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Por que o capitalismo é o culpado? 


Capitalismo

A falta de igualdade, equidade e oportunidade são atribuídas ao capitalismo. O mesmo acontece quando se discute a desigualdade de gênero. As discussões entre amigos e parentes quase sempre acabam culpando o capitalismo por tudo o ruim.

As pessoas que falam contra o capitalismo sugerem que ele deve ser reformado para que possa fornecer mais do que eles querem: igualdade, equidade e oportunidade. Obviamente, alguém que quer manipular o capitalismo para fazer qualquer coisa não entende como o capitalismo funciona.

O capitalismo é frequentemente culpado pela desigualdade financeira e injustiça social. Mas é exatamente o contrário. O capitalismo tem sido, por sua própria natureza, um abridor de portas para quem, apesar de não ter educação formal ou for de origens muito humildes, concentra todos os esforços na criação de algo de valor para a sociedade.

Ainda existem pessoas que se atrevem a culpar uma guerra nuclear ou o suposto processo antropogênico de aquecimento global no capitalismo. Sugerem que o investimento público, a educação pública e a seguridade social devem ser mantidos porque juntos representam a os maiores sinais de progresso na historia.

Esse ‘progresso’ e, mais recentemente, novas propostas para ‘salvar o ambiente’, são a utopia da maioria dos ideólogos de esquerda e de seus seguidores. Eles pensam –e afirmam claramente– que alavancar impostos sobre créditos ou emissões de carbono ajudará a resolver a catástrofe global que, dizem eles, avança como um trem de carga fora de controle.

Nos Estados Unidos, economistas que operavam sob o governo Obama concordavam com a idéia de que as ‘novas leis da economia’ deveriam adicionar ou mesclar recursos, estabilidade social e meio ambiente em uma estrutura realista de longo prazo.

As pessoas que defendem a gestão centralizada do capitalismo –que historicamente tem sido um sistema autoregulado, governado por idéias e criatividade, e não pelo controle centralizado– como forma de alcançar seus objetivos sonhados, pretendem legislar e impor sua visão de ‘dignidade’,’igualdade’ e ‘oportunidade’ sobre todos nós.

Eles nos alertam sobre a ‘ameaça climática’ e a futura ‘instabilidade econômica’ como razões para reconsiderar um modelo de desenvolvimento que funcionou por centenas de anos: livre associação, livre comércio e a capacidade de trocar idéias, serviços e produtos como ferramentas de desenvolvimento. Tudo o que alguém tem, de celulares até carros, foi criado por emprendedores capitalistas. Não se pode dizer o mesmo sobre o socialismo ou comunismo.

Sim, as sociedades capitalistas são mais bem-sucedidas em prover todos os seus membros, mas de acordo com seu mérito e esforço, não com gênero, etnia ou ideologia política. O capitalismo e o livre mercado têm a capacidade inata de se equilibrar, sempre favorecendo os lados que operam dentro dos limites de sua teoria: criar e fornecer as melhores idéias, produtos e serviços.

Nas sociedades capitalistas, as crises econômicas ou financeiras não ocorrem devido à natureza do capitalismo de livre mercado, mas devido à intervenção do governo, que é o criador natural dos desequilíbrios. O livre mercado não precisa de ajuda para definir preços, taxas de impostos ou usura, salários mínimos, manipulação de moeda ou redistribuição de riqueza. Ele faze tudo isso por si só.

Tomemos, por exemplo, a crise financeira de 2009. O que aconteceu em 2008-2009 foi a comissão de abusos do setor financeiro. Os CEOs e COOs, juntamente com seus conselhos, abusaram de sua posição e poder nos mercados nacionais e internacionais para enganar os investidores, colocando as economias de suas vidas em produtos financeiros tóxicos.

