|Saturday, July 21, 2018
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Redes Sociais Ameaçam os Estados Democráticos 

Redes Sociais

Culpar as redes sociais pela polarização política é como culpar as armas de fogo por tiroteios em massa

Poucas coisas me deixam extremamente irritado. Como, por exemplo, quando a liberdade de expressão é atacada. Quando isso acontece, minha explosão é inevitável.

A mídia dominante não pode impedir a democratização da informação, então, retratam a liberdade de expressão, entre outros direitos enraizados nas vidas de todos os seres humanos livres, como ameaça à democracia e aos Estados democráticos. Porém, a mídia dominante é que é a ameaça.

As verdadeiras ameaças à democracia e aos estados-nação são as verdades absolutas cuidadosamente filtradas impostas por grandes corporações multinacionais que controlam os porta-vozes das propagandas.

É exatamente porque a mídia tradicional não pode competir com a disseminação descentralizada de notícias e informações o motivo pelo qual se sente ameaçada por operações de mídia independentes e pela rapidez com que as mídias sociais ajudam a divulgar tal conteúdo.

Um dos resultados da democratização da informação através das mídias sociais é a realidade recém-descoberta de que os principais meios de comunicação estão obsoletos e não podem mais sobreviver em um mundo onde a informação está na ponta dos dedos, sem filtro, sem censura, crua e pronta para ser consumida.

De acordo com Gordon Hull, professor de filosofia da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, que se chama especialista em repercussões sociais e políticas da tecnologia, “as mídias sociais estão enfraquecendo algumas das condições sociais que, historicamente, permitiram a existência dos estados democráticos “.

O Professor Hull estaria certo se você acredita que a ignorância em massa e a informação filtrada são melhores para a sociedade. Talvez ele não tenha conhecimento da cumplicidade entre as elites governantes e a mídia dominante que pretende manter o público o mais ignorante possível.

Perda de controle e Russofobia

Pessoas como Hull têm uma visão coletivista de que as informações devem ser censuradas se forem feitas para “o benefício da sociedade”, ao invés de deixar o público decidir no que acreditam com base em seu próprio julgamento.

A base para a afirmação do professor Hull é a mentira amplamente disseminada que a Rússia interveio nas eleições dos EUA em 2016 e que tal intervenção afetou o resultado em favor de Donald J. Trump.

“Eu entendo que é uma declaração drástica e não espero que ninguém acredite imediatamente. Mas, considerando que quase metade de todos os eleitores recebeu falsas notícias promovidas pelos russos no Facebook é um argumento que deve ser discutido, “disse Hull.

Hull explica que os principais meios de comunicação social, como os jornais, desempenham um papel importante no fornecimento de identidade nacional em qualquer país e que o estado democrático depende desse sentimento de identidade para ser coeso.

É engraçado que Hull mencione tal ideia porque é precisamente a mídia que ele cita como fornecedora de identidade nacional que, nos últimos 8 anos, tentou destruir a identidade nacional dos países ocidentais promovendo e, em muitos casos, exigindo a assimilação forçada de estrangeiros ilegais.

É a sensação de que somos todos iguais e de que todos estamos no mesmo barco que permitiu que as elites governantes pacificassem as massas.

Uma sociedade não é coesa ou igualitária porque seus membros são todos igualmente ignorantes, o que Hull parece fornecer como a razão desse sentimento de identidade em massa.

Infiltração cognitiva para aquiescer o público

O professor Hull cita obras escritas por Cass Sunstein e Lawrence Lessig que argumentam que é perigoso quando as pessoas decidem quais informações querem ler.

Cass Sunstein é um conhecido liberal pró-censura que apoia a infiltração cognitiva como forma de controlar a mente das pessoas. De acordo com “estudiosos” como ele, é uma loucura pessoas conversarem umas com as outras para trocar informações sobre o que lêem ou assistem na TV e como isso pode ser um monte de mentiras.

Pessoas como Hull, Sunstein e outros preferem que o público obtenha suas informações diretamente da mídia convencional em vez de ter a capacidade de conversar um com o outro, divergir e questionar se algo é verdadeiro ou não.

Pessoas que divergem e questionam histórias oficiais são, muitas vezes, chamadas de “teóricos da conspiração”, um termo depreciativo usado para ridicularizá-los.

O problema desses especialistas autoproclamados é que, com mais pessoas envolvidas na coleta de notícias e informações, é mais difícil para a mídia principal mentir sem ser descoberta.

Hull e Sunstein apoiam a coesão social, desde que seja um sistema controlado. Pois tal sistema serve os propósitos da elite governante, da qual eles, provavelmente, se sentem parte.

Em suas mentes, é positivo quando as pessoas se sentem incluídas enquanto esse sentimento seja controlado pela mídia e seus executivos que desejam que a sociedade seja composta por robôs obedientes e desinformados.

Nem a mídia dominante nem os chamados ëstudiosos”querem que o público dê forma ao discurso porque esse papel lhes foi reservado ao longo de centenas de anos.

Veja este vídeo como um exemplo:

As redes sociais permitem o auto-empoderamento

Embora os principais meios de comunicação tenham sido os principais responsáveis por notícias falsas, Hull cita as mídias sociais como uma ameaça à informação real.

