|Wednesday, June 19, 2019
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Big Tech compra Big Mídia para concentrar Poder 


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Pode-se argumentar que a aquisição ou fusão de gigantes das mídias sociais e conglomerados de notícias tradicionais irá salvar casas de notícias obsoletas que estão destinadas a desaparecer.

Por exemplo, em setembro, Marc Benioff, diretor da Salesforce, comprou a revista Time por 160 milhões de euros. Um mês depois, Craig Newmark, o milionário fundador da Craigslist, usou um décimo desse valor para lançar o The Markup, que se proclama um meio sem fins lucrativos para analisar o comportamento da grande tecnologia.

Ele também contribuiu com mais de dois milhões para fundar mídias digitais sobre notícias em Nova York e doou outros 17 milhões para a Faculdade de Jornalismo da Universidade da Cidade de Nova York.

Em 2013, Jeff Bezos, o chefe da Amazon e o homem mais rico do mundo, comprou o The Washington Post por 190 milhões de euros.

Nesse mesmo ano, o fundador do eBay, Pierre Omidyar, mostrou seu interesse em fundar um meio sem fins lucrativos com um investimento similar. Seu anúncio tomou a forma de First Look Media, uma organização de notícias focada em jornalismo independente.

Alguns dos editores deixaram a publicação pouco tempo depois acusando-a de se vangloriando de intenções que estavam longe de se materializar na prática.

Três anos antes, o magnata das telecomunicações Xavier Niel havia investido uma grande quantia de dinheiro para assumir o controle do jornal francês Le Monde.

Poderíamos continuar listando casos semelhantes se não fôssemos atacados por uma pergunta inevitável:

O que significa esta tendência?

Se analisarmos a compra do The Washington Post de um ponto de vista exclusivamente financeiro, devemos admitir que a publicação não estava passando pelos melhores dias.

O próprio Bezos admitiu então que não era o negócio mais próspero da sua vida. A oportunidade veio de mãos dadas com a entrada da tecnologia na mudança da imprensa, como em muitos outros setores.

A multinacional pode aproveitar a aquisição do jornal para explorar novas oportunidades de geração de valor. No entanto, o Amazon Prime já integra o conteúdo do jornal e o apresenta como um serviço e não como um produto.

A mídia é afetada por quaisquer mudanças tecnológicas. Eles são um setor muito peculiar e podem se tornar o grande laboratório de transformação digital. É aqui que os conglomerados de mídia corporativos falidos podem encontrar uma tábua de salvação.

Esta é uma opinião compartilhada por Miquel Pellicer, diretor de comunicação do grupo Lavinia, explica que “o grau de influência da Amazon em nossas vidas tem mais a ver com a Amazon do que com o que é publicado no Post, embora seja um meio muito relevante” ele diz.

“A Amazon é uma empresa muito boa em cuidar da experiência do usuário e essa visão traz muito valor à transformação de um jornal.”

A visão do ambiente digital é apenas uma das razões que levam os líderes tecnológicos a entrar no setor.

Os investimentos de Benioff ou Newmark, para citar dois, apresentam diferenças notáveis ​​com o de Bezos.

Nos EUA há uma certa visão idealizada da figura do editor e não descarta que esse fenômeno seja repetido pela mão de uma forte motivação filantrópica.

Socialmente, dirigir um meio é algo que tem muito valor, um componente do ego movido pela vocação para transcender. 

Por outro lado, Julia Cagé, autora do livro Saving the Media, recusa-se a definir a maioria desses milionários tecnológicos como filantropos.

Ela prefere falar sobre eles como os novos donos dos jornais.

Grande parte desses magnatas parece se importar muito com a regulamentação ou, mais especificamente, com a garantia de ausência de regulamentação, particularmente no caso do comércio eletrônico e do setor de telecomunicações”, critica a economista francês.

A aquisição de um meio de comunicação pode ser, para muitos deles, uma maneira de obter acesso aos políticos”.

Cagé inclui o ProPublica na categoria de iniciativas filantrópicas. É uma agência de notícias sem fins lucrativos fundada pelos bilionários Herbert e Marion Sandler, mas se refere ao caso de Bezos ou Benioff como modelo de patrocínio.

Além disso, ela nega que esses referentes tecnológicos compreendam melhor do que outros acionistas como o modelo de negócios da imprensa deve ser no futuro.

Ganhar dinheiro graças à tecnologia em um setor específico não faz de você um especialista na operação da indústria de mídia“, diz. “Eu não acho que eles estão fazendo um pior trabalho do ponto de vista do conhecimento, mas eles também não estão fazendo um melhor trabalho.”

A economista também aponta as diferenças na gestão que esses magnatas fazem de suas novas empresas. O fundador da Amazon investiu pesado no The Washington Post, Xavier Niel fez o mesmo no Le Monde e seus modelos cresceram de acordo com isso.

Mas Patrick Drahi – um empreendedor de tecnologia franco-israelense que controla vários meios de comunicação em todo o mundo – reduziu pela metade o tamanho das redações das empresas que comprou, o que afeta negativamente a quantidade e a qualidade das notícias e das informações que produz.

Uma conclusão é clara, nenhuma mídia social ou um magnata da tecnologia investe milhões ou bilhões do seu dinheiro apenas para se gabar de possuir um meio de comunicação em massa.

Os investimentos deste calibre estão bem estudados e todos eles têm um objetivo muito claro e específico. No caso de Bezos, por exemplo, é o controle do mercado de notícias e as vendas no varejo online.

O controle das mídias fornece influência, a influência fornece acesso e o acesso fornece poder. No final, o objetivo não é necessariamente o dinheiro, mas a influência, o acesso e o poder.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis Miranda is an award-winning journalist and the Founder and Editor of The Real Agenda News. His career spans over 20 years and almost every form of news media. He writes about environmentalism, geopolitics, globalisation, health, corporate control of government, immigration and banking cartels. Luis has worked as a news reporter, On-air personality for Live news programs, script writer, producer and co-producer on broadcast news.

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