Numa economia de livre mercado, essas empresas, bancos e instituições financeiras deveriam ter sido liquidadas e seus ativos apreendidos para pagar suas dívidas e obrigações. Em vez disso, os governos da América do Norte e Europa decidiram usar dinheiro dos contribuintes para “resgatá-los”. Os governos não puniram seu comportamento, mas forneceram condições artificiais para os especuladores e agressores do mercado prosperarem.

O resgate financeiro de bancos em 2008-2009 foi a maior transferência de riqueza de contribuintes para instituições bancárias na história do mundo, e todos os governos envolvidos nesse esquema concordaram que os bancos não poderiam falir porque isso poderia causar ‘falha sistêmica’. Eles disseram que, se os governos não tivessem resgatado bancos de investimento que abusaram de seus clientes, a economia mundial teria entrado em colapso.

Em outras palavras, os governos intervieram em vez de deixar o mercado se equilibrar. Ao fazer isso, eles realizaram a maior redistribuição de riqueza da história do mundo. Essa transferência de riqueza e o ônus que isso implicava foram colocados sobre os ombros dos contribuintes.

É importante notar que muitos políticos que aprovaram essa prática se autodenominam capitalistas fiscalmente conservadores, de livre mercado, e se opõem à redistribuição de riqueza para as classes mais baixas. Mas eles acharam adequado transferir riqueza para os bancos e seus acionistas mais ricos.

O dilema do desenvolvimento energético

Após a crise de 2009, com quase nenhum crescimento em todo o mundo, o senso comum apelava à redução de custos financeiros e à facilitação de crédito aos empreendedores, para que houvesse um incentivo para pequenas e médias empresas que são as que geram emprego e crescimento econômico.

Esse crescimento também dependia de baixos custos de energia. Em vez de promover o crescimento por meio da aquisição e uso de energia barata, os ideólogos de esquerda que estão por trás da insana iniciativa de desindustrialização, querem impor sanções e custos mais altos aos produtores de energia, para que seja mais caro usá-la. Essa é a única intenção deles. Essa prática puniu os países pobres que pretendiam desenvolver suas economias porque tornava mais caro apoiar suas atividades de produção.

Nos Estados Unidos e na Rússia, onde a energia é abundante, os suprimentos forneciam acesso às matérias-primas mais básicas, algo que não teria acontecido se Barack Obama estivesse na Casa Branca. Obama pretendia fechar usinas de carvão e bloquear o fracking, o que teria mantido os EUA como uma economia dependente de petróleo.

Uma grande economia que entra em um período de forte crescimento enfrentará custos cada vez mais altos, devido não apenas aos aumentos nos custos reais de aquisição dos recursos de que precisa, mas também, e acima de tudo, à especulação nos mercados de energia conduzida por poderosos investidores e acumuladores no setor.

Após a crise de 2008, o desenvolvimento de fraturamento hidráulico para extrair gás e óleo das reservas de óleo aliviou a economia dos Estados Unidos. Esse processo reduziu bastante o preço da energia e teve um efeito notável de curto prazo na economia dos país. A produção americana foi parcialmente reativada graças ao preço relativamente barato da energia e das matérias-primas fósseis.

Enquanto isso, em países subdesenvolvidos, que carecem de indústria e produção de bens e serviços competitivos, ainda debatem explorações preliminares para estudar a viabilidade de escavar suas reservas de metal e petróleo. Assim, os cidadãos e suas economias estão condenados à volatilidade, manipulação e especulação dos mercados internacionais de energia; um problema que os Estados Unidos não têm graças à política de desenvolvimento definida pelo governo Trump.

Enquanto isso, na Europa, muitos governos se comprometeram com a introdução de fontes de energia mais limpas e muito mais caras, o que dificulta o desenvolvimento, o emprego e a produção.

Quando você investe no que no começo é uma maneira mais cara de gerar energia, como fizeram os europeus, não há escolha a não ser gastar mais nisso e menos em todo o resto. Além disso, a produção final cresce mais lentamente.