“Os indivíduos só recebem, basicamente, o tipo de informação que eles próprios selecionaram anteriormente ou, e isso é ainda mais perigoso, que outros decidiram que eles estariam interessados ​​em saber”, diz ele.

O professor Hull acredita que as pessoas não possuem a capacidade de ler e tomar uma decisão por conta própria. Em vez disso, ele parece sugerir, o público deve ser informado do que eles precisam saber.

“A publicidade específica usada nas notícias do Facebook ajuda a criar filtros de bolhas. A publicidade no Facebook funciona determinando os interesses dos usuários com base nos dados que eles coletam de suas pesquisas, seus gostos e assim por diante. É uma operação muito complexa”, explica Hull.

Não posso acreditar que o Professor Hull não conheça a diferença entre publicidade e informação, mas estou certo de que o público está aprendendo a fazer essa diferença e a Internet e as mídias sociais são grandes razões para isso.

Contornando a censura, a desinformação e as notícias falsas

Hoje, as pessoas não só conseguem bloquear as informações que entendem que não são úteis, como também podem escolher quais informações querem ver primeiro, assim como um assinante de tv a cabo pode mudar os canais com um controle remoto.

Por exemplo, passar pela censura do Google e algoritmos difíceis é tão fácil quanto, ao invés,  usar o Startpage.com. Superar a censura do Twitter é tão fácil quanto usar Gab.ai.

De acordo com Hull, clicar em CURTIR ou COMPARTILHAR em uma publicação no Facebook sugere que a pessoa não verificará de forma independente a veracidade da informação pela qual acabou de demonstrar interesse.

“O problema é que, dentro de um filtro de bolhas, a pessoa nunca recebe as notícias com as quais não concorda. Isso levanta dois problemas: primeiro, nunca há uma verificação independente dessas notícias”, afirma.

Como o professor Hull chegou a essa conclusão? Ninguém sabe porque nenhum estudo pode determinar adequadamente a maneira de pensar de cada um. No entanto, Hull cita um estudo de psicólogos não identificados que explicam o termo confirmação pré-concebida.

Hull acredita que as pessoas que obtêm informações através de mídias sociais são afetadas negativamente pela confirmação pré-concebida, por isso não estão qualificados para tomar uma decisão quanto ao que é real e o que não é.

Hull cita outra pesquisa realizada por Yale que explica como “as pessoas estão dispostas a interpretarem novas evidências levando em consideração as crenças associadas aos seus grupos sociais”.

Isso não é o que acontece com pessoas que assistem notícias da mídia tradicional? Eles não são enganados por mentiras todas as noites nos telejornais?

Informação, não Polarização

Ao tentar desconstruir o artigo de Hull, publicado em “The Conversation”, percebi que ele baseia sua crítica às mídias sociais no modelo de negócios do Facebook, que segundo ele, “manipula as emoções dos usuários, que estão mais satisfeitos quando vêem coisas com as quais concordam.”

Em primeiro lugar, Hull subestima a capacidade do público de discernir entre notícias falsas e notícias reais, como se todos no Facebook fossem igualmente incapazes de fazer tal distinção.

Em segundo lugar, ele associa, continuamente, o seu argumento contra o papel das mídias sociais na democratização da informação à falsa notícia que afirma que a Rússia influenciou as eleições dos EUA. Hull é, de fato, um fornecedor de falsas notícias. Qual credibilidade ele pode ter como erudito ou como formador de opinião?

Nenhuma.

Apesar das crenças de Hull, as mídias sociais não são as principais fontes de notícias falsas e, sim, os meios de comunicação tradicionais. A maioria das reportagens da mídia tradicional é tão verdadeira quanto uma nota de  3 reais.

Em seu artigo, Hull denuncia o fim dos grupos demográficos e o nascimento de grupos meramente políticos. Esse tipo de separação existe há décadas, não é algo novo.

As pessoas não votam conscientemente há anos. Eles sempre votam pelo candidato que, aparentemente, está ganhando, de acordo com o relatório da mídia. As pessoas sempre votaram a favor de suas crenças políticas e não com base na demografia ou etnia.

Os ricos sempre votam para o candidato que promete reduzir seus impostos e os pobres votam a favor do candidato que promete taxar os ricos para transferir dinheiro para eles.

O tipo de polarização que Hull fala é gerado por partidos políticos, suas figuras-chave e os principais meios de comunicação, não pelas mídias sociais. Na verdade, a polarização é mais frequente em pessoas que menos usam a internet.

A falta de acordo sobre saúde, ambiente, política energética ou qualquer outra questão de importância social não tem nada a ver com a polarização, mas com interesse pessoal e o interesse pessoal depende da situação de um indivíduo em um momento específico.

Culpar as redes sociais pela polarização política é como culpar as armas de fogo por tiroteios em massa. A informação é uma arma, mas é o que as pessoas escolhem fazer com ela que importa.

A verdadeira ameaça contra o Estado-nação é ter um ministério da verdade que não possa ser contestado, composto por meios de comunicação que apenas servem os interesses da elite governante.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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