|Tuesday, September 25, 2018
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A Globalização ameaça a Paz e a Estabilidade 


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Quantas vezes por dia você escuta sobre os benefícios e a necessidade incessante de implementar a globalização?

Se você está imerso na propaganda da mídia tradicional, é provável que ouça sobre a bondade da globalização e sua inevitabilidade. E, também, sobre as ameaças que o mundo enfrentará se a globalização não for totalmente implementada.

Como explicarei, a globalização não é apenas uma má idéia, como, também, ameaça a paz e a estabilidade por causa dos seus efeitos negativos, especialmente em países pobres e em desenvolvimento.

Como equivocadamente argumentado por Adi Ignatius na Revista Harvard Business Review, a globalização não é essencialmente ou absolutamente reduzida à “livre circulação de comércio, capital, pessoas e informação”. Isso é uma avaliação muito simplista. Não há nada de livre sobre como a globalização impõe o movimento de pessoas, produtos e serviços.

Na sua essência, a globalização é a aquisição acelerada de governos por corporações multinacionais.

Em um mundo globalizado, como estamos experimentando atualmente, as corporações multinacionais se tornam mais poderosas, enquanto os governos se tornam mais irrelevantes; até mesmo governos livremente eleitos.

Em qualquer nação, se instituições e valores são mais importantes que políticas ou discussões sobre políticas, os cidadãos têm o dever e o direito de abalar as instituições monolíticas do governo cujo trabalho ameaça os valores daquela nação.

Os eleitores podem reformar essas instituições e expulsar as pessoas que estimulam ou toleram a corrupção, por exemplo.

Se as instituições do governo são tomadas por pessoas que não representam os valores de uma nação, as pessoas devem escolher novos líderes.

No entanto, com a globalização em vigor, as eleições não importam mais, porque as corporações dizem aos políticos o que fazer.

Os eleitores não têm mais voz e seu voto é irrelevante. É onde estamos hoje. Os bancos dizem aos governos quais políticas monetárias devem adotar e gigantes alimentícios dizem aos governos quais políticas ambientais decretar.

Infelizmente, a globalização não traz apenas más notícias no campo político. Como dito anteriormente, um mundo globalizado ameaça a paz e a estabilidade.

Como você pode suspeitar, as corporações existem para ganhar dinheiro e seus proprietários farão o que for preciso para crescer, expandir, adquirir e absorver o que precisem para obter lucro.

Isto não é uma conspiração, é simplesmente a natureza de fazer negócios em um mundo globalizado, onde as empresas controlam tudo.

A globalização nada mais é do que o crescimento descontrolado de entidades corporativas que aproveitam as condições de pobreza em países pobres e em desenvolvimento usando a oferta abundante de mão-de-obra a preços extremamente baixos para fabricar quantidades excessivas de produtos.

O citado crescimento descontrolado foi implementado por meio dos chamados acordos de livre comércio, como NAFTA, CAFTA e, mais recentemente, TPP e TTIP. O verdadeiro impacto dos acordos comerciais, conforme estabelecido hoje, pode ser visto abaixo.

Um ponto importante sobre os déficits comerciais é que eles são comumente entendidos como desequilíbrios entre dois governos; China e os Estados Unidos, por exemplo. Mas, na realidade, esses déficits existem entre um país e uma ou mais corporações.

O problema para as corporações é que existem estruturas jurídicas que limitam sua sede de expansão, então, naturalmente, elas se mudam para diferentes regiões do mundo onde podem pagar salários mais baixos e lidarem com regulamentações menos eficazes, prometendo trazer oportunidades de emprego para trabalhadores sem capacitação, um grupo que compõe a maior parte da população.

Em muitos casos, as corporações ocupam as lacunas sociais, políticas, econômicas e financeiras deixadas pelos governos devido à sua incapacidade de preenchê-las e isso vem com um preço muito alto.

Por mais estranho que pareça, não estamos nos estágios iniciais, mas nos últimos estágios da globalização.

Como afirma um relatório das Nações Unidas, a automação industrial custa aos países pobres algo entre 47% e 77% de todos os empregos.

O trabalho barato atrai multinacionais, que oferecem empregos com baixos salários para trabalhadores não qualificados. É por isso que a imigração ilegal é um aspecto tão importante a ser mantido pelas corporações. Mas chega-se a um ponto em que a tecnologia permite que as empresas produzam a mesma quantidade de mercadorias, ou até mesmo mais produtos, via automação ou através do uso da Inteligência Artificial do que com mão-de-obra humana.