É necessária uma grande superioridade tecnológica para encontrar uma solução para esse problema e manter uma forte posição nos mercados mundiais. Por exemplo, quando se trata de desenvolver fazendas de painéis solares, o território necessário para superar os desafios técnicos e de eficiência precisa ser muito maior em comparação com o petróleo ou o gás natural.

Na maioria dos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, os altos custos de energia impedem o investimento a longo prazo em capital físico, construção e nas infra-estruturas que o sustentam. Em particular, a parte da atividade total correspondente ao investimento em materiais de construção vem declinando há várias décadas nos Estados Unidos e na Europa, o que significa que o investimento como um todo contribui menos para o crescimento econômico do que antes. Na China, políticas agressivas de desenvolvimento permitiram ao país construir mais infraestrutura em 3 anos do que os EUA em um século.

O advento da tecnologia: para o bem e para o mal

A atual revolução tecnológica e, especificamente, a ascensão e difusão de tecnologias digitais compactas, mostram por que os especialistas em estatística econômica têm a triste reputação de não conseguir entender as repercussões dessas tecnologias.

É claro que muitas novas tecnologias reduzem os custos de mão-de-obra, deslocando as pessoas dos cargos de escritório e de serviço, assim como as tecnologias automotivas deslocaram os cavalos dos transportes e da agricultura há um século. Novas tecnologias também reduzem os custos de toda uma série de serviços, bem como a produção e disseminação de informações, notícias e entretenimento.

Uma parte importante da atividade foi eliminada para fins práticos da taxa básica de crescimento, porque tem a ver com a produção de bens e serviços a um custo fixo, com uma despesa marginal muito baixa para consumo adicional.

Do ponto de vista da sociedade como um todo, estamos vendo o desaparecimento de carreiras. Ao mesmo tempo, os sistemas educacionais não prepararam profissionais para o que está por vir, principalmente porque ninguém sabe o que está por vir. Por outro lado, estamos testemunhando a segregação social de pessoas em guetos tão pequenos quanto seus quartos. As empresas promovem a conveniência em todos os lugares. Não há necessidade de ir ao cinema, a um restaurante ou ir ao trabalho. As pessoas estão sendo lenta mas seguramente encerradas em suas próprias casas.

As novas tecnologias também economizam capital e, portanto, reduzem a participação correspondente aos investimentos no gasto total. Isso não é ruim, mas significa menos recursos para investimentos, criação de menos empregos com esses recursos e uma menor taxa básica de crescimento.

O grande golpe

Sem dúvida, o maior golpe de todos, quando se fala em capitalismo de livre mercado, é legitimar um sistema que não é realmente um livre mercado.

Embora seja verdade que existem hotspots de mercado livre, mesmo dentro de economias fortemente controladas, nenhum país do mundo opera com base em uma economia de mercado livre, onde seu governo simplesmente cumpre seu papel de auditor. No entanto, o capitalismo, não o governo, é responsabilizado pela desigualdade, falta de equidade, pobreza e até diferenças de gênero.

O capitalismo é mencionado como um sistema predatório, fraudulento e desigual. Mas a fraude generalizada não é cometida pelo capitalismo como modelo de desenvolvimento ou pela liberdade econômica que é criada nele. No mundo real, acontece que os fraudulentos são aqueles que usam seu poder para burlar as regras do sistema, independentemente de esse sistema ser capitalista ou não. Quanto mais fraudulento alguém é –seja ele banqueiro, senador ou empresário– mais bem sucedido será, pelo menos até que alguém descubra. Há pessoas assim em todo lugar, mas não é o capitalismo que as produz, mas sim a intervenção do Estado, que favorece alguns grupos em detrimento de outros.

Em termos gerais, uma vez exposto um sistema baseado em fraude, benefício pessoal e mau julgamento, não é possível repará-lo se não for através de reformas drásticas de amplo escopo e da administração da justiça. No caso da crise de 2008, isso não aconteceu. O sistema financeiro não foi consertado e as instituições existentes foram mantidas. Nada foi feito para reformá-las, e muitos dos autores permaneceram nos seus cargos. Quase nenhum foi levado à justiça.

Conseqüentemente, temos um setor financeiro estruturalmente deficiente que não fornece uma direção estratégica para a economia real. As finanças mundiais são pacientes do capitalismo, e esse paciente contraiu lepra graças a um tipo de intervenção do Estado que não pune, mas recompensa os abusos cometidos pelo setor financeiro, pelos bancos e pelos especuladores.

Tecnologia, inovação, engenhosidade e responsabilidade como pilares do New Deal

Nenhum programa de desenvolvimento para o novo milênio terá sucesso se você começar a pensar nas limitações que existem ou nos limites que deseja impor. O futuro só pode ser brilhante se você fizer o que os pioneiros fizeram no século XX: pensar no que deseja criar, trabalhar para conseguí-lo e perseverar.

Os governos não devem ser a pedra angular de nenhum plano de desenvolvimento para o novo milênio. Inovação, criatividade, promoção da auto-suficiência e uso da tecnologia para solucionar novos desafios devem ser a base para qualquer novo plano.

Igualmente importante será que cada país, com base em sua realidade, busque e implemente as melhores soluções para seu próprio desenvolvimento, em vez de adotar políticas sugeridas por outros apenas porque funcionaram bem em outros lugares. Não existe uma ‘receita de bolo’ que todos gostem ou que funcionem em todos os lugares. Cada receita deve ser criada e seguida de acordo com as necessidades de cada país.

A desigualdade mostra que as políticas e práticas do setor financeiro foram responsáveis ​​pelas condições macroeconômicas do mundo, mas também que podem ser controladas. As finanças não são a única força que atua sobre os resultados econômicos, mas, se a tendência comum for eliminada, não haverá mais um aumento generalizado da desigualdade nos países. A prova é direta. O que testemunhamos foram as consequências de condições que tornaram possível a globalização financeira.

Um país não pode ser desenvolvido dependendo de investimentos estrangeiros em moeda estrangeira, porque a entrada e a permanência de moeda estrangeira estão fora de seu controle. Pergunte à Argentina. Desenvolvimento, estabilidade e igualdade não podem ser alcançados tentando-se controlar as moedas e os mercados de capital global de forma centralizada. Isso foi tentado e não funciona.

O crescimento e a estabilidade econômica são alcançados produzindo, criando valor, e não legislando a igualdade e a eqüidade. A única maneira de garantir que o sistema seja estável e sustentável no nível do país é auditando os mecanismos responsáveis ​​pela criação e manutenção de uma economia viável. Isso, por sua vez, só pode ser alcançado com políticas e instituições capazes de realizar a auditoria de maneira eficaz.

Controlar as finanças dentro dos países é difícil, mas é essencial. Hoje, a força motriz da desigualdade é a cumplicidade entre o governo e o setor financeiro, ao qual os governos servem. Os efeitos dessa tendência variaram, dependendo da capacidade das instituições nacionais de se oporem a ela. Também é verdade que os países maiores ou mais ricos podem ser isolados das consequências da volatilidade dos mercados mundiais melhor do que os países pequenos ou mais pobres.

A concentração de renda em setores especulativos é insustentável por natureza. Se estamos preocupados com a sustentabilidade ambiental, também precisamos nos preocupar com a sustentabilidade no setor econômico, uma vez que a instabilidade impede ações efetivas diante dos desafios do desemprego, corrupção, pobreza e fraco crescimento econômico.

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About the author: Luis R. Miranda

Luis R. Miranda is an award-winning journalist and the founder & editor of The Real Agenda News. His career spans over 23 years in every form of news media. He writes about environmentalism, education, technology, science, health, immigration and other current affairs. Luis has worked as on-air talent, news reporter, television producer, and news writer.

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