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Wall Street responsável pelo Golpe de Estado no Brasil 

Golpe de Estados no Brasil

O controle sobre a política monetária e a reforma macro-econômica era o objetivo final do golpe de Estado. As nomeações importantes do ponto de vista de Wall Street são o Banco Central, que domina a política monetária, bem como operações de câmbio, o Ministério das Finanças e o Banco do Brasil.

Em nome de Wall Street e do “consenso de Washington”, o “governo” interino de Michel Temer nomeou um CEO de Wall Street, que tem cidadania Americana, para dirigir o Ministério das Finanças.

O novo presidente do Banco Central do Brasil Ilan Goldfajn (direita) foi nomeado por Temer para dirigir o Banco Central. Goldfajn foi7000942010011009801379no economista-chefe do Itaú, o maior banco privado do Brasil. Goldfajn tem laços estreitos tanto com o FMI quanto com o Banco Mundial. Ele é um compadre financeiro do Meirelles.

Contexto histórico

O sistema monetário do Brasil sob o plano Real tem sido fortemente dolarizado. As operações da dívida interna são condizentes com uma dívida externa crescente. Wall Street tem o objetivo de manter o Brasil em uma camisa de força monetária.

Desde o início do governo de Fernando Henrique Cardoso, Wall Street tem exercido controle sobre entidades econômicas-chave, incluindo o Ministério das Finanças, o Banco do Brasil e o Banco Central. Sob os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio da Silva, a nomeação do governador do Banco Central tem sido aprovada pelos interesses de Wall Street.

Cardoso, Lula, Temer são homens de Wall Street

440px-Arminio_Fraga_Neto_World_Economic_Forum_on_Latin_America_2009_cropped-224x300Arminio Fraga: presidente do Banco Central entre 04 de março de 1999 e 1 de Janeiro 2003 (à esquerda) foi gestor de hedge funds e associado de George Soros, no Quantum Fund, New York. Fraga tem dupla cidadania Brasileira e Americana.

Juntamente com Fraga, Meirelles, foi presidente e COO do Bank Boston (1996-1999) e Presidente da Global Banking do FleetBoston Financial (1999-2002). Em 2004, FleetBoston fundiu-se com o Bank of America.

Antes da fusão com o Bank of America, FleetBoston era o sétimo maior banco nos EUA. Bank of America é atualmente o segundo maior banco do pais.

Depois de ter sido demitido por Dilma em 2010, Meirelles fez seu retorno. Ele foi nomeado Ministro das Finanças pelo “presidente interino”, Michel Temer.

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, maior banco privado do Brasil, foi apontado por Michel Temer para dirigir o Banco Central em 16 de maio de 2016. Goldfjan também tem dupla cidadania do Brasil e Israel.

Goldfajn já havia trabalhado no Banco Central sob Arminio Fraga, bem como sob Henrique Meirelles. Ele tem estreitos laços pessoais com o Professor Stanley Fischer, atualmente Vice-Presidente da Reserva Federal dos EUA. A nomeação de Golfajn ao Banco Central foi aprovada pelo FMI, o Tesouro dos EUA, Wall Street e a Reserva Federal dos Estados Unidos.

Vale a pena notar que Stanley Fischer havia ocupado anteriormente o cargo de Vice-Diretor do FMI e do Governador do Banco Central de Israel. Ambos Fischer e Goldfajn são cidadãos israelenses, com laços com o lobby pró-Israel.

Nomeação de Dilma Rousseff ao Banco Central não foi aprovado por Wall Street

Alexandre Antônio Tombini, presidente do Banco Central entre 2011 e 2016 é funcionário de carreira no Ministério das Finanças e tem cidadania Brasileira.

Contexto histórico

No início de 1999, na sequência imediata do ataque especulativo contra a moeda nacional do Brasil (Real), o presidente do Banco Central Professor Francisco Lopez, que havia sido nomeado em 13 de janeiro, foi demitido pouco depois e substituído por Arminio Fraga, um cidadão e funcionário da Quantum Fund de George Soros em Nova York.

“A raposa tinha sido nomeada para tomar conta do galinheiro”.

Mais concretamente os especuladores de Wall Street estavam no comando da política monetária do Brasil.

Sob Lula, Henrique Campos de Meirelles foi nomeado Presidente do Banco Central do Brasil. Ele já havia atuado anteriormente como presidente e CEO dentro de uma das maiores instituições financeiras de Wall Street.

FleetBoston foi o segundo maior credor do Brasil, após o Citigroup. Sua nomeação apresentava conflito de interesses, mas, mesmo assim, foi aprovada pelo Lula.

Henrique Meirelles foi um firme defensor do controverso Plano Cavallo da Argentina na década de 1990: um “plano de estabilização” de Wall Street, que causou estragos económicos e sociais.

A estrutura essencial do Plano Cavallo da Argentina foi replicada no Brasil sob o Plano Real, ou seja, a execução de uma moeda nacional conversível ao dólar.

O que este regime implica é que a dívida interna é denominada em dólar da dívida externa.

A partir da chegada de Dilma à presidência em 2011, Meirelles não foi renovado como presidente do Banco Central.

Soberania na política monetária

Nomeado Ministro das Finanças sob o “governo” interino de Temer, Meirelles apoia o chamado plano de “independência do Banco Central”.

A aplicação deste conceito falso implica que o governo não deve intervir nas decisões da instituição, uma situação similar à do Banco Central Americano, sobre o qual o governo não tem nenhum poder.

Estranhamente, o plano apoiado por Temer e Meirelles não tem restrições sobre o papel de Wall Street e a sua influência sob esta instituição.

A questão da soberania na política monetária é crucial. O objetivo do golpe de Estado era negar a soberania do Brasil na formulação da política macro-econômica.

Raposa de Wall Street

Sob Dilma, a “tradição” de selecionar uma raposa de Wall Street tinha sido abandonada com a nomeação de Alexandre Antônio Tombini, um funcionário público de carreira, que dirigiu o Banco Central do Brasil desde 2011 até 2016.

A partir da chegada de Michel Temer à presidência, Henrique Campos de Meirelles foi nomeado para chefiar o Ministério das Finanças. Por sua vez, Meirelles nomeou seus próprios comparsas para chefiar o Banco Central e o Banco do Brasil. Meirelles foi descrito pela mídia dos EUA como “amigável aos mercados”.

Até agora, estas são as nomeações feitas pelo governo de Michel Temer:

1. Henrique de Campos Meirelles, Ministro das Finanças,

2. Ilan Golfajn, Presidente do Banco Central do Brasil, nomeado por Meirelles

3. Paulo Caffarelli, Banco do Brasil, nomeado por Meirelles

Considerações Finais

O que está em jogo através de vários mecanismos -incluindo operações de inteligência, é a manipulação financeira, a propaganda e a desestabilização pura e simples da estrutura do Estado do Brasil e da economia nacional, para não mencionar o empobrecimento em massa do povo brasileiro.

Os EUA não querem lidar ou negociar com um governo nacionalista reformista soberano. O que a administração Obama quer é um estado proxy compatível com seus interesses.

Lula era “aceitável” para Wall Street porque ele seguiu as instruções dos banqueiros Americanos e do FMI.

Embora a agenda política neoliberal prevaleceu sob Rousseff, uma agenda reformista-populista também foi implementada.

Mas esta agenda reformista ficou longe dos interesses de Wall Street que patrocinava uma agenda macroeconômica diferente durante a presidência de Lula.

De acordo com o antigo Diretor do FMI, Heinrich Koeller, Lula foi “o nosso melhor presidente”:

“Estou entusiasmado [com o governo Lula], ele disse, mas é melhor que dizer que estou profundamente impressionado com o presidente Lula”(Conferência de Imprensa FMI, 2003).

Sob Lula, não havia necessidade de “golpe de Estado”. Luis Inacio da Silva havia endossado o “Consenso de Washington”.

O desaparecimento temporário de Henrique de Campos Meirelles após a eleição de Dilma Rousseff foi crucial. Wall Street não tinha aprovado as nomeações que Dilma fez para o Banco Central e o Ministério das Finanças.

Se Dilma tivesse escolhido reter Henrique de Campos Meirelles, o Golpe de Estado, muito provavelmente, não teria ocorrido.

O Regime Proxy dos EUA em Brasília

Um ex-CEO / presidente de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos e cidadão Americano, controla instituições financeiras importantes do Brasil e define a agenda macroeconômica e monetária para um país de mais de 200 milhões de pessoas.

Isso é o que pode ser chamado de Golpe de Estado realizado por Wall Street.

Tradução: Luis R. Miranda

About the author: Michel Chossudovsky

Michel Chossudovsky is an award-winning author, Professor of Economics (emeritus) at the University of Ottawa, Founder and Director of the Centre for Research on Globalization (CRG), Montreal and Editor of the globalresearch.ca website. He is the author of The Globalization of Poverty and The New World Order (2003) and America’s “War on Terrorism”(2005). His most recent book is entitled Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War (2011). He is also a contributor to the Encyclopaedia Britannica. His writings have been published in more than twenty languages.

Response to Wall Street responsável pelo Golpe de Estado no Brasil

  1. ANTONIO SERGIO FERREIRA BAPTISTA

    Artigo digno de jornalismo lixo. Nenhuma palavra sobre o assalto aos cofres públicos executado pelo melhor presidente que o Brasil já teve e sua organização criminosa. O Sr.Chossudovsky nada conhece da politica brasileira. Seu artigo é uma peça de ficção a serviço do PT. Lixo puro.

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