|Thursday, January 18, 2018
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O Brasil será Chinês ou Petista em 2018 

Petista

SÃO PAULO – A caravana pre-eleitoral Petista de Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Rio de Janeiro dias atrás. O Rio é um dos últimos feudos da desgastada esquerda brasileira no país.

Lula fez sua primeira parada em Itaborai, para um realizar uma concentração em meio a obras inacabadas de uma mega refinaria da Petrobras.

A construção do complexo petrolífero de Rio de Janeiro, conhecida como Comperj, permanece paralisada há quatro anos devido à crise do empreendimento da empresa semi estatal e à investigação dos juízes do caso da Lava Jato que inclui empresas construtoras, muitas no setor petroleiro.

A visita de Lula à refinaria serviu para iniciar a sua campanha para 2018, ao tempo que mostrou a sua extrema debilidade como candidato a dez meses das eleições presidenciais de 2018.

Para o amargado votante brasileiro cujo poder aquisitivo caiu nos últimos anos, Comperj é un símbolo dos dias de bonança petroleira durante os mandatos de Lula, quando a economia supostamente crescia robustamente, segundo os dados do governo, criava 16 milhões de empregos netos e o governo do Partido dos Trabalhadores dizia que tinha tirado 30 milhões de pessoas da pobreza.

A magia do Pre-sal

O descobrimento das gigantescas reservas petrolíferas do Pre-sal, que se esconde no Atlântico embaixo de uma camada de sal a 2.000 metros de profundidade, converteu o Brasil em um favorito de investidores e meios de comunicação.

“Deus é brasileiro!”, dizia o Lula quando falava do Pre-sal.

Para o estado do Rio de Janeiro, muito dependente dos impostos sobre a exploração petroleira, a diminuição na atividade econômica gerada pelo Pre-sal causou muitos problemas.

Petrobras efetuou investimentos gigantescos que alcançaram 46 bilhões de dólares em 2011.

O dinheiro foi dedicado em parte a infraestrutura para poder extrair o petróleo e refinar o produto para exportação.

Rapidamente a Petrobras tornou-se a queridinha dos bancos e dos mercados internacionais. A empresa, então brasileira, acumulou a maior dívida da história.

Para a construção de Comperj, Petrobras investiu 13 bilhões de dólares e mais de 10.000 pessoas foram empregadas na construção do polo petroquímico, em uma zona muito deprimida do Rio.

Mas a crise económica, o colapso do preço do petróleo e a operação anticorrupção na qual a Petrobras estava envolvida pararam tudo.

“Quando chegou a Lava Jato, tudo acabou”, lembrou Sérgio Gabrielli, ex conselheiro da Petrobras quem ajudou Lula a colocar o primeiro tijolo da Comperj em 2006.

Privada da sua renda petroleira, o Rio de Janeiro quebrou.

Brasil da elite Petista ou da China

Agora, Comperj pode continuar avançando através de um acordo com as empresas chinesas, Shandong Kerui e CNPC, que formaram parte de uma onda de investimentos do país asiático que chega a 9 bilhões de euros em um ano.

A venda parcial da Petrobras e outras empresas estatais está sendo feita a “preços atrativos” devido à queda do Real, a moeda brasileira.

Lula descorda destas vendas e prefere manter controle total ou quase total para poder fazer o que seu grupo elitista de esquerda estava fazendo até serem descobertos.

“Quando ideamos Comperj, visualizamos uma refinaria em colaboração com o setor petroquímico em uma região muito necessitada”, disse Lula em Itaborai. Agora “está sendo entregue aos chineses”, ele disse.

Enquanto procurava por investimento estrangeiro, o presidente Michel Temer eliminou o requisito de que a Petrobras fosse a principal operadora na exploração de reservas públicas de petróleo.

Além disso, Temer tem isentado impostos por mais de 300 milhões de euros para empresas como Total, Shell, a chinesa Cnooc e Repsol.

Como tínhamos dito há meses atrás, as empresas mais ricas do mundo estão se apoderando do Pre-sal.

O Ministro de Energia Fernando Coelho Filho reconheceu em outubro que a privatização definitiva da Petrobras “pode ​​ocorrer”.

“Eles estão aplicando a política do Jack o Estripador”, ironiza Sérgio Gabrielli.

Lula em ascensão?

Lula parece estar bem posicionado para cobrar os votos da maioria dos brasileiros que ainda acham que os tempos de vacas gordas foram pela sua causa e que, segundo as pesquisas, se opoēm à privatização de uma empresa que antes era considerada o símbolo do Estado brasileiro.

Mas a Comperj é também a prova inegável da cultura de corrupção que existiu na Petrobras sob Lula e sua afilhada politica, Dilma Rousseff.

Já é sabido que a construtora Andrade Gutierrez superfaturou as obras da Comperj com o fim de pagar subornos por milhões de euros a diversos politicos.

O grupo industrial Odebrecht, que se fez com o monopólio da instalação petroquímica é o epicentro do mega escândalo de corrupção que já se extende por toda a América Latina.

No caso de Comperj, o principal beneficiário foi o então governador do estado do Rio, Sérgio Cabral Filho, agora preso.

O juiz principal do caso Lava Jato, Sérgio Moro, concluiu que a empresa de construção da refinaria pagou subornos de mais de 100 milhões de reais para Cabral, membro do partido do atual presidente Michel Temer, por seu apoio na atribuição do trabalho.

Embora Lula não estivesse diretamente envolvido neste escândalo, as fotos do ex-presidente com Cabral na inauguração da fábrica de petróleo confirmam a idéia de que os tempos de bonança Lulista também foram tempos de corrupção endêmica.

Será que o acontecido na refinaria em Itaborai será decisivo para a candidatura de Lula?

Brasil não tem opções politicas reais

O projeto estratégico que criou emprego e que foi orgulho nacional, e que agora é visto como  símbolo da corrupção, irá ajudar ou prejudicar Lula?

A resposta depende do eleitor.

Em várias entrevistas com brasileiros de baixa renda, as memórias da boa situação econômica e programas sociais de Lula parecem mais decisivas do que acusações de corrupção.

“Se Lula é um candidato, acho que ele vai ganhar, porque ele fez muito para os pobres”, disse uma microempresária no interior de Minas Gerais.

Lula tem 30% da intenção de voto nas pesquisas, em comparação com 18% do candidato de direita Jair Bolsonaro.

No entanto, é provável que a entrada de Geraldo Alckmin, atual governador de São Paulo, como novo candidato do principal partido da oposição, comece a fechar essa lacuna.

Para um grande segmento do eleitorado nas grandes cidades, Lula é o último responsável pela corrupção.

Alckmin – que apoia a privatização parcial da Petrobras – acusou Lula de ser um ladrão que “retorna à cena do crime” após a visita do ex-presidente a Itaborai na semana passada.

Tendo dito tudo isso, é mais do que possível que Lula nem sequer possa aparecer.

O juiz Sergio Moro já acusou o ex-presidente de se beneficiar de reformas em um apartamento de praia perto de São Paulo realizado pela construtora OEA em troca da adjudicação de contratos à Petrobras.

Se um tribunal em Porto Alegre rejeitar o recurso dos advogados do Lula, o ex-presidente terá que se retirar das eleições.

Lula e seus advogados denunciaram a decisão de Moro como um caso em que um poder judicial é usado para alcançar fins políticos.

A decisão – de repercussões sísmicas para a democracia brasileira – será anunciada em 24 de janeiro.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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