Este é o verdadeiro ponto de inflexão da estabilidade e paz globais, porque as perguntas a serem feitas são: o que acontece com bilhões de trabalhadores pouco qualificados, uma vez que seu trabalho não é mais necessário?

Veja o que aconteceu com os empregos na área da indústria nos Estados Unidos desde que entraram em acordos comerciais:

 

O que acontecerá na China, na Índia e na América Latina depois que as multinacionais automatizarem a maior parte, se não toda, a sua produção?

O que acontecerá com as cidades, uma vez que as fábricas usarem robôs, não humanos, para produzirem carros, computadores ou produtos alimentícios?

Nos países desenvolvidos, os governos podem investir em infraestrutura para construir estradas, pontes e parques. Os governos dos países pobres e em desenvolvimento não estão preparados para oferecer trabalho a essas bilhões de pessoas.

Então, como essas pessoas irão ganhar a vida?

Em seu livro, US vs THEM: O fracasso do globalismo, Ian Bremmer explica que a introdução global da automação industrial reduzirá significativamente os empregos de baixos salários em países pobres. Como resultado, as pessoas pobres nessas regiões do mundo nunca chegarão à classe média.

“Se eles nunca se juntarem à força de trabalho ativa, nunca terão acesso à educação e ao treinamento necessários para conseguirem empregos no século XXI e sabem que seus filhos não se sairão melhor. Aqueles capazes de segurarem seus empregos terão que trabalhar por salários menores e menos benefícios (se ainda houver algum). Se a automação reduzir os salários nos países em desenvolvimento, pode ser impossível para os trabalhadores obter a educação necessária para ter sucesso em um mundo onde a Inteligência Artificial avançada gera uma parcela muito maior do crescimento econômico. Um crescimento menor significa menos receita do governo – e, portanto, menos dinheiro para gastar em educação e serviços, em infra-estrutura e em todas as outras coisas que as classes médias esperam do governo. O círculo virtuoso se torna um círculo vicioso “.

Se as condições atuais de produção e emprego continuarem como estão, os empregos do futuro serão inatingíveis para bilhões de pessoas. Nem mesmo renomadas potências educacionais nos países em desenvolvimento serão capazes de acompanhar o avanço acelerado no desenvolvimento tecnológico, por isso é difícil imaginar o que acontecerá nos países pobres e em desenvolvimento.

Como será o trabalho e o desenvolvimento no futuro próximo? Bremmer explica:

“Há muitas razões pelas quais a revolução tecnológica atingirá mais fortemente o mundo emergente do que atingirá a Europa e os Estados Unidos. Nos países desenvolvidos, as crianças têm mais chances de crescer com tecnologias digitais como, por exemplo, brinquedos e depois encontrá-las na escola. Os governos desses países têm dinheiro para investir em sistemas educacionais que preparam trabalhadores. Suas universidades têm mais acesso a tecnologias de ponta e suas empresas produzem as inovações que impulsionam a mudança tecnológica. Em primeiro lugar, isso cria uma dinâmica na qual os países com salários altos são mais propensos do que os de baixa remuneração a dominarem as indústrias de capacitação intensivas que criarão o crescimento do século XXI, deixando para trás um grande número de pessoas que apenas recentemente emergiram da pobreza “.

Enquanto isso, nos países pobres e em desenvolvimento, a chamada rede de segurança deixará de existir e as pessoas não terão o Estado para salvá-las. A incapacidade de um governo de fornecer comida e moradia gratuitas parecerá, aos olhos das pessoas, menos legítima. Exemplos desse cenário, hoje, são a Venezuela na América do Sul e o México na América do Norte.

Se um governo não pode fornecer emprego, comida ou moradia para seu próprio povo em países pobres e em desenvolvimento, como eles vão lidar com a imigração em massa para as cidades?

As pessoas serão capazes de entender que seu presente e seu futuro dependerão de elas serem auto-suficientes?

Felizmente, o globalismo e a globalização foram atingidos com a chegada de Donald Trump ao poder nos EUA, o Brexit no Reino Unido e o surgimento de novos movimentos nacionalistas que buscam proteger as fronteiras e a soberania.

Não, o nacionalismo não é um problema. No estágio atual, o nacionalismo pode ser o único  tratamento para a ameaça à paz e à estabilidade representada pela globalização.

About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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