Como apresentado em muitos filmes de Hollywood, a corrida tecnológica criará um grupo de “desertores” que será o crescente campo do novo terrorismo.

O surgimento de novas tecnologias sem a antecipação de seus efeitos sobre o trabalho, a privacidade ou as relações políticas e sociais gera a tecnofobia, um medo de tecnologias que desencadeará uma nova onda de terrorismo nas próximas duas décadas.

Pelo menos, esse é o alerta emitido pelo Conselho Consultivo sobre Terrorismo e Propaganda do Centro Europeu de Luta contra o Terrorismo, uma organização da Europol, a entidade criada para centralizar o policiamento em todo o continente.

“O terrorismo será motivado principalmente pela tecnofobia”, concluem os especialistas em um artigo publicado na revista científica “The International Journal of Intelligence, Security and Public Affairs”.

“Cada onda de terrorismo tem um gatilho central e a rejeição da tecnologia por seus efeitos não intencionais será o precipitador dessa nova onda a partir de 2040”, explica o artigo.

A primeira onda de terrorismo, injustamente e intencionalmente ligada ao anarquismo, foi seguida pelo anticolonialismo, a extrema esquerda e o jihadismo. O próximo, segundo os autores do estudo, é o tecnofóbico e será gerado em duas décadas.

O dia que o “terrorismo” reinará

Anarquia não significa o que eles pensam e o que você acha que isso significa. Seu único significado é a falta de uma ordem centralizada e poderosa. Então, a premissa desses especialistas é totalmente errada. Chamar os anti-colonialistas de terroristas por almejarem libertar-se da opressão seria como aceitar que os escravos da terra são terroristas por desejarem liberdade econômica.

“Será transversal porque incluirá adeptos da extrema direita ou esquerda, ateus e crentes. À medida que as mudanças progridem, os sentimentos nostálgicos por um passado idealizado vão crescer”, explica o estudo, lembrando que, no século XIX, o Ludismo, o movimento de artesãos ingleses, surgiu como uma oposição às novas máquinas que acabaram com seus empregos.

Os autores do estudo lembram a história mais recente de Theodore John Kaczynski, o matemático americano formado em Harvard com um doutorado em Michigan conhecido como o “Unabomber”, que, supostamente, enviou cartas-bomba em protesto contra as conseqüências do desenvolvimento tecnológico. “Sua ideologia neoludita se refletiu em um manifesto sobre a sociedade industrial e seu futuro. A comparação é absurda na melhor das hipóteses.

No entanto, especialistas e funcionários do governo são rápidos em culpar grupos inteiros pelas ações de poucos. Por exemplo, proprietários de armas legais são, frequentemente,  acusados ​​de violência armada e os apelos para a remoção da Segunda Emenda são sempre ouvidos pelos esquerdistas e pela mídia. Quando um seguidor de Trump insulta alguém com uma preferência política diferente, todos os fãs de Trump são considerados irreparavelmente violentos, racistas e homofóbicos.

Os alvos, de acordo com esse especialista em terrorismo, serão tanto os geradores de novas tecnologias quanto seus usuários e repetirão um padrão atual: as armas que usarão serão as mesmas contra as quais lutam, como acontece com o jihadismo e o uso da Internet como sua ferramenta.

Esta é uma outra forma de culpa por associação comumente usada por “especialistas” e políticos. As pessoas que expressam oposição ao sistema são igualadas aos jihadistas e sua fala e ações são rotuladas de terrorismo. Suas contas sociais são banidas, censuradas e, por fim, fechadas, porque seu discurso é “ofensivo” ou “politicamente incorreto” em um mundo onde as palavras devem ser higienizadas antes de serem usadas.

O estudo continua a alertar que novas gerações de ataques por computador ocorrerão contra governos e grandes empresas diretamente ou através de seus usuários. A corrida tecnológica criará um grupo de “desertores” que será o campo de crescimento do novo terrorismo, acrescenta o professor.

Enquanto “especialistas” classificam os ataques a governos ou a grandes corporações como terrorismo, ataques do governo e grandes empresas tecnológicas a usuários são chamados de segurança nacional. O termo pejorativo “desertores” é atribuído àqueles que não concordam  com tal medida de segurança nacional e lutam contra as violações de privacidade, espionagem, vigilância e abusos constantes de poder por parte das grandes empresas tecnológicas e do governo.

“Haverá sinergias entre grupos cujas ideologias parecem incompatíveis nos seus princípios, mas que acreditam que o caminho da conscientização não é eficaz e recorrem a outros métodos”, dizem os especialistas, embora acreditem que ainda seja possível estabelecer medidas preventivas para tal.

Nesse sentido, assessores do terrorismo pedem uma reflexão prévia sobre as conseqüências dos avanços tecnológicos para aliviar tais efeitos adversos.

Lembre-se de como a Internet surgiu sem a possibilidade de um “uso perverso” ou como as redes sociais nasceram para colocar grupos e pessoas em contato, mas agora foram atingidos pelo abuso das mesmas empresas que os criaram? Essas empresas, no momento, possuem dados privados e os usam ou os vendem para influenciar pessoas ou interferir em campanhas políticas.

“Atualmente, a preocupação com efeitos indesejados deve estar no centro do progresso tecnológico”, alerta o estudo. “Será transversal porque incluirá seguidores de extrema direita ou esquerda a ateus e crentes”.

A Ascensão das máquinas

Ao invés de preparar a sociedade para as drásticas mudanças feitas pela tecnologia, os chamados “especialistas” se limitam a dizer que o que eles chamam de Indústria 4.0 “destruirá muitos empregos, mas, também, criará outros”.

Pouco é mencionado sobre como a força de trabalho atual e futura precisa de novos treinamentos e reciclagem e quantas empresas, devido à idade de seus funcionários, não estão interessadas em prepará-los para o que está por vir.

A mecanização vai deixar muitas pessoas sem trabalho. Ou há uma vontade de encontrar uma saída ou a sociedade terá que ajudá-los. A mecanização é um erro que não leva isso em conta.

YouTube juntou-se, recentemente, a outras plataformas sociais para eliminar supostos discursos de supremacia, discriminação, negação do holocausto, etc. Limita-se recomendações para “desinformação prejudicial”, como, por exemplo, aquelas que promovem “curas milagrosas absurdas” para doenças graves ou que explicam que a Terra é plana. Censura pelo Youtube não é nova, mas o ritmo está acelerando.

Conclusões do Estudo vs. Realidade

A primeira conclusão é o que é chamado de teoria da ação coletiva aplicada ao surgimento de grupos terroristas e enfatiza quatro elementos:

O estudo publicado na revista científica “The International Journal of Intelligence, Security and Public Affairs” é intitulado “Distopias Terroristas” e tenta indicar qual será a causa predominante que motivará o conflito terrorista no ano de 2040.

1. Insatisfação e descontentamento social: quanto maior o crescimento, certos segmentos vão simpatizar com grupos terroristas.

2. Ideologias que justificam o uso da violência e articulam o descontentamento social, fornecendo explicações para suas causas, identificando inimigos e propondo linhas de ação.

3. Capacidade de organizar e manter uma estrutura terrorista viável capaz de operar em ambientes hostis.

4. Oportunidade política que é alimentada por alianças, um clima social favorável e gatilhos que aceleram a radicalização violenta de certos setores da sociedade.

Neste último ponto, o estudo configura os cenários supostamente analisados ​​na pesquisa. Os chamados especialistas discernem o possível surgimento de novas causas de descontentamento, velhas e novas ideologias que tentam legitimar o terrorismo, novos instrumentos para facilitar a ação de organizações clandestinas e oportunidades políticas que aumentam o recurso a táticas radicais:

1. desigualdade,
2. desemprego,
3. alterações climáticas,
4. o surgimento de cidades-estados e novas tecnologias que se combinarão para aumentar a instabilidade política e serão o meio perfeito para o crescimento e a expansão dos radicalismos,

O que esses especialistas estão fazendo é “estabelecer” um resultado que é inevitável apenas se a humanidade acreditar nisso e se as pessoas acreditarem em falsos profetas. Estão configurando os humanos para se tornarem a sociedade distópica que os poderosos tecnocratas desejam.

Estão igualando insatisfação e protestando com terrorismo. Estão associando descontentamento social com radicalismo. Estão rotulando organizações livres e abertas para protestar contra a desigualdade e a opressão como estruturas terroristas. Estão alertando contra alianças públicas entre grupos para combater o governo e a opressão das grandes empresas tecnológicas porque, segundo eles, isso é um sinal de radicalização.

Há uma outra reviravolta nessa realidade próxima contada por “especialistas”. A tecnologia avançada é altamente concentrada nas mãos de poucos. Os maiores avanços tecnológicos são aproveitados pelas massas apenas décadas depois de terem sido alcançados.

Grandes conglomerados, devido ao seu poder econômico e político, desfrutaram e aperfeiçoaram as novidades tecnológicas nos campos médico, químico e outros por anos antes de se tornaram públicos e acessíveis às massas e só os liberam se tiverem certeza de que o resultado será a servidão em massa.

O que esses especialistas advertem nada mais é o que vem acontecendo no mundo da tecnologia há décadas.

A noção de que o terrorismo será realizado por “desertores” por causa de sua incapacidade de acessar tecnologia soa muito como a trama de muitos filmes de Hollywood onde preparam os humanos para um futuro onde os ricos e poderosos vivem em condomínios fechados cuidadosamente seguros e a maioria de nós vive em favelas.

Talvez não seja terrorismo. Talvez, a sobrevivência seja rotulada como terrorismo para justificar o extermínio contra um número de grupos “indesejáveis” de pessoas deixadas para trás pelos provedores da verdade e da virtude.

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