propinas a dezenas de políticos milionários por empresas de construção que receberam a autorização para trabalhar com a Petrobrás entre 2004 e 2012.

Em dezembro de 2014 outras 35 pessoas, incluindo 22 ligados a seis empresas de construção no Brasil, foram notificados pelo Ministério Público do Estado do Paraná por suposto envolvimento no caso.

No  meio de um forte descontentamento popular, Rousseff admitiu que a corrupção na Petrobrás impedia a formação do Conselho de Ministros, mas renovou sua confiança na presidente da Petrobrás, Graça Foster. No entanto, em fevereiro, ela e outros cinco executivos calmamente deixaram a empresa estatal de petróleo sem ter que enfrentar nenhuma investigação.

Um dia depois, a polícia prendeu o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, enquanto Aldemir Bendine, um banqueiro e amigo íntimo da elite do PT foi apontado por Dilma como o novo presidente da Petrobrás.

Em março de 2015, o procurador Rodrigo Janot, que investigou o envolvimento de políticos com privilégios na rede de corrupção, pediu a abertura de novas investigações contra 54 pessoas, incluindo políticos “intocáveis”.

O Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação de 49 políticos e funcionários, incluindo 22 deputados e 12 senadores em exercício, incluindo o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ambos do PMDB.

Em maio, a Justiça brasileira acusou quatro ex-deputados por suposto envolvimento no caso.

Investigações envolvendo Lula da Silva começaram em janeiro, quando o escritório do Procurador em São Paulo citou-o a depor em um caso de  lavagem de dinheiro, após a compra de um apartamento no balneário de Guarujá.

No final de fevereiro, a Polícia Federal lançou uma nova fase da operação, com a implantação de 51 novos mandatos judiciais.

Vendo que a sua detenção estava mais próxima, Lula da Silva decidiu escrever um documento para começar a sua defesa. Lembre-se, este é o homem que chora na frente de seus seguidores e que diz que ele não tem feito nada de errado e que ele não tem nada a temer.

Em 2 de março, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados do Brasil aprova uma iniciativa para continuar o processo que pode custar sua posição ao presidente desse órgão legislativo, Eduardo Cunha, por seu suposto envolvimento em casos de corrupção relacionados com a Petrobrás. No dia seguinte, o Supremo aceita, por unanimidade, acusaçōes contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Pouco tempo depois, um juiz ordena a detenção de João Santana e sua esposa, Monica Santana. Estes dois foram responsável pelas campanhas eleitorais dos presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da República Dominicana, Danilo Medina.

Na semana passada, Luiz Inácio Lula da Silva, o homem intocável do Partido dos Trabalhadores foi escoltado pela Polícia Federal para o aeroporto internacional de São Paulo, onde foi interrogado em conexão com a investigação de corrupção em curso.

Poucos dias depois da detenção do Lula, muitos brasileiros estão se perguntado se a elite corrupta está mais perto de enfrentar a Justiça ou se tudo isto é apenas um sonho.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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