|Wednesday, May 22, 2019
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A conexão secreta entre a mente e o sistema imunológico 


sistema imunológico

Fatores emocionais podem melhorar ou piorar uma crise de saúde.

Alguma vez aconteceu que, depois de estar na cama, sofrendo um ataque de tosse que apareceu de repente, esse ataque desaparecesse tão rapidamente quanto veio uma vez que você entrou na sala de emergência?

Minutos antes, você estava tendo dificuldade em respirar enquanto pensava que ia se asfixiar.

Quando chegou no hospital, sua respiração agitada se acalmou. Só de saber que você estava perto do médico, fez com que o estresse respiratório desaparecesse.

Não havia necessidade de tomar qualquer remédio porque o culpado da crise respiratória não era o pólen ou o pêlo de cachorro, mas, sim, a ansiedade de estar nessa situação.

A experiência foi o resultado de uma grande quantidade de estresse que seu corpo foi capaz de somatizar e transformá-la em dor física, uma reação que, aparentemente, teve a mesma sintomatologia de um ataque de asma causado por uma reação alérgica.

As emoções podem melhorar ou piorar sua saúde

O cenário descrito acima é um sinal da ligação entre a psique e o corpo, uma relação que pode atormentar muitas pessoas e que, apesar de não ser nova na ciência, ainda guarda muitos mistérios.

Já faz muitos anos que os cientistas descobriram que fatores emocionais pode melhorar ou agravar uma alergia.

Pessoas nervosas são geralmente mais propensas a sofrer de ataques de espirros prolongados.

Estudos clínicos confirmaram uma alta incidência de sintomas psicossomáticos em pacientes com alergia.

Uma pesquisa mostrou que apenas 2% de 2.000 pessoas com coceira quando ingeriram alimentos mostraram-se verdadeiramente alérgicas quando os mesmos alimentos foram testados na pele.

Outro exemplo é um estudo alemão recente que mostrou que pacientes com rinite alérgica, apesar de não saber que estavam recebendo placebo, notaram que a coceira e as secreções diminuíam à medida que o tomavam.

O que esses estudos significam? Que a nossa mente é capaz de provocar uma alergia?

Os riscos são causados pela ansiedade e pela depressão

Alergias sempre acontecem em duas fases consecutivas: A primeira é a sensibilização, na qual há o primeiro contato com o alergeno externo através das mucosas ou da pele, desencadeando uma resposta imune no indivíduo, mas sem manifestações clínicas.

Em seguida, vem a fase alérgica ou reação, também chamada de fase clínica ou sintomática, quando os sintomas alérgicos desenvolvem um segundo contato com o alergeno.

Em estados emocionais negativos, como ansiedade e depressão, é mais provável que doenças relacionadas ao sistema imunológico se desenvolvam.

De acordo com estudos realizados em psicoimunologia, há uma relação entre exacerbações alérgicas e estresse. Este último pode piorar os sintomas alérgicos, desencadeando a ativação das células envolvidas na reação.

De acordo com esses estudos, fatores psicológicos influenciam, principalmente, reações alérgicas respiratórias, como rinite e asma, e doenças inflamatórias da pele, como dermatite, uma doença que causa inúmeros desconfortos.

Fatores psicológicos também afetam as reações alérgicas alimentares, onde emoções exacerbadas podem levar a reações tão fortes quanto quadros clínicos de anafilaxia, em que a vida do paciente pode estar em risco.

Sabe-se, agora, que os transtornos de ansiedade ocorrem com o dobro da freqüência em pessoas que tiveram crises de asma.

Sabemos que em situações de estresse – que afeta a memória – a ativação de uma parte do sistema nervoso chamado sistema vegetativo ou autônomo influencia o aparecimento de problemas de saúde.

Sabemos, também, que hormônios como os corticoides são produzidos em maior quantidade em momentos emocionais desagradáveis ​​e diminuem a capacidade de defesa do nosso sistema imunológico.

Infelizmente, os mecanismos pelos quais as emoções influenciam tais doenças não são totalmente conhecidos.

Em contra partida, os sintomas físicos também afetam a saúde mental

Você também pode sofrer a situação inversa: pacientes com distúrbios alérgicos acabam sofrendo de ansiedade ou depressão por causa dos sintomas causados ​​pela patologia.

Algumas pesquisas descrevem uma possível relação entre doenças do tipo alérgico e distúrbios de pânico e fobia, como a agorafobia.

Um estudo recente publicado na revista “Frontiers in Psychiatry” encontrou uma associação entre rinite, asma e dermatite com ansiedade e depressão.

Esta pesquisa sugere que o mesmo estresse gerado por ter que conviver com a coceira e outros desconfortos da alergia pode gerar episódios de depressão, embora os cientistas também tenham observado que o mesmo tipo de inflamação que leva a episódios alérgicos causa doenças psiquiátricas.

Algumas doenças alérgicas causam muito sofrimento e tal sofrimento não tem muita visibilidade.

É o caso das crianças que têm alergia a vários alimentos, algo que está se tornando mais frequente. Há alguns anos estas alergias alimentares eram muito raras, mas, hoje em dia, existem crianças com alergias alimentares graves.

São crianças saudáveis, mas se, acidentalmente, entrarem em contacto com o que lhes causa a alergia, provoca uma reacção que pode até levar à morte se não houver uma ação imediata.

Essas crianças vivem em constante angústia, pois têm muitas limitações e poucas pessoas estão conscientes de seu sofrimento.

Por exemplo, não é incomum que sejam excluídas de certas atividades escolares, passeios escolares, aniversários de colegas … por medo das reações alérgicas. Como tudo isso não terá impacto sobre seu estado psicológico e desenvolvimento?

É comum encontrar pacientes que tenham surtos de dermatite por estarem vivendo em situações familiares problemáticas ou por estarem em plena temporada de exames.

Outro exemplo são pessoas com dificuldade para respirar em períodos de intensa ansiedade, o que pode ser confundido com ataques de asma. Às vezes, chegar diferenciar ambas as condições é bastante difícil e pode levar, até, a tratamentos errôneos.

Dada esta situação, não seria uma má idéia ter profissionais de saúde mental em salas de emergência.

É mostrado que, se os pacientes estão enfrentando problemas no âmbito pessoal, familiar ou social, eles notarão um agravamento nos sintomas de suas doenças alérgicas.

O ser humano é uma unidade, de forma que tudo o que passa pela nossa cabeça influencia nosso corpo e vice-versa.

Os sintomas que o corpo experimenta têm seu impacto no nível mental e emocional. Por isso, os médicos devem ter em mente que separar o psicológico do corporal é algo que, em última análise, não ajuda os pacientes.

Por outro lado, podemos aproveitar essa influência entre a psique e o corpo para melhorar doenças alérgicas e incluir intervenções que usam o bem estar mental, programas de treinamento em controle do estresse e outras técnicas psicoterapêuticas que mostraram melhora na qualidade de vida dos pacientes, pessoas com doenças alérgicas graves e, também, em cuidadores.